Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ARMAZéM LITERáRIO > PROTEÇÃO AMBIENTAL

‘Ibama’ de Obama sob nova direção

Por Maurício Tuffani em 20/01/2009 na edição 521

A imprensa brasileira não deu importância à notícia da confirmação pelo Senado dos EUA da engenheira química Lisa Jackson para chefiar a EPA (Agência de Proteção Ambiental). A escolha dela pelo presidente dos EUA, Barack Obama, já havia sido anunciada em meados de dezembro. Porém, mais importante que a aprovação de seu nome para o cargo que assume na terça-feira (20/1) foi a declaração dela sobre sua primeira tarefa – ‘resgatar a integridade científica e legal’ do órgão, segundo a reportagem ‘EPA pick vows to put science first‘ (The New York Times, 14/1).

‘A ciência precisa ser o esqueleto do que a EPA faz’, afirmou Lisa no início de sua explanação ao comitê de meio ambiente do Senado. O sentido da afirmação da nova administradora é que a agência teve muitas ingerências políticas durante as gestões de Christine Todd Whitman (2001-2003), Michael O. Leavitt (2003-2005) e Stephen L. Johnson (2005-2009), todas da administração de George W. Bush.

Criada em julho de 1970, a EPA é diretamente subordinada à Casa Branca. Tem cerca de 17 mil funcionários em todo o país, trabalha com um orçamento anual de aproximadamente US$ 7 bilhões e possui também uma grande estrutura de laboratórios de pesquisa científica.

‘Música para os ouvidos’

De ascendência afro-americana, a nova administradora da EPA chefiou o Departamento de Proteção Ambiental do Estado de New Jersey durante quase dois anos, até assumir em 1º de dezembro a chefia do gabinete do governador do estado. Ela, que completa 47 anos em 8 de fevereiro, é funcionária do departamento há 15 anos.

Lisa Jackson teve a aprovação de seu nome pelo Senado comemorada por ambientalistas como Josh Dorner, secretário-adjunto de imprensa da ONG Sierra Club. Ele disse que fazia também suas as palavras ‘música para meus ouvidos’ da senadora californiana Barbara Boxer (Partido Democrata), referindo-se às respostas de Lisa durante sua sabatina pelo comitê.

É interessante notar que ao se referir aos aspectos científico e legal da EPA, ela não usou o bordão ‘resgatar a credibilidade’, tão comum no Brasil, mas resgatar a integridade. Não fosse pelo enfoque muito mais científico do que ambientalista de seus posicionamentos, essas circunstâncias da definição da nova administradora da EPA poderiam ser comparadas com a da indicação de Marina Silva (PT-AC) para o Ministério do Meio Ambiente (MMA) em 2003, no início da gestão de Lula.

Lisa Jackson não foi mencionada nem mesmo por Marina Silva, no texto de segunda-feira (19/1) ‘A hora de Obama’, em sua coluna semanal na Folha de S.Paulo (pág. A2). Muito menos sua promessa para a EPA.

Mesmo assim, ainda é uma boa oportunidade para a imprensa brasileira lembrar que tivemos aqui no Brasil um filme com início mais ou menos parecido. O bom é torcer para que daqui a algum tempo Lisa Jackson não seja também obrigada a dizer ‘perco o pescoço, mas não perco o juízo’.

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PS – Só para lembrar: enquanto isso, no Brasil, continua ‘em obras’ o site do Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas (Cecav), conforme o Laudas Críticas havia informado em postagem de 14/11/2008.

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Jornalista especializado em ciência e meio ambiente

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/01/2009 Ivan Moraes

    ‘mais importante que a aprovação de seu nome para o cargo que assume na terça-feira (20/1) foi a declaração dela sobre sua primeira tarefa – ‘resgatar a integridade científica e legal’ do órgão, segundo a reportagem ‘EPA pick vows to put science first”: nos EUA?!?! Resgatar o EPA?!?! So se for em sonho! Os EUA funciona aa base do LOBISMO. Especificacoes tecnicas foram trocadas por LOBISMO. Regulamentacao? LOBISMO. Vai por ai… mostre me um aspecto presente da vida aqui que nao foi moldado por lobistas.

  2. Comentou em 21/01/2009 Ivan Moraes

    ‘mais importante que a aprovação de seu nome para o cargo que assume na terça-feira (20/1) foi a declaração dela sobre sua primeira tarefa – ‘resgatar a integridade científica e legal’ do órgão, segundo a reportagem ‘EPA pick vows to put science first”: nos EUA?!?! Resgatar o EPA?!?! So se for em sonho! Os EUA funciona aa base do LOBISMO. Especificacoes tecnicas foram trocadas por LOBISMO. Regulamentacao? LOBISMO. Vai por ai… mostre me um aspecto presente da vida aqui que nao foi moldado por lobistas.

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