Terça-feira, 16 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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ARMAZéM LITERáRIO >

New journalism vs. old journalism

Por Norma Couri em 15/08/2006 na edição 273

Com diferença de 50 anos, Lilian Ross e o Philip Gourevitch começaram a escrever na pretigiosa The New Yorker. Os dois jornalistas abriram, na Festa Literária Internacional de Paraty, na sexta-feira (11/8), o tema ‘Profissão Repórter: A Arte da Reportagem’, com a Nobel de Literatura Toni Morrison na fila do gargarejo e jornalistas brasileiros e estrangeiros recheando a platéia de 700 pessoas.

Com mediação de Carlos Graieb, editor da Veja, a primeira pergunta foi sobre o new journalism que celebrizou Truman Capote em A Sangue Frio. Ross, 79 anos, não conversou:

‘Há muita confusão em torno desse tema, e é bom saber que não existe new journalism nem old journalism. O que existe é bom jornalismo e mau jornalismo. Para mim tudo se resume na arte de reportar, o que precisa ser feito com enorme prazer como foi para mim nos últimos 50 anos.’

A confusão de que Ross fala nasceu com o estilo combinando de experiência pessoal e subjetividade: a balança nem sempre funciona em equilíbrio e o autor acaba fazendo mais ficção e esquecendo os fatos.

‘Claro que é a combinação de jornalista que escreve bem e apura bem – isso faz o grande jornalismo’, consertou Gourevitch, de 45 anos, editor da Paris Review. ‘Para isso eu prefiro entrar de cabeça nas minhas reportagens, feito tábula rasa, sem fazer qualquer pesquisa, embora carregue comigo montes de livros e recortes. Não quero ser influenciado nem chegar no lugar da cobertura com a matéria pronta. Quero ser influenciado primeiro pelos fatos que vejo, sinto e ouço. A ignorância muitas vezes foi minha aliada.’

‘Perfeitos, imortais’

A julgar pelos comoventes relatos que fez dos massacres no Congo e em Ruanda, no caso de Gourevitch a ignorância funcionou:

‘Depois que faço a pesquisa constato que muita coisa que apurei estava ali, mas eu jamais entenderia as coisas daquele jeito se não tivesse primeiro deixado meus olhos e ouvidos captar os fatos – os meus, não os de outros repórteres.’

Lílian Ross define o que fez da The New Yorker uma grande revista:

– Bela escrita, precisão e bom humor. Depois, é uma revista que dá credibilidade, segurança, cobertura e liberdade aos seus jornalistas. Mas não me pergunte o que é uma bela escrita ou a fórmula para se criar um bom texto. Você não sabe, apenas reconhece. E bom jornalismo não muda, jamais envelhece: veja o Hemingway [Ross escreveu um histórico perfil de Hemingway].

Gourevitch novamente tenta explicar que a tecnologia, sim, mudou o jornalismo e a forma da escrita: o telégrafo, o fax, a internet, até a modernização das câmeras fotográficas mudariam hoje a célebre foto de Frank Capa diante do soldado republicano no momento em que foi abatido na Guerra Civil espanhola.

Ross rebateu:

– De quando datam os textos de Tolstoi, Dickens e Daniel Defoe? Continuam intactos, perfeitos, imortais. Não há tecnologia no mundo que altere os fatos ou contamine a boa escrita, o bom jornalismo, e essa é a minha paixão.

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