Domingo, 17 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Jornal do Brasil

15/06/2010 na edição 594

COPA
Allen Chahad, Fábio de Mello Castanho, Renato Pazikas, Portal Terra

Dunga ataca imprensa e diz ter alegria em dobro como técnico

‘Poucas horas antes de fazer sua estreia em uma Copa do Mundo como treinador, na terça-feira, contra a Coreia do Norte, Dunga voltou a atacar a imprensa. Nesta segunda-feira, depois do treino de reconhecimento de gramado no Estádio Ellis Park, em Johannesburgo, disse que as críticas recebidas são mais pela sua personalidade do que pelo seu trabalho. Depois de ter disputado as Copas do Mundo de 1990, 94 e 98 como atleta, declarou ainda que sente mais alegria nas vitórias em seu cargo atual do que quando era jogador.

Perguntado se apontaria alguma injustiça com relação às críticas que recebe, Dunga falou com um certo tom de desabafo. ‘Eu não diria injustiça. São pontos de vista. Uma equipe que faz cento e poucos gols deve ter um mínimo de criatividade. E toma pouco mais de 30 gols, tem equilíbrio. Então acho que… Na verdade, na verdade, essa crítica de criatividade ou futebol ofensivo eu ouço desde que eu nasci’, disse.

‘Vou falar uma coisa aqui e os caras vão falar que eu sou rabugento ou algo assim. As críticas maiores são porque os treinos são privados, porque não há entrevistas exclusivas, porque não tem jantar com cinco ou seis. Então as críticas são essas… São mais direcionadas à minha personalidade do que propriamente ao trabalho’, completou.

E, questionado se essa situação o incomoda muito, Dunga lembrou-se da recuperação do goleiro Júlio César nesta fase final de preparação. ‘Não, a mim não incomoda. Tem que ter liberdade. Liberdade com responsabilidade e respeito. Está tudo certo, não tem problema nenhum. Porque se eu fosse dar bola para tudo que escrevem… Imagina eu lendo de manhã ‘Júlio César está fora do jogo’. Meu coração vai a 300 por hora. Aí, de tarde, ‘Júlio César é o melhor do treino’. Aí eu enlouqueço. Vou ficar com os cabelos brancos em um dia só’, disse.

Bater e apanhar

Perguntado se essa situação de conflito com os jornalistas poderia ajudar de alguma maneira o trabalho dele em busca do título mundial, atacou. ‘No meu modo de ver nada. Se você me pergunta, tenho que responder. Mas você tem uma vantagem. Você tem 24 horas para me bater. Eu só tenho um segundo para responder. É isso aí…’, disse.

‘Dificuldades temos a cada instante. Tem esse confronto que é normal. Mas não é porque eu estou aqui agora, lembro que sempre foi assim. Eu apanho de manhã e de noite. Depois eu respondo e sou rancoroso. Ao contrário, não, são simpáticos e alegres. Mas o futebol é polêmico assim mesmo’, discursou.

Maior desafio

Dunga foi perguntado se o Mundial da África do Sul seria o maior desafio de sua carreira. ‘É o maior desafio porque é o próximo. Quando eu era jogador, era o maior desafio. Hoje seguramente estou muito mais preparado para comandar. Existe a cobrança, mas o mais importante é sempre botar a cabeça no travesseiro tranquilo. Sem dúvida nenhuma, como treinador, a cobrança é maior. Mas, quando consegue realizar, a alegria é em dobro’, afirmou.

Disse que ainda sente ‘dor de barriga’ antes de estrear numa Copa do Mundo. ‘Sem dúvida. Comentei com os jogadores que o tempo na Seleção Brasileira parece longo, mas passa muito rápido. Estamos faz quatro anos, mas sempre tem o gostinho de quero mais. Tem a emoção… Você coloca o uniforme da Seleção Brasileira e começa a pensar quantas pessoas queriam estar aqui no seu lugar’, contou.

Sobre o que mais ficou surpreso até agora, com quatro dias de Mundial em andamento, o treinador da Seleção Brasileira citou o fato de o passado recente de desempenho das equipes não ser mantido. ‘O que mais me chama atenção é que o que aconteceu nas Eliminatórias conta pouco. A Alemanha, tão criticada, fez quatro gols ontem (4 a 0 na Austrália). O jogador tem que estar preparado para essa adrenalina. Quem tiver equilíbrio vai apresentar um bom futebol. O Japão também era cobrado, foi lá e ganhou (1 a 0 sobre Camarões)’.

Treinos fechados

O treinador, que fechou o acesso da imprensa a três dos últimos seis treinos da Seleção Brasileira, defendeu a estratégia para poder repetir jogadas ensaiadas com mais tranquilidade.

‘Primeiro que talvez o Rodrigo (Paiva, diretor de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol) não tenha explicado para você, ele não quer entrar em conflito. É um cara muito educado. Não é treino fechado. É um treino privado. Queremos parar mais as jogadas, sem muita gente em volta. No jogo tem as pessoas em volta, claro. Mas, quando tem que repetir várias vezes, não digo atrapalhando, mas acaba disturbando. Vocês falam tanto em criatividade dos jogadores, tem que ter criatividade para escrever nessa hora’, disse.

O adversário

Dunga pregou respeito aos norte-coreanos, piores colocados no ranking da Fifa entre os 32 participantes da Copa – 105ª. O Brasil lidera a lista. ‘Na minha forma de pensar, as 32 seleções que estão aqui se classificaram e têm condições. Então, independente se tem tradição ou mão, precisam ser respeitadas. Você tem que fazer valer dentro de campo. Os resultados até o momento para nós foram bons. Futebol não tem futuro ou passado, só presente’, filosofou.

A Coreia do Norte não vence há sete jogos – perdeu para Nigéria, Paraguai e México e conseguiu empates com a África do Sul e com a Grécia. A última vitória aconteceu no dia 24 de fevereiro deste ano, na goleada por 5 a 0 sobre a também inexpressiva Mianmar. ‘É um time compacto. A velocidade é sua característica. Tem três atletas que jogam fora do país, isso ajudou bastante a Coreia. É um time que se fecha e sai em velocidade. Vamos ter que achar uma forma de superar isso’, resumiu o treinador brasileiro.’

 

TENDÊNCIA
Jornais impressos ganham mais foco e viram fonte de aprendizado

‘Os jornais impressos vão durar mais do que as pessoas pensam apesar do advento da internet, já que ganham cada vez mais foco e viram fonte de aprendizado cultural da sociedade. É o que dizem profissionais de mídia e o que prega artigo publicado na semana passada pela revista britânica The Economist, com o título A estranha sobrevivência da tinta.

Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo diz que os impressos são insubstituíveis no jornalismo por mobilizarem grande massa de informação e número de profissionais, ‘o que dificilmente haverá em um veículo online.’

– Quem poderia competir com os impressos seria a TV, porque oferece a imagem em movimento, que dá grande poder de impacto e atração – aponta Azêdo. – Mas, na verdade, a televisão é suplementar, porque as questões que aborda são fornecidas principalmente pelos jornais diários.

No artigo, a The Economist cita que os anúncios na mídia impressa brasileira caíram por pouco tempo durante a recessão e que a circulação total dos jornais aumentou 1 milhão nos últimos 10 anos, para 8,2 milhões de exemplares.

– No Brasil, os jornais têm investido mais em número de páginas, criando cadernos e suplementos – ressalta Azêdo. – Precisam oferecer muita informação, comentários e avaliações ao leitor, para cumprir seu papel na vida social.

A partir do crescimento do consumo no país, aumentou também a necessidade por bens culturais. É o que o presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), Paulo Nassar, chama de ‘economia do conhecimento’.

O presidente da ABI ressalta que a internet é um chamariz para os impressos. Ele lembra que o palpitante assunto Copa do Mundo na web induz e estimula nas pessoas comuns a necessidade de avaliação e opinião. ‘Por isso, os jornais criaram cadernos especiais para a Copa.’

– A tecnologia da comunicação digital era vista como uma ameaça, mas acabou inserindo a palavra escrita em outras formas, o que alavanca a mídia impressa – diz Nassar.

A revista britânica também ressalta que a crescente classe média brasileira consome muito ‘novos jornais baratos que priorizam assassinatos e biquínis’. Para Azêdo, esta é uma tendência nos principais centros urbanos, como Rio, São Paulo e Minas.

– Assim, os grupos empresariais asseguram o acesso dos leitores a uma publicação secundária, lançando veículos populares, com preços baixos e apelo ao escatológico, com um prazer até mórbido do público – avalia Azêdo.

O artigo também traz, contudo, preocupações. O gasto com papel é a segunda maior despesa depois da folha de pagamento. E, o mais drástico: ‘ainda não está claro se jovens vão pagar por notícias’.

– A indústria do entretenimento colabora para a alienação dos jovens, tirando o interesse pelos impressos – frisa Azêdo. – A tendência é de concentração, com menos jornais.’

 

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