Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ARMAZéM LITERáRIO > BIENAL DO LIVRO, RIO

Na onda do mercado aquecido

Por Bruno Yutaka Saito em 05/09/2011 na edição 658
Reproduzido do Valor Econômico, 2/9/2011; intertítulos do OI

Impulsionada por recente pesquisa que mostrou o brasileiro comprando mais livros em 2010 do que no ano anterior, aBienal do Livro do Riodá início hoje [sexta, 2/9] à sua 15ª edição, no Riocentro. A expectativa é de que sejam vendidos cerca de 2,5 milhões de títulos e um faturamento de R$ 50 mi. Até o dia 11 de setembro, devem ser lançadas mil obras, e está prevista a presença de 150 autores nacionais e 23 estrangeiros (número recorde no evento) em sua programação.

Nesse clima otimista, a Bienal decidiu apostar em atrações com sucesso já atestado por listas de mais vendidos e evidência na mídia. A começar pelo país homenageado deste ano: Brasil. “Tendo em vista que o país está despertando interesse na comunidade internacional e sendo homenageado nas feiras literárias mundo afora (em Bogotá em 2012 e na Feira de Frankfurt em 2013), resolvemos escolher o próprio Brasil”, afirma Sonia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), responsável pela Bienal ao lado da Fagga, empresa do Grupo GL Events Brasil.

Segundo Jardim, a Bienal buscou atrações que agradam ao público mais diverso possível e de diferentes editoras. “Buscamos autores queridos do público. Nada mais triste do que autor estrangeiro sair lá do país dele e chegar aqui para um debate com duas pessoas. Já vi em Bienal passada um autor conhecido ficar no stand para autografar e não ter ninguém. É uma tristeza, constrangedor.”

Mais compradores

O segmento jovem, portanto, é um dos focos da Bienal. A americana Anne Rice, de Entrevista com o Vampiro (1976), é uma das convidadas e chega à feira na condição de precursora da nova onda de vampiros, cujo maior símbolo é a bem-sucedida série “Crepúsculo”. De olho no mesmo público, vem a também americana Lauren Kate, da série “Fallen”. “Mas, em vez de vampiros, são anjos. Está na moda essa coisa de amores impossíveis”, diz Jardim. Durante a Bienal será lançado o novo livro da autora, Tormenta. Entre os autores mais aguardados e citados em redes sociais, Jardim cita Alyson Noël e a atriz/cantora Hilary Duff, que vem lançar um livro.

Na linha blockbuster, estão ainda William P. Young, cujo A Cabana já vendeu mais de 10 milhões de cópias nos EUA e 2,5 mi no Brasil, e Scott Turow, que lança O Inocente, sequência de Acima de Qualquer Suspeita.

“A Bienal não é para um nicho específico; ela é um evento para a família toda”, afirma Jardim. “Mas vamos trazer também autores mais literários, sofisticados, como o Jean Marie Blas de Robl?s”, afirma. O autor francês lança Lá Onde os Tigres se Sentem em Casa, vencedor do Pr?mio Medicis. Na mesma categoria entram nomes como o angolano Pepetela, o português de origem luandense Gonçalo M. Tavares e o indiano Amitav Ghosh.

Entre os brasileiros, participam de mesas e debates autores como Ferreira Gullar, Luis Fernando Veríssimo, Edney Silvestre, Zuenir Ventura, Nélida Piñon, Ana Maria Machado e Eduardo Bueno.

Para Jardim, considerar a Bienal apenas um evento da indústria do livro é reducionismo. “A Bienal é um evento tão consolidado no Rio que só perde para Carnaval e Réveillon. É um evento cultural, as pessoas saem comprando livro. Na Bienal passada, entre 71% e 74% dos visitantes saíram com livros. Foram cinco livros por comprador.”

Franco crescimento

Neste ano, a organização espera receber um público de 64 mil pessoas, em uma área de 55 mil m2 na qual se espalham 950 expositores. O investimento é de R$ 4,2 milhões (o investimento total, somando organização e expositores, chega a R$ 27 mi).

Pesquisa recentemente divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE/USP) sob encomenda do SNEL e Câmara Brasileira do Livro (CBL) mostrou crescimento de 8,12% no faturamento do setor editorial em 2010 (R$ 4,5 bilhões), acompanhado por um crescimento de 13,12% no número de exemplares vendidos. Desconsiderando compras feitas pelo governo e entidades sociais, o crescimento apurado pela pesquisa foi de 2,99%, ficando abaixo da variação do IPCA.

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[Bruno Yutaka Saito, do Valor Econômico]

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