Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ARMAZéM LITERáRIO > BLAIR vs. BBC

Jornal do Brasil

10/02/2004 na edição 263

‘A perda de confiança do público no primeiro-ministro britânico Tony Blair foi realçada ontem por uma pesquisa encomendada pelo jornal The Independent, na qual mais da metade dos eleitores dizem querer que ele renuncie. Chegou ontem a Bagdá uma equipe da ONU, para avaliar a possibilidade de realizar eleições antes do meio do ano, enquanto o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld defendia, mais uma vez, a decisão americana de ir à guerra no Iraque.

Segundo a pesquisa britânica, realizada nesta semana, 51% dos interrogados querem que o primeiro-ministro se demita e 54% acreditam que ele mentiu à nação a respeito da ameaça representada por Saddam Hussein.

A decepção com Blair é mais profunda. Quando perguntados a respeito do novo inquérito sobre o fracasso na descoberta de armas de destruição em massa no Iraque, cerca de 68% acreditam que será uma ‘tapeação’, enquanto apenas 23% acham que será uma ‘autêntica tentativa de descobrir a verdade’.

A equipe da ONU que chegou ontem ao Iraque avaliará se é possível realizar eleições, como tem reivindicado a maioria xiita do país, antes que os americanos devolvam o poder aos iraquianos.

Os EUA dizem que não há tempo suficiente nem segurança para organizar eleições antes da planejada entrega de poder no dia 30 de junho. Os americanos querem que convenções regionais escolham um governo provisório que ficaria no poder até as eleições gerais em 2005.

Na Conferência de Segurança de Munique, Alemanha, perante 250 personalidades de 45 países, Donald Rumsfeld afirmou que foi Saddam Hussein quem escolheu que se chegasse a uma guerra no Iraque, ao desperdiçar as chances de demonstrar que seu país não representava uma ameaça armamentista.

– Saddam Hussein podia ter demonstrado que havia se desarmado, mas deixou passar a última oportunidade de provar que abandonara seus programas e destruíra as armas – disse Rumsfeld. – Se tivesse agido como a Líbia faz agora, não teria havido guerra.’

 

O Estado de S. Paulo

‘Funcionários da BBC defendem independência’, copyright O Estado de S. Paulo, 8/02/04

‘Funcionários da BBC saíram às ruas ontem para defender a independência informativa da rede britânica após as críticas no relatório do juiz Brian Hutton sobre o chamado ‘caso Kelly’, que levaram à renúncia do presidente e do diretor-geral da organização.

O relatório, que eximiu o governo de qualquer culpa no suicídio do cientista David Kelly, criticou a direção da BBC por não ter checado os dados ‘infundados’, segundo Hutton, de uma reportagem acusando o governo de ter ‘esquentado’ informações sobre as armas iraquianas para justificar a guerra no Iraque. Mostrando cartazes que diziam ‘Tire as mãos da BBC’ e ‘Que não haja influência política’, os funcionários se manifestaram após o meio-dia diante dos estúdios da rede em todo o país.

‘Isto é protesto, não é greve – não estamos em conflito com a direção da BBC’, disse o secretário-geral do sindicato dos jornalistas, Jeremy Dear, que ajudou a organizar a manifestação. ‘Mas vamos fazer barulho, queremos que os dirigentes da BBC se unam a nós para defendê-la dos ataques do governo.’ (Reuters)’

***

‘Governo conhecia detalhe que Blair dizia ignorar’, copyright O Estado de S. Paulo, 6/02/04

‘Sem nenhuma arma de destruição em massa iraquiana à vista, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ficou numa situação ainda mais embaraçosa, ontem, depois do depoimento de seu ministro da Defesa, Geoff Hoon, a um comitê de defesa do Parlamento.

Hoon afirmou saber que a alegação de que o Iraque podia usar num prazo de 45 minutos armas de destruição em massa, constante num dossiê divulgado por Blair, se referia a armas convencionais num campo de batalha. Ou seja, o suposto armamento, principal justificativa para a guerra, não iria ser lançado em mísseis de longo alcance capazes de atingir alvos britânicos.

Em declarações no Parlamento na quarta-feira, Blair afirmou ter pensado que a informação no dossiê, preparado pelo setor de inteligência, dizia respeito a projéteis de longo alcance. Hoon disse não ter alertado Blair sobre isso porque, na época, não considerou o fato importante. ‘Evidentemente, eu informava regularmente o primeiro-ministro. Se essa questão tivesse sido importante na decisão de levar o país à guerra, tenho certeza de que o assunto teria surgido entre nós. Como não era importante naquele momento, não foi discutido.’

O dossiê, exposto por Blair aos parlamentares em outubro de 2002 para demonstrar o perigo representado pelo regime de Saddam Hussein, especificava que, depois de o governo iraquiano dar a ordem, armas de destruição em massa poderiam ser lançadas em 45 minutos.

No dia seguinte, os jornais britânicos estamparam manchetes sobre o risco que o país corria. Segundo o tablóide The Sun, mísseis com armas de extermínio poderiam atingir uma base britânica em Chipre.

Hoon disse ter descoberto a minúcia sobre as armas depois da divulgação do dossiê, mas antes da decisão do país de ir à guerra. Os parlamentares perguntaram a Hoon por que ele não esclareceu a população sobre o alcance das armas, uma vez que a informação dos jornais estava errada.

Hoon disse que só ficou sabendo das manchetes ‘mais tarde’ e seria muito difícil levar os meios de comunicação a corrigir fatos imprecisos.

Os aliados de Blair enfatizam que, no discurso em que ele pediu apoio ao Parlamento, antes da guerra, ele não deu ênfase aos 45 minutos, mas ao perigo do regime de Saddam.

A ministra do Meio Ambiente, Margaret Beckett, saiu em defesa de Blair na Rádio BBC, referindo-se ao debate sobre os 45 minutos como ‘detalhes’. ‘O que importa é o que o armamento pode fazer, não o modo como ele é lançado’, afirmou Margaret. ‘Você acha que Winston Churchill ficou perguntando com precisão que tipo de munição estava sendo usada na 2.ª Guerra Mundial?’

O líder do oposicionista Partido Conservador, Michael Howard, sugeriu que Blair renuncie ao cargo por não ter feito perguntas básicas sobre o dossiê.

‘Não posso imaginar uma falta mais grave no exercício da função de primeiro-ministro.’ Outro oposicionista, Paul Keetch, do partido Liberal Democrata, ironizou a declaração de Howard pelo fato de os conservadores terem estado na linha de frente na defesa da guerra. (Reuters, AP e DPA)’

 

Comunique-se

‘Funcionários da BBC preparam protesto contra o relatório Hutton’, copyright EFE in Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 5/02/04

‘Milhares de funcionários da BBC protestarão nesta quinta-feira, em todo o Reino Unido, contra as fortes críticas dirigidas à rede pública britânica pelo relatório Hutton sobre o chamado ‘Caso Kelly’.

A manifestação, que também defende a independência informativa da BBC, está programa para 12.00 GMT (10.00 de Brasília) na frente dos escritórios e estúdios da rede em todo o país.

Os jornalistas têm a intenção de defender Greg Dyke, que pediu demissão na semana passada como diretor-geral da corporação após as devastadoras críticas contidas no documento do juiz Brian Hutton, que investigou a morte de David Kelly, especialista em armas do Ministério da Defesa.

O protesto foi organizado pelo Sindicato Nacional de Jornalistas (NUJ) e o sindicato da BBC, o Bectu.

A maior manifestação é esperada em frente aos estúdios de televisão do canal, no oeste de Londres, onde o deputado trabalhista Austin Mitchell deve falar aos jornalistas.

‘O relatório Hutton representa uma ameaça real e grave para o jornalismo. Isso significará inevitavelmente que os jornalistas enfrentarão maior pressão para revelar suas fontes e fará com que as fontes pensem duas vezes antes de falar’, disse o secretário-geral do NUJ, Jeremy Dear.

No texto, Hutton classificou de ‘infundadas’ as acusações da BBC de que o Governo exagerou a ameaça iraquiana para justificar a guerra contra o Iraque.

O relatório inocentou o governo e criticou duramente a BBC, provocando a demissão do presidente e do diretor-geral da rede, Gavyn Davies e Greg Dyke, respectivamente, e do jornalista Andrew Gilligan, autor da polêmica reportagem.

O cientista britânico David Kelly se suicidou em 17 de julho de 2003, perto de sua casa em Oxfordshire, no sul da Inglaterra, após ser identificado como a fonte da informação.

Sobre as críticas contra a BBC, o jornal ‘The Independent’ informou que os advogados da corporação informaram a seu conselho de administraçao que o relatório Hutton continha alguns erros legais, mas a rede não se defendeu e fez um pedido de desculpas incondicional ao governo.

Segundo os assessores legais, o juiz não levou em conta a liberdade de expressão contemplada na Convenção Européia de Direitos Humanos.’

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