Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ARMAZéM LITERáRIO > JORNALISMO ILUSTRADO

No silêncio da reportagem, as charges são a esperança

Por Wemerson Augusto em 02/10/2007 na edição 453

Há um bom tempo, em muitas ocasiões a imprensa parece cada vez mais calada e tímida. Foi o tempo em que ler prazerosamente alguns jornais pela manhã era o bastante para a compreensão, de certa forma, de amplas perspectivas da realidade.

Nunca a imprensa foi tão parcial. Nunca esteve tão comportada perante as gigantes ondas de corrupção e descaso que inundam e enojam diuturnamente a nós, brasileiros. Restam-nos em algumas leituras lá embaixo, quase no rodapé do jornal, as tiras. Ou as charges e os cartuns, que quase sempre sorriem de nossa própria desgraça.

Essa combinação de traço e argumento crítico pode nos remeter aos bons tempos de jornalismo vigilante, crítico e sagaz. De certo modo, é possível acreditar que há luz no fim da toca. Não é mesmo, Renan? Um dia há de calhar que sejam outras coisas, que não seja canalhice. Essa esperança, quem hoje anuncia são as tirinhas, as charges e as ilustrações em geral, que buscam apaziguar, relativizar e descontrair em pleno furacão.

O futuro da mídia

Tão desprezadas num passado recente, talvez as tirinhas possam ter no futuro um papel ainda maior na crítica e na cobrança por um conteúdo mais condizente com a necessidade da sociedade.

Numa breve apreciação da imprensa, percebe-se que os tempos são outros e tudo converge. Um bom exemplo é o do jornal impresso que, às vezes antes de ser lido, vira matéria-prima de kit de limpeza após a lavagem de automotores nos principais lava-jatos do país.

Será que isso é convergência do jornal impresso? Enquanto reflito sobre essa questão lanço uma idéia a respeito do futuro da mídia impressa e sua disposição no papel.

Homenagem nas tirinhas

Para apresentar a idéia, jogo os búzios e clamo pelos gurus da comunicação. Fato que me parece dar a sensação de enorme proximidade com este tempo que há de chegar. A observação que faço não é analítica, parte do olhar de um simples leitor. Leitor que busca na maior parte de seu dia visualizar as imagens e os objetos que o cercam. Seja na rua, seja diante da televisão ou em qualquer outro destino. E quando vasculha os jornais, não é diferente.

As ilustrações ganham seu olhar com muita facilidade e empatia. As narrativas em quadrinhos, as ilustrações iconográficas e as cores são os primeiros a serem observados. Diante destas experiências pessoais diárias, este cidadão que vos escreve acredita que as ilustrações podem contribuir na agilidade da difusão de infinitas mensagens.

Sendo assim, as tiras em quadrinhos não poderiam ser diferentes, não é, Renan? Mesmo sem convite para a sua tão propalada votação, elas fizeram questão de te homenagear nas principais páginas dos jornais do país. E foi sem dúvida um dos elementos mais requisitados pelo olhar assombrado do brasileiro diante de mais esta vitória alheia.

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Jornalista, pós-graduando em Linguagem, Cultura e Ensino na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu, PR

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