Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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ARMAZéM LITERáRIO >

Informação de qualidade é essencial à democracia

31/08/2004 na edição 292

[do release da editora]

Livro aborda temas fundamentais para o jornalismo e a sociedade e provoca a reflexão sobre os limites éticos da atividade jornalística. Autor mostra ainda que a informação diária de qualidade, produzida por profissionais íntegros e competentes, é essencial para a democracia e para a consolidação e a manutenção da cidadania.

O papel social e político da atividade jornalística é o objeto de estudo do livro ‘A Ética Jornalística e o Interesse Público’, de Francisco José Karam, lançado pelo Summus Editorial. Jornalista e ex-membro da Comissão Nacional de Ética da Federação Nacional de Jornalistas, Karam faz uma defesa enfática da profissão, mas ressalta a importância de parâmetros éticos para exercê-la. Em 280 páginas, o autor mostra ainda como o interesse particular pode suplantar o interesse público, comprometendo o sentido social da profissão.

Para Karam, o século 20 foi aquele em que a profissão jornalística mais se consolidou e disseminou em todo o mundo. Os princípios que regeram a atividade nesse período buscaram estabelecer um estreito vínculo entre a ética profissional e o interesse público. Hoje, no entanto, este vínculo estaria seriamente comprometido, em grande parte devido ao surgimento de novas e crescentes sociedades de mídia, que resultam em poderosos conglomerados.

Novos procedimentos

No livro, o autor aborda, sempre priorizando a ética e a limpidez, as conseqüências dessa concentração de poder sobre os meios de difusão. Ele trata especificamente de temas que dizem respeito ao Brasil – como o processo de privatizações dos anos 1990 que o discurso empresarial jornalístico embalou muitas vezes na retórica e no cinismo.

‘A concentração limita as fontes, as diferentes narrativas e as diferentes linguagens, contribuindo para o chamado ‘pensamento único’. Dessa forma, o campo da isenção e da independência fica minado. Quanto mais meios de comunicação houver, melhor para a informação e, conseqüentemente, para o público’, diz Karam.

Com base nessa avaliação, o autor levanta uma questão sobre o futuro da profissão, que precisa ser defendida e reafirmada tanto pela categoria quanto pela sociedade. O principal risco, segundo ele, é saber se a atividade jornalística continuará de fato atrelada ao interesse público ou se vai transformar-se em um híbrido de publicidade e marketing.

‘As conseqüências sociais da atividade jornalística são grandes e evidentes. Pensar a prática é uma forma de contribuir para que ela, pela intervenção da crítica teórica, adquira novos procedimentos, confirme alguns, melhores outros’, conclui Karam, professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e autor de Jornalismo, ética e liberdade (Summus, 1997). Trabalhou como jornalista no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

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