Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ARMAZéM LITERáRIO >

Luiz Garcia

13/04/2004 na edição 272

‘O principal pecado de um jornal é publicar inverdades. Infelizmente temos algumas deformações da verdade na edição de hoje. Fazem parte da transcrição de um discurso do presidente da República para jornalistas. Por exemplo:

‘…naquele momento (1979) os empresários provaram que era possível fazer jornal sem jornalistas.’

A verdade: todos os jornais são feitos por jornalistas. Trata-se de uma profissão que, como qualquer outra, exige conhecimento do ofício. Provavelmente Lula se referia a jornalistas sindicalizados. E realmente o movimento sindical se enfraqueceu bastante nas últimas décadas. A razão é simples e conhecida. Há menos jornais hoje do que há três décadas. No Brasil e no mundo. Os que sobreviveram são, quase todos, empresas sólidas, que pagam bons salários a seus funcionários. Quando a empresa voluntariamente paga bem – porque esse é o custo de ter jornalistas competentes – perde força o movimento sindical, que luta por salários básicos inferiores aos do mercado.

Lula afirma que os donos de jornais ‘quebraram a espinha dorsal do jornalismo’ contratando profissionais ‘terceirizados, como pequenas empresas’. Esses profissionais de fato existem. São uma minoria, muitos deles aposentados mas ainda válidos, cuja existência não ameaça aqueles que seriam os verdadeiros jornalistas. A imensa maioria é de profissionais formados em jornalismo, uma exigência que não existe em qualquer país de imprensa com a espinha dorsal intacta. Os bons profissionais não lutam contra a sindicalização, mas sim contra a exigência legal de um curso superior de jornalismo. É uma exigência ruim, por dois motivos principais: primeiro, estimula a multiplicação de escolas de jornalismo, o que afeta negativamente a qualidade do ensino; segundo, porque priva as redações da contribuição de pessoas com formação em áreas do conhecimento indispensáveis ao tratamento correto das notícias. Áreas como ciência política, sociologia, direito, história.

Outra: ‘… ao abrirmos um jornal e lermos uma notícia (desejamos) que ela seja a mais pura verdade conseguida pelo jornalista e não apenas a intenção daquele profissional, do dono do jornal ou coisa parecida.’

Na verdade, o jornal tem um compromisso com o seu leitor, do qual depende para sobreviver. A deformação da informação trai esse compromisso e afasta o leitor. É, pura e simplesmente, um mau negócio que nenhum empresário cioso de seu investimento arrisca-se a fazer. É claro que existem donos de jornais aéticos. Como em qualquer atividade.

Seja como for, todo jornal erra. É conseqüência inevitável do processo de colher, escrever e editar uma quantidade extraordinária de informações em poucas horas. A idéia da sabotagem sistemática da informação cai por terra não apenas porque a maioria dos jornalistas – do repórter ao diretor de redação – sequer tem tempo para isso. Ou vontade: o dono do jornal quer manter a sua empresa saudável e o profissional deseja preservar seu emprego. A sistemática deformação dos fatos – sempre visível, uma vez que existe a concorrência de outros jornais e outros meios de informação – seria simplesmente suicida.

É curioso que Lula, ao mesmo tempo, proponha a sabotagem, ao afirmar que os repórteres procuram colocar em seus textos ‘a sua formação político-ideológica’. Se isso não for uma forma de sabotagem da informação, o que mais poderia ser?

O cenário conspiratório pintado por Lula só seria possível se os donos de jornais participassem da trama. Na imprensa, como em qualquer outro empreendimento, não se conhecem casos de concorrentes ferozes fazerem parte da máfia sugerida pelo presidente.

Enfim, não se pode levar muito a sério a preocupação de um governo com a liberdade de imprensa quando ele nada faz para acabar com a Lei de Imprensa vigente no país. Ela data do governo Costa e Silva, e foi feita sob medida para uma administração sem qualquer compromisso com a liberdade de imprensa.

Na mesma solenidade, o ministro Gushiken produziu sua quota de conselhos à imprensa ao afirmar que ela ‘opera com o raciocínio de explorar o contraditório e muitas vezes fomenta discórdia e disputa de egos quando são apenas discussão de idéias.’ ‘Fomenta’, como? Pelo visto, o ministro sugere que Brasília precisa de alguma ajuda externa para ser palco de discórdia e disputa de egos. E, para sua informação, é da contradição que nasce a luz. Uma fidelidade canina às verdades oficiais e aos temas sobre os quais todos estão de acordo é uma forma segura de apagar a luz.

A imprensa brasileira está longe de ser perfeita. Como a democracia. Só falta arrumar coisa melhor para contar aos brasileiros a quantas anda o Brasil.’

***

‘Elas’, copyright O Globo, 13/04/04

‘A gente meio que tenta esconder, mas cada dia aumenta mais o número de mulheres com importância nas redações de jornais.

Mandando ou mostrando como se apura e se interpreta o que acontece.

Antigamente, uma Ana Arruda chefiando a reportagem do ‘Jornal do Brasil’ era anomalia, a tal ponto que a sua competência era definida, sem que se notasse o preconceito, como masculina. Na década de 70, por exemplo, já raros estranhavam a importância de uma Dorrit Harazim na ‘Veja’. Mas o fenômeno mal começava a mostrar até onde chegaria.

Encurtando a história, o que mais se vê hoje nas redações é um número crescente de mulheres, reportando e editando. No GLOBO, a quantidade de editoras, repórteres de primeira linha e colunistas em áreas como política e economia é impressionante – ou, para os tímidos, assustadora.

E isso acontece tanto nas posições mais importantes quanto na população total da redação.

Para o leitor, tudo isso é boa notícia. Numa interpretação muito pessoal (talvez, exagerando na generalização), acho que pode ser conseqüência de aptidão natural: em geral, elas são mais exigentes com a qualidade, mais teimosas na apuração, mais bem organizadas e detalhistas no trabalho – e, quem sabe, mais capazes de indignação em face da incompetência ou da má-fé de seus personagens. Não está ocorrendo uma revolução, muito menos invasão: apenas a ocupação de um espaço por profissionais com direito a ele. E com certeza não está acontecendo só no jornalismo.

Elas não vão tomar conta de tudo, e as redações não se transformarão em gineceus. As moças estão apenas vencendo o preconceito e empatando o jogo. Ou perto disso: aqui na redação os homens são 10% mais numerosos (55% x 45%) – mas a diferença está caindo. Jornais e revistas, assim como o jornalismo de rádio e TV, são melhores por isso.

Este artigo já poderia ser escrito há bastante tempo, mas vem ao caso hoje pela coincidência da qualidade da reação de Míriam Leitão e Dora Kramer aos comentários pateticamente absurdos, quando não apenas tolos, do presidente Lula e seu ministro Luiz Gushiken sobre o que é e o que devia ser a imprensa brasileira. Está certo, eu escrevi primeiro. Por quê? Por ordem da editora de política Sílvia Fonseca.

Míriam e Dora mataram a pau. Mostraram – e, note-se, em jornais concorrentes, o que significa sem trocar figurinhas – como é lastimável que o presidente e um de seus principais assessores falem sobre o relacionamento do governo com os meios de comunicação revelando quase total ignorância sobre como a mídia é organizada no país e como deveria se comportar em face do Estado. Ambos, a propósito, não fizeram o mais singelo comentário sobre o quanto das falhas no relacionamento mídia-governo deve-se ao próprio Palácio do Planalto.

Não tem jeito: está faltando mulher na área de comunicação do Planalto. Não é provocação, mas o governo anterior, com sua quota de defeitos e desastres concentrada em outras áreas, tinha, vejam só que coincidência, a Ana Tavares.’



Demétrio Weber

‘Gushiken cobra boas notícias da imprensa’, copyright O Estado de S. Paulo, 8/04/04

‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, ao receber dirigentes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que gostaria que seu governo deixasse para o País o exemplo de ‘uma relação leal’ com os meios de comunicação. ‘Quando digo leal, é a relação em que, em nenhum momento, o governo deve pedir para um jornalista falar bem dele e, em nenhum momento, um jornalista deve falar mal simplesmente porque quer falar mal’, afirmou o presidente.

A declaração foi uma tentativa de consertar o que havia dito pouco antes o chefe da Secretaria de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, que defendera a divulgação de fatos positivos nos meios de comunicação, criticando indiretamente a imprensa.

‘A exploração do contraditório muitas vezes pode fomentar a discórdia, conflitos de egos, quando na verdade são apenas disputas de idéias normais num processo de debate’, disse Gushiken. ‘O Brasil está preparado, quer dizer os leitores, os telespectadores, os ouvintes estão ansiosos para saber aquilo que germina em termos de coisas boas e este país está cheio de coisas boas. Mas é preciso que essa janela para o mundo, que tem vocês como elemento fundamental, possa oferecer isso.’

‘No estágio brasileiro, acho que o critério importante é o da agenda positiva. Acho que o brasileiro tem necessidade de saber aqueles empreendimentos positivos que a sociedade está oferecendo’, completou Gushiken.

Lula recebeu cerca de 30 dirigentes da Fenaj e de sindicatos de jornalistas profissionais de 24 Estados, por ocasião do Dia do Jornalista. Do encontro, na sala de audiências anexa ao gabinete do presidente, participaram também cerca de 30 profissionais de imprensa que cobrem o dia-a-dia do Palácio do Planalto.

A presidente da Fenaj, Beth Costa, pediu a Lula que envie ao Congresso projeto de lei propondo a criação do Conselho Federal de Jornalismo. Como o texto prevê a criação de uma autarquia, só o governo pode apresentar o projeto. Berzoini informou que a proposta de criação do órgão, que funcionaria nos moldes do Conselho Federal de Medicina, fiscalizando o exercício profissional da categoria, está em análise no seu ministério. Foi aí que Gushiken tomou a iniciativa de pegar o microfone, quebrando o protocolo, antes de Lula falar.

Greve – Boa parte do encontro transcorreu em clima de descontração. Lula brincou com a semelhança física de Renato Yakabe, diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, com Gushiken, pedindo ao fotógrafo oficial do Planalto: ‘Depois, você tira uma foto dos dois chininhas, sem óculos.’

Lula observou que a categoria já teve mais força no movimento sindical, mas teve sua ‘espinha dorsal’ quebrada em 1979, quando, apesar de uma greve ferrenha em São Paulo, os jornais continuaram sendo editados. Lula contou que, na época, foi fazer piquete na porta do Estado e lá encontrou grevistas lendo o jornal do dia.’



Wilson Silveira e Gabriela Athias

‘Ministro cobra ‘agenda positiva’ da mídia’, copyright Folha de S. Paulo, 8/04/04

‘Em audiência ontem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e representantes de sindicatos da categoria de todo o país, o ministro Luiz Gushiken (Comunicação e Gestão Estratégica) afirmou que o critério da imprensa deveria ser a ‘agenda positiva’, e não a ‘exploração do contraditório, que fomenta discórdias e conflitos de egos’.

Lula discursou em seguida e amenizou o tom da crítica, afirmando que o governo espera construir uma ‘relação leal’ com os meios de comunicação e com os profissionais de imprensa.

‘Leal é a relação em que, em nenhum momento, o governo deve pedir ao jornalista para falar bem dele e, em nenhum momento, o jornalista deve falar mal porque quer falar mal. Se nós todos estivermos em busca da verdade e apenas a verdade nos interessar, seremos mais amigos, viveremos num país mais tranqüilo e estaremos contribuindo para que a democracia seja verdadeira.’

Ao criticar a imprensa, Gushiken disse que, ‘na etapa histórica da comunicação de massa, a imprensa opera com o raciocínio que é explorar o contraditório. Eu penso que a exploração do contraditório, muitas vezes, pode fomentar discórdias e conflitos de egos, quando na verdade são apenas disputas de idéias, o que é normal num processo de debate’.

O ministro destacou, então, a necessidade de espaço a uma agenda positiva: ‘No estágio brasileiro, acho que um critério importante é o da agenda positiva. Acho que o povo brasileiro tem necessidade de saber de empreendimentos positivos que a sociedade está oferecendo, seja por conta de décadas e décadas de dificuldade que o país vem atravessando, seja porque o cidadão precisa ver o lado positivo das coisas’. Para Gushiken, a sociedade está ávida por boas notícias. ‘Os leitores, telespectadores e ouvintes estão ansiosos para saber aquilo que germina em termos de coisas boas.’

A Secretaria de Comunicação distribuiu à noite uma nota sobre o discurso do ministro, após a repercussão na internet. Segundo a Secom, não houve e não há restrição ao trabalho crítico da imprensa. ‘A imprensa é fundamental para que o governo reavalie eventuais erros e confirme acertos’, afirma a nota. Para a assessoria, o ministro só criticou o fato de que, em alguns momentos, ‘questões menores são amplificadas’.

A Secom afirma que o ministro não se referiu à agenda do governo quando usou o termo ‘agenda positiva’. Segundo a nota, ele se referia à agenda da sociedade.

A assessoria de Gushiken afirmou também que ‘certas divergências normais no governo recebem tratamento de conflito, discórdia ou falta de unidade, o que não corresponde à verdade’.

‘Sobre o viés da mídia, que tem dificuldade de ressaltar o positivo, não há nenhuma crítica sobre o papel institucional da imprensa: criticar, fiscalizar e cobrar dos governantes ações que possam beneficiar o interesse coletivo. O que há, nessa questão, como os próprios meios de comunicação indicam, por meio de suas pesquisas, é um certo desgaste emocional, um cansaço do leitor, ouvinte, telespectador, com uma carga intensa de informações negativas.’

Conselhos

A audiência foi marcada para ontem por ser o Dia do Jornalista. Também participaram os ministros Ricardo Berzoini (Trabalho) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), além do secretário de Imprensa do Planalto, Ricardo Kotscho, e do porta-voz, André Singer. Foram convidados ainda jornalistas que cobrem o Planalto.

A Fenaj pediu a Lula que envie ao Congresso projeto que cria um conselho federal e conselhos regionais de jornalismo, assunto em discussão no Ministério do Trabalho. O objetivo dos órgãos, segundo a presidente da Fenaj, Beth Costa, é fiscalizar o exercício da profissão e a qualidade do ensino.

‘Acho simpática a idéia de criar um conselho, acho que é preciso fiscalizar melhor a formação dos nossos jovens, porque o jornalista trabalha com uma coisa muito poderosa, que é a caneta e o espaço no jornal’, respondeu Lula.

Segundo o presidente, o conselho poderia orientar os jornalistas dos pontos de vista ético, profissional e cultural. ‘Obviamente, alguns irão dizer que isso é intromissão na autonomia, que é ingerência, mas é só pegar os jornalistas de hoje, que são muito jovens, e, nesse caso, acho que uma instituição dessa poderia contribuir com a formação do profissional.’

Lula afirmou que torce para que o movimento sindical dos jornalistas ‘possa recuperar no menor tempo possível o prestígio e a representatividade que já teve’.

Segundo ele, depois do fracasso da greve de jornalistas em 1979, ‘houve um retrocesso muito grande, porque, naquele momento, os empresários provaram que é possível fazer jornal sem jornalista’. O presidente lembrou que, naquela greve, participou de um piquete na porta de ‘O Estado de S.Paulo’, durante o qual os ‘piqueteiros’ estavam lendo o jornal, que não deixou de circular.

Em 23 de maio de 1979, jornalistas de São Paulo iniciaram uma greve, reivindicando 25% de aumento salarial. A adesão foi alta nos principais jornais, que, no entanto, não deixaram de circular, mesmo com edições precárias.

A greve acabou seis dias depois, em 29 de maio, diante da evidência de que os jornais continuavam a ser publicados e após o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) ter julgado a paralisação ilegal na véspera. No mesmo dia, havia fracassado a última tentativa de conciliação entre as partes na Justiça.

‘Espero que vocês recuperem seu prestígio. Não basta ter curso superior para ter consciência política. Em segundo [lugar], os donos dos jornais trabalharam de forma muito forte e dura para tentar quebrar a espinha dorsal do jornalista, primeiro com a contratação de jornalistas fora das regras, terceirizados, como pequena empresa, e aí todo mundo sabe o que acontece’, afirmou Lula.’



Edson Sardinha

‘Lula promete agilidade na criação do CFJ’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 8/04/04

‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu nesta quarta-feira (07/04), Dia Nacional do Jornalista, que o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) está próximo de se tornar realidade. Pela primeira vez na história um presidente da República recebeu, no Palácio do Planalto, representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e de cerca de 20 sindicatos da categoria. Os sindicalistas entregaram a Lula nova versão do anteprojeto que prevê a criação do CFJ.

Acompanhado dos ministros do Trabalho, Ricardo Berzoini, da Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, o presidente disse ser simpático à criação de uma autarquia responsável pela regulamentação e pela fiscalização da atividade jornalística em todo o país e prometeu dar agilidade ao processo.

Técnicos do Ministério do Trabalho estudam há quase dois anos uma versão do anteprojeto entregue pela Fenaj ao ex-ministro Paulo Jobim. A iniciativa , porém, não avançou. No ano passado, os sindicalistas reviram o texto original e reduziram o número de artigos, para facilitar o encaminhamento do projeto.

Berzoini disse aos representantes dos sindicatos que a proposta será encaminhada pelo Ministério do Trabalho para a Casa Civil ainda este mês. Depois da análise do ministro José Dirceu, o presidente poderá enviar o projeto de lei ao Congresso Nacional. Também participaram do encontro os jornalistas Ricardo Kotscho, Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência, e André Singer, porta-voz do presidente.

Após o encontro, o clima entre os sindicalistas era de satisfação e confiança no andamento do projeto. O diretor-executivo da Fenaj, Chico Pereira, disse que o presidente pediu empenho aos seus auxiliares para que a criação da autarquia não se restrinja a uma luta interminável. ‘O presidente disse textualmente que jornalismo é para jornalista, o que reforça nossa luta pela obrigatoriedade do diploma’, afirmou Pereira.

A exigência de formação superior específica não chegou a ser abordada diretamente durante o encontro. Os sindicalistas preferiram não se manifestar sobre o assunto, que está em discussão no Judiciário. É que a obrigatoriedade do diploma está prevista no anteprojeto que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Jornalismo.

O diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo Rudinaldo Gonçalves disse que o presidente também demonstrou sensibilidade ao se referir às dificuldades enfrentadas pelo movimento sindical. ‘Por se tratar de um ex-sindicalista, essa preocupação revela uma preocupação com o fortalecimento da categoria e da atividade jornalística’, disse Gonçalves.

Além de Lula, os três ministros presentes à audiência começaram a carreira política no sindicalismo. Outro auxiliar do presidente, Kotscho, foi, inclusive, diretor da Fenaj e do Sindicato dos Jornalistas em São Paulo.

‘Só o fato de o governo ter assumido o compromisso de dar agilidade ao processo e de ser simpático à regulamentação já sinaliza uma mudança de postura’, observou o diretor do Sindicato dos Jornalistas em Minas Gerais, Elian Oliveira.

Lula fez menção à história do movimento sindical, à deterioração das condições de trabalho e à importância da categoria no processo de transição democrática do país, além de saudar os 96 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), comemorado nesta quarta (07/04).

Crise da mídia

A presidente da Fenaj, Beth Costa, entregou ao presidente uma carta aberta intitulada ‘Crise da mídia: um assunto da sociedade’. Nela, a entidade demonstra preocupação com o socorro financeiro estudado pelo governo para as empresas de jornal e radiodifusão e aponta que ‘a verdadeira crise da mídia é a falta de democracia na comunicação’.

O ministro da Comunicação de Governo e Gestão Estratégica cobrou da imprensa atenção à chamada agenda positiva. A referência do ministro causou certo constrangimento entre os presentes. Após o encontro, a presidente da Fenaj disse que a entidade se mantém contrária ao jornalismo ‘chapa-branca’ e que a divulgação das ações positivas não devem se restringir à esfera governamental, mas se estender a toda a sociedade.

‘Esta é uma discussão permanente da categoria: devemos fazer um jornalismo de denúncia ou mostrar o lado positivo das coisas? É algo que devemos nos perguntar sempre para definirmos o papel dos meios de comunicação’, disse Beth.

Oposição política à Fenaj, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Distrito Federal entregou outro documento, em que se posiciona de forma totalmente contrária ao chamado Pró-mídia e cobra do governo o fortalecimento das emissoras estatais de rádio e TV e a revisão do modelo de radiodifusão implantado no país.’

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