Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ARMAZéM LITERáRIO > ESTANTE

Livro aborda trato da morte no telejornalismo

Por Wagner Mezoni em 02/12/2008 na edição 514

Casos como o de Isabella Nardoni, da jovem Eloá e a cobertura jornalística de ambos ainda estão presentes na memória. A morte, assunto tabu na sociedade moderna ocidental, tornou-se mais pública com o advento da comunicação de massa, dos meios eletrônicos de comunicação? Foi com base nessa pergunta que Carlos Alberto de Souza, professor e pesquisador do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), analisou a televisão, dando ênfase ao Jornal Nacional, da Rede Globo, e ao Jornal da Cultura, da TV Cultura. A obra é uma versão de sua tese defendida no Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina.


O resultado da pesquisa é o livro Telejornalismo e Morte: a interdição do ver no noticiário televisivo, lançado pela Editora da Univali. Ele mostra como o tema é corrente em jornais de notícias e filmes na TV, embora isso não transforme a morte em um fenômeno sobre o qual as pessoas possuam alguma experiência ou domínio.


O livro lança luzes sobre o fenômeno da morte a partir da sociologia, psicanálise e comunicação. Ele foca a investigação sobre a televisão, principal veículo contemporâneo de comunicação social, e sobre o gênero jornalístico, que retrata, diariamente, a realidade do mundo aos telespectadores.


Mecanismos de defesa


Segundo o pesquisador, foi observado que os telejornais contribuem para a ocultação da morte na sociedade moderna ocidental e que essa ocultação no espaço televisivo, no telejornal, acontece de forma diferente da observada no meio social: ‘Ela acontece por meio da espetacularização, banalização, dissolução e manipulação dos acontecimentos, cenas e detalhes’, aponta Carlos Alberto.


Para o autor, recursos tecnológicos e de linguagem e a sobreposição das notícias negativas por boas notícias e inusitadas são alguns dos elementos que ajudam a sustentar a tese. Ele afirma, ainda, ser possível dizer que a morte não é mostrada com toda a carga pelo mal-estar que causa a uma sociedade que busca a felicidade: ‘É preciso antes estetizá-la. A estética televisiva permite ao público olhar aquilo que aterroriza’, diz Carlos Alberto.


Ele explica, também, que o espectador dispõe de uma série de mecanismos de defesa para lidar com o fenômeno da morte e da violência na tela e no cotidiano: ‘São dispositivos regidos pelo princípio do prazer que servem para manter o ego afastado daquilo que lhe provoca ansiedade. São atitudes variadas, mas úteis para impedir a `visão´ da morte e do morrer’, conclui o autor.

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Da Coordenação de Comunicação da Unversidade do Vale do Itajaí (Univali)

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