Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ARMAZéM LITERáRIO > MÍDIA & ÉTICA

Jornalismo de qualidade e responsabilidade social

Por Rackel Cardoso Santos em 16/12/2008 na edição 516

Qual a função e o objetivo do jornalismo?Apenas informar coisas ruins sem que o leitor e ou espectador possa fazer algo para ajudar? Ou noticiar coisas boas sem que eles possam vivê-las?

A função do jornalismo é informar para formar opiniões. Sejam elas positivas ou negativas, o importante é que essas opiniões façam a diferença no dia-a-dia da sociedade. A partir da informação de qualidade, surgirão opiniões divergentes, ou mesmo iguais, mas que se complementam e que influenciam nas atividades das pessoas, podendo então resolver problemas que pareciam ter efeitos irreversíveis ou até as mais simples dificuldades sociais.

Aí está o foco de todo jornalista que faz jus ao nome que carrega e de todo meio de comunicação que cumpre seu dever com ética: informação de qualidade para a sociedade.

O Código de Ética dos jornalistas brasileiros, aprovado em congresso da categoria, tem 27 artigos. O sexto artigo diz o seguinte: ‘O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social e de finalidade pública, subordinado ao presente Código de Ética.’

Informação sem crítica

O público tem o direito de ser bem informado e isso é regra para os jornalistas – é também a base de qualquer ética aceitável por eles. No entanto, nem sempre o que se informa ao público é de seu total interesse, nem o de sua curiosidade. E isso envolve conflitos entre o que é divulgado e o que o público almeja que seja dito, pois muitas empresas jornalísticas utilizam ‘estratégias de marketing’ para conquistar o público.

Se uma adolescente quer saber da intimidade de um cantor famoso e ele permite que se divulgue, ou se alguém quer aprender certa receita gastronômica, isso pouco deveria importar aos jornais, seja impressos, televisivos, de rádio ou on-line. Deveria se deixar essa ‘estratégia de marketing’ para os programas de entretenimento, e não ocupar o espaço que deveria ser voltado para problemas ‘normais’, que de normais não têm nada, como a miséria, os desabrigados, o abandono de idosos, presídios superlotados, entre outros.

Quanto mais se investisse em pesquisas e reportagens sobre tais questões, mais a população se conscientizaria e, aos poucos, os problemas seriam amenizados. Pena que não é assim que pensam as empresas de comunicação em nosso país.

O prestígio que um jornal adquire depende muito da seriedade do conteúdo. Caso não haja qualidade nesse pré-requisito e se difunda o exemplo acima, da adolescente e da culinária, não haverá mais jornalismo, e sim, sistemas de difusão de informação sem possibilidade crítica.

O consumidor faz o produto

Hoje, o jornalismo funciona da seguinte forma: se alguém cair bêbado em alguma calçada merece apenas um olhar, mas se esse alguém for uma figura pública – um ator de TV, por exemplo –, esse fato vira notícia de três dias em todos os jornais do país. É onde nasce o conflito entre público e privado, informação de qualidade e interesse particular. Existe uma confusão.

Mas, será a notícia apenas um negócio?

É importante que quanto maior for a cobertura de um órgão de imprensa, maior seja o compromisso do jornalista com sua responsabilidade social.

É bem verdade que a cobertura de movimentos sociais é insuficiente e que o cidadão não dispõe de veículos que o informem com qualidade sobre esses acontecimentos.

O jornalismo almeja prover à sociedade informações objetivas e, portanto, úteis ao debate público, como as necessidades e os direitos do povo, ao qual informa e com o qual dialoga. É onde nasce a questão da exclusão dos personagens desses acontecimentos sociais; grande parte deles não está entre os leitores das principais publicações impressas do nosso país. Os jornalistas de veículos impressos cumprem o papel de servir aos seus leitores, portanto atendem apenas a uma parte, a parte que os lê. Devemos levar em consideração ainda que as principais e mais habituais fontes vêm do grupo daqueles que os lêem. Essa é uma questão, não inercial em parte, que é imposta pelo consumo – o consumidor é quem faz o produto.

Contato íntimo com a realidade

Assim, aumenta a responsabilidade social do jornalista que, além de assumir o desafio editorial de qualificar seu ‘produto’, deve expandir a base de leitores de notícias, seja em meios impressos ou eletrônicos.

Como as redações nos meios impressos têm sido escolas para novos profissionais da área, que depois migram para os outros veículos como rádio e TV, a mentalidade, os valores, os parâmetros e os preconceitos que são cultivados também interferem nos outros meios, tornando-se práticas para o jornalismo em geral.

Para concluir, as cinco principais características do jornalismo de qualidade:

** Liberdade – Liberdade é poder fazer ou deixar de fazer o que se quer, é a atividade de quem se sente à vontade para fazer algo.

** Justiça – Justiça provém do respeito aos direitos das pessoas, é a virtude de dar a cada um o que lhe cabe.

** Equilíbrio – É ter igual distribuição de força em todas as partes, ficar estável e sem oscilar.

** Ponderação – Ato de ponderar, examinar com atenção e cuidado, avaliar, considerar, pensar. Quem é prudente e sensato é ponderado.

** Elegância – Ter elegância é ter bom gosto, distinção e encanto.

‘O que distingue o repórter é o seu íntimo contato com o a realidade com o que está diante de seus olhos, com o que concorre no momento de pousar o conhecimento sobre as coisas. Sua missão, função, ou profissão é transmitir essa realidade a um grupo de pessoas, dando-lhes conta do que viu, do que ouviu e do que sentiu’ (Antônio Olinto, Jornalismo e literatura).

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Bacharelanda em Comunicação Social, Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)

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