Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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Imprensa oba-oba

Por Antonio Carlos da Silva em 17/02/2009 na edição 525

Boa parte da grande imprensa brasileira passou da conta de novo!


A falta de massa crítica e a onda do tipo ‘Galvão Bueno’ no episódio da brasileira que alega ter sido agredida na Suíça levaram o governo brasileiro ao exagero. Antes dos fatos apurados e antes de ouvir as autoridades locais, já havia por aqui certezas, convicções e condenações.


No Jornal da Band de quinta-feira (12/2), o âncora Ricardo Boechat ficou indignado com a falta de firmeza do governo brasileiro no episódio.


E agora? Vai falar o quê?


O site da BBCBrasil oferece uma visão mais equilibrada (ver aqui).


O Estado de S.Paulo (14/2) recobra o equilíbrio, depois de começar chutando o pau da barraca, embora, reconheçamos, o episódio, se verdadeiro, justificaria esse sentimento de repulsa e horror (ver aqui).


Compromisso com os fatos


A Folha Online reproduz a BBC e acrescenta algumas matérias novas, também equilibradas, mas na edição impressa a Folha capricha até com um enviado especial a Zurique. Na primeira matéria de 12/2, a Folha dizia:




‘Uma advogada brasileira de 26 anos foi espancada e teve boa parte do corpo retalhado por estilete na Suíça por três homens brancos e carecas que pareciam skinheads, na noite de segunda-feira.


Grávida de três meses de gêmeas, Paula Oliveira sofreu aborto na mesma noite, quando foi socorrida e internada em hospital universitário de Zurique. Ela continua em repouso, mas já não corre mais risco de morte.


De acordo com informações do Itamaraty, Paula é funcionária do grupo controlador dinamarquês A. P. Moller – Maersk. O ataque aconteceu quando ela estava na estação de trem de Dubendorf, pequena cidade a cerca de cinco quilômetros de Zurique, onde trabalha.


A brasileira foi arrastada pelo grupo até uma área cercada por árvores e atacada pelos homens por cerca de 10 minutos.


Quando foi abordada, a advogada, que é branca, falava ao celular em português com a mãe, que mora no Brasil, o que faz aumentar a suspeita de que o grupo que a atacou é composto por simpatizantes nazistas. Um dos agressores tinha uma suástica na cabeça.’


Somente a partir do dia 14, com a presença do enviado especial, a cobertura recebeu um tom mais crítico.


Não se trata de condenar a advogada brasileira, mesmo porque não tenho elementos para tal, mas sim, de desejar que a imprensa tenha compromisso com os fatos e com a apuração dos mesmos. Nossa mídia está mal acostumada, apenas reproduz declarações – claro, as que lhe são convenientes.

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Professor de Geografia da rede particular, São Paulo, SP

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