Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ARMAZéM LITERáRIO > DIOGO MAINARDI & LULA

Jornalista revela os bastidores de cada texto

16/10/2007 na edição 455

[do release da editora]

A editora Record apresenta o novo livro do jornalista Diogo Mainardi, um dos mais polêmicos e conhecidos comentaristas da cena política brasileira. Em Lula é minha anta, Mainardi reúne uma coletânea de crônicas sobre o escândalo do mensalão publicadas pelo autor na revista Veja, da qual é colunista. Mas não se trata de uma reunião pura e simples dos primorosos textos de Mainardi sobre os escândalos de Brasília. No livro, as crônicas são alinhavadas com comentários inéditos revelando os bastidores da construção de cada texto.

O texto de orelha de Lula é minha anta, escrito pelo próprio autor, é um prenúncio da leitura inteligente e prazerosa que se encontrará no livro:

‘Lula é meu. Eu vi primeiro. Agora todo mundo quer tirar uma lasca dele. Até os jornalistas que sempre o apoiaram. Chamam-no de ignorante. Chamam-no de autoritário. Como assim? Lula tem dono. Só eu posso chamá-lo de ignorante e autoritário. O resto é roubo. Roubaram Lula de mim.

‘Nós somos chefes dele’

‘Falei tanto de Lula nos últimos anos que quase me sinto seu amigo. Tão amigo quanto Roberto Teixeira, acusado de favorecer uma empresa que fraudava as prefeituras petistas. Tão amigo quanto Mauro Dutra, acusado de desviar verbas do programa Primeiro Emprego. Tão amigo quanto Francisco Baltazar, acusado de negociar com o doleiro Toninho da Barcelona. Tão amigo quanto Paulo Okamoto, acusado de montar o esquema de arrecadação paralela do PT. Duvido que todas essas denúncias sejam verdadeiras. José Dirceu garantiu que os petistas não roubam. Ou melhor, ele garantiu que os petistas não ‘róbam’, roubando, inadvertidamente, a língua portuguesa.

‘Quem melhor definiu Lula foi o próprio Lula. Ele disse: ‘Não fui eleito presidente por méritos pessoais ou como resultado da minha inteligência.’ Eu, que sempre falei mal dele, fui obrigado a aplaudir. Ele realmente não foi eleito por méritos pessoais ou como resultado de sua inteligência. Há quem me acuse de ter motivos pessoais para amolar Lula. Bobagem. Tenho tanto interesse por Lula quanto pelo zelador do meu prédio. O motivo de minha implicância é público. Acho que os brasileiros, por falta de experiência democrática, atribuem uma importância exagerada ao presidente da República. Um presidente é só um burocrata medíocre que a gente contrata por quatro anos para desempenhar uma tarefa que nenhuma pessoa minimamente sensata estaria disposta a desempenhar. Ele não é nosso chefe: nós é que somos chefes dele.’ (D.M.)

O autor

Diogo Mainardi nasceu em São Paulo. Mora no Rio de Janeiro. É colunista de Veja desde 1999. Participa do programa Manhattan Connection, no canal GNT. É autor dos romances Malthus (1989), Arquipélago (1992), Polígono das secas (1995) e Contra o Brasil (1998), e do volume de crônicas A tapas e pontapés. Escreveu dois roteiros cinematográficos: 16-0-60 (1995) e Mater Dei (2000).

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