Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ARMAZéM LITERáRIO > CLAMOR DO SEXO

Imprensa, comunismo e censura

10/08/2010 na edição 602

[do release da editora]


Muitos livros já foram escritos sobre a ditadura militar brasileira. Centenas. Talvez milhares. Mas nenhum pelo inusitado ângulo tratado por Maria Erótica e o clamor do sexo – Imprensa, Pornografi a, comunismo e censura na ditadura militar – 1964-1985, do jornalista Gonçalo Junior, autor de livros como A Guerra dos Gibis (Companhia das Letras) e Enciclopédia dos Monstros (Ediouro). O volume, com aproximadamente 500 páginas, chega às livrarias em agosto com a marca da editora Peixe Grande, do editor Toninho Mendes (ex-Circo Editorial). ‘Levei duas décadas para levantar a história desses pequenos editores quase anônimos que enfrentaram a censura e a repressão policial quando os militares achavam que eles eram comunistas que usavam a pornografi a para introduzir o regime de Moscou no país’, diz Gonçalo.


O autor mostra que, entre 1964 e 1985, período em que o poder no Brasil esteve nas mãos dos militares, a Revolução Sexual deflagrada pela pílula anticoncepcional e a contracultura do pós-guerra transformaram o sexo num problema de segurança nacional prioritário. Combater as revistas de ‘mulher pelada’ se tornou uma forma de conter o avanço do comunismo no país, pois os dois assuntos supostamente andavam de mãos dadas. A partir das histórias das editoras Edrel (São Paulo) e Grafipar (Curitiba), Gonçalo relata como a perseguição a esses artistas foi importante ferramenta para combater a subversão no país.


A trajetória dos editores Minami Keizi e Claudio Seto é o mote para um não dimensionado retrato da ditadura, quando donos de editoras, distribuidores, jornaleiros, escritores e desenhistas de histórias em quadrinhos foram perseguidos também em nome da moral e dos bons costumes e em defesa da família brasileira. Uma história que envolveu grandes grupos editoriais como Abril, Três e Bloch, que, na década de 1970, peitaram a censura para lançar revistas como Playboy, Nova, Status, Ele Ela e outras.


Resultado de árdua pesquisa, este livro fartamente documentado é uma fonte de pesquisa para quem quer entender os bastidores da censura no país e a vida sexual do brasileiro nos últimos 50 anos.

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