Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ARMAZéM LITERáRIO > INVESTIGAÇÃO JORNALÍSTICA

Maracutaias e falcatruas

09/03/2010 na edição 580

[do release da editora]

‘Há uma grande diferença entre descobrir uma irregularidade e descobrir que alguém descobriu uma irregularidade’, avisa Solano Nascimento na frase de abertura deste livro provocador. Ele está se referindo a uma transformação silenciosa – e maléfica – que ocorre no jornalismo dito investigativo no Brasil: não é mais o próprio repórter que desvenda as maracutaias e falcatruas, mas autoridades que têm a obrigação de fazer isso, como policiais, promotores, procuradores e outros agentes de órgãos de fiscalização. Ao jornalista cabe apenas ter acesso àquela fita, ao tal dossiê, ao vídeo comprometedor.

Para detectar essa tendência, o autor observou a cobertura jornalística dos escândalos políticos nas três principais revistas semanais do país – Veja, IstoÉ e Época – em todos os anos em que houve disputa presidencial desde a redemocratização, da eleição de Fernando Collor de Mello, em 1989, à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. Com apuro científico e analítico, Solano Nascimento demonstra que a transformação do ‘jornalismo investigativo’ no que ele chama de ‘jornalismo sobre investigações’ é uma realidade incômoda.

Ao abrir mão de investigar por si mesmo, o jornalista fica mais vulnerável ao risco de ser usado pela fonte que passa a informação e pode perder o controle sobre o próprio trabalho. Em outras palavras, o repórter deixa de ser um autor para se tornar um escriba, aquele que resigna a reproduzir a obra dos outros – o que é ruim para a imprensa, e terrível para a sociedade.

O autor

Solano Nascimento, nascido em 1964, é pesquisador e professor do jornal-laboratório da Universidade de Brasília (UnB). Graduado em jornalismo, tem especialização em Teorias do Jornalismo, mestrado em História Ibero-americana e doutorado em Comunicação. Foi colaborador da Veja e repórter da Época e dos jornais Folha de S.Paulo, Zero Hora e Correio Braziliense. Ganhou 15 prêmios jornalísticos, entre eles o Ayrton Senna, o Esso e o Vladimir Herzog.

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