Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ARMAZéM LITERáRIO > IRAQUE

Mídia americana abafa seqüestro de repórter

11/01/2006 na edição 363

O seqüestro de uma jornalista americana do jornal Christian Science Monitor, ocorrido no sábado (7/1) no Iraque, não foi divulgado pelas maiores organizações de mídia dos EUA por quase dois dias, depois que o Monitor pediu que o incidente e o nome da repórter não fosse revelado, como noticia Joe Strupp [Editor & Publisher, 9/1/06]. Um tradutor que a acompanhava foi morto e a jornalista, agora identificada como Jill Carroll, permanece em cativeiro. Diversos veículos de comunicação estrangeiros também optaram por não divulgar o seqüestro ou, em alguns casos, apenas identificaram Jill como uma ‘jornalista americana’ – como ocorreu na Espanha, onde a mídia publicou a informação do seqüestro no domingo (8/1), como informa Elena de Regoyos [Periodista Digital, 10/1/06].


Os jornais The New York Times, The Washington Post, Los Angeles Times e outros periódicos americanos não colocaram a notícia nem em seus sítios na internet. A Associated Press havia repassado a informação do rapto no sábado (7/1), mas sem revelar o nome da repórter. No entanto, a pedido do Monitor, a AP decidiu segurar a notícia até segunda-feira (9/1). Em declaração, a agência informou que, depois do pedido do jornal, requisitou a jornalistas em Boston e em Bagdá para não divulgarem a notícia, a fim de não prejudicar as negociações das autoridades com os seqüestradores. ‘Não é raro recebermos pedidos para segurar a notícia de um seqüestro para ajudar na libertação de um indivíduo’, afirmou a editora-executiva da AP, Kathleen Carroll. Uma procura no Google indica que o sítio do USA Today aparentemente havia publicado uma matéria enviada pela AP sobre o seqüestro no sábado (7/1), mas depois a mesma foi retirada do ar.


Jay Jostyn, porta-voz do Monitor, contou que enviou um e-mail às organizações de mídia com informações do seqüestro depois dele ter sido noticiado em cerca de 50 veículos de imprensa no exterior. O jornal revelou que Jill era correspondente no Iraque há cerca de cinco meses. ‘Fomos aconselhados a dizer pouco para protegê-la’, informou Jostyn. A matéria sobre o caso publicada na terça-feira (10/1) no Monitor não relatou que o jornal havia pedido à mídia americana para não divulgar o seqüestro.


Vários editores das maiores organizações de mídia dos EUA afirmaram que estavam satisfeitos em cooperar e esperavam que seus esforços pudessem ajudar na libertação de Jill. Marjorie Miller, editora internacional do Los Angeles Times, disse ter sido contatada no sábado (7/1) por um correspondente do jornal em Bagdá, que lhe pediu para não publicar a matéria. Depois de discutir o assunto com o editor Doug Frantz, o jornal optou por não divulgar a informação. ‘Se a organização acredita que a publicação vai prejudicar a vida da vítima, não queremos fazer nada que atrapalhe’, contou Marjorie. David Hoffman, editor-assistente da seção internacional do Washington Post, concorda. ‘Eu estou fazendo o possível para não colocar em perigo a vida da repórter’, afirmou. A ligação de Jill com um jornal que tem o termo ‘christian’ (cristão) em seu nome, em uma região de fundamentalistas islâmicos, era uma preocupação de um dos editores que concordou em não publicar a matéria.

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