Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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ARMAZéM LITERáRIO >

Iniciativa para valorizar a leitura

Por Jorge Fernando dos Santos em 06/10/2009 na edição 558

Participei do 4º Salão do Livro Vale do Aço, evento literário sediado em Ipatinga e Coronel Fabriciano (MG) sob a curadoria do jornalista e escritor Adriano Macedo. Com exposições, mesas-redondas, contações de história, apresentações teatrais e oficinas de arte e literatura, o salão homenageou a memória de Fernando Sabino, representado pelo filho Bernardo, sendo uma realização conjunta da Paralelo, AHPCE Eventos e Instituto Cultural Usiminas, empresa patrocinadora desde a primeira edição.

Lá também estiveram Branca Maria de Paula, Daniel Munduruku, Edmir Perrotti, Marilda Castanha, Nelson Cruz, Marcelo Xavier, Zélia Versiani, Ziraldo, Michele Iacocca, Aracy Alves Martins, Angela Leite de Souza, Neusa Sorrenti, Lino de Alberbaria e muitos outros. Convidados especiais, não puderam comparecer Afonso Romano de Sant´Anna e Bartolomeu Campos de Queirós, este por motivos de doença.

Eventos desse tipo funcionam como alternativa às bienais internacionais do livro, realizadas com muito dinheiro e grande repercussão no eixo Rio-São Paulo. Sem o apelo turístico que ajudou a alavancar os fóruns de literatura realizados em Parati e Ouro Preto, o Salão do Vale do Aço busca principalmente a participação de educadores e pedagogos da região, além do público infanto-juvenil. Seu principal objetivo é contribuir para a formação de leitores – grande desafio de educadores, autores e editores num país que ainda tem um dos piores índices de alfabetização da América Latina.

Uma iniciativa louvável

Além da oportunidade de divulgar seus livros sem necessariamente visar ao sucesso comercial imediato, os escritores que há quatro anos comparecem ao salão abordam temas relacionados direta ou indiretamente às suas respectivas obras, mas, fundamentalmente, de interesse dos educadores presentes. Edmir Perrotti, por exemplo, comandou este ano o painel de abertura falando sobre ‘A importância da leitura no estímulo à descoberta do mundo e na formação da criança e do adolescente’. Temas como memória, descobertas, sentimentos e diferenças permearam outros debates, bem como a relação entre imagens e palavras no universo das letras.

Justamente por se tratar de um evento que ainda não tem o poder de marketing da Flip ou das bienais já consolidadas, é de se lamentar a pouca atenção dada pela mídia mineira ao Salão do Livro Vale do Aço. Realizado em vários locais, inclusive em cidades vizinhas de Ipatinga e Coronel Fabriciano, o evento busca justamente a descentralização do debate, na tentativa de levar a literatura a pessoas que nem sempre têm acesso a livros e escritores.

Trata-se, portanto, de iniciativa louvável, espécie de semente que germinou e cujo broto cresce a cada nova edição. Se isso não é suficientemente importante para motivar a pauta jornalística, fica explicado por que os jornais vêm perdendo leitores a cada dia. Com exceção do Hoje em Dia, representado pelo repórter Alécio Cunha, a imprensa belo-horizontina praticamente ignorou o evento.

Só para forrar gaiolas

Se os chamados homens de imprensa levassem em conta que alfabetização, literatura e hábito de leitura constituem o motor de interesse pela notícia impressa, provavelmente até mesmo a menor das feiras de livros realizada numa cidadezinha qualquer do interior mereceria notas e boa cobertura dos cadernos de cultura. Graças a isso e a outros fatores, a Feira do Livro de Porto Alegre resiste há mais de 50 anos, tendo se tornado uma das maiores do gênero na América Latina.

É preciso que a imprensa nacional se comprometa com iniciativas que visem a promover a leitura e combater o analfabetismo no país. Sem isso, lamento informar, os jornais terão cada vez menos leitores e assinantes – e não adianta atribuir a culpa exclusivamente à internet! O diferencial da informação impressa é que ela pode documentar e analisar os fatos com a profundidade que eles merecem. No entanto, sem leitores qualificados isso se torna tardiamente inútil e desnecessário. Melhor, nesse caso, o tom espetacular da cobertura televisiva ou o noticiário virtual nem sempre consolidado. Jornais impressos? Só mesmo para forrarem gaiolas.

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Jornalista e escritor, Belo Horizonte, assessor de imprensa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais; seu blog

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