Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ARMAZéM LITERáRIO > TV BRASIL

Nova emissora nasce sem características públicas

Por Fenaj em 02/10/2007 na edição 453

Cercada por críticas ao seu método de condução e decisão, a criação da nova TV pública, que estava prevista para a semana passada, deverá ser consumada na terça-feira (2/10), através de Medida Provisória. A indicação das jornalistas Tereza Cruvinel e Helena Chagas, para a presidência e direção de Jornalismo da TV, respectivamente, recebeu críticas de entidades da sociedade civil.


Segundo a Agência Brasil, o assessor especial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Eduardo Castro, anunciou para esta terça-feira a edição da MP criando a TV Brasil. O novo sistema incorporará as seis emissoras de rádio, três de televisão, duas agências de notícias, serviços de clipping e o programa de rádio Café com o Presidente, da Radiobrás, além das três emissoras de televisão e duas emissoras de rádio da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp).


O modelo de gestão da Empresa Brasil de Comunicação (TV Brasil), com seu Conselho Curador sendo indicado pelo presidente da República, decepcionou diversas as organizações da sociedade civil que apoiaram o início do projeto com a realização do Fórum Nacional de TVs Públicas. E o descontentamento aumentou após os recentes anúncios das indicações para a presidência e direção de Jornalismo da nova emissora.


‘Centralizado e vertical’


Tereza Cruvinel trabalhou 20 anos no jornal O Globo. Já Helena Chagas atuava no Jornal de Brasília. Além de considerarem que a indicação do Conselho pelo Executivo fere a autonomia e independência originalmente propostos para a TV Brasil, a maioria dos críticos considera que as duas indicações anunciadas apontam para um projeto e um modelo de jornalismo similiar ao dos veículos de comunicação privado-comerciais.


Celso Schröder, vice-presidente da Fenaj e coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), acredita que a iniciativa do governo federal continua sendo importante e que a TV Brasil poderá ser uma alternativa às emissoras tradicionais. ‘Mas o conceito de emissora pública consagrado na Carta de Brasília, aprovada no Fórum de TVs Públicas está comprometido, uma vez que a incidência do governo sobre as decisões hoje é praticamente total’, critica.


Para Schröder, tanto o fato da indicação de dois nomes da grande mídia para cargos importantes na TV Brasil quanto a indicação de outras personalidades, são movimentos ruins que o governo faz. ‘Não estamos questionando a integridade dos nomeados, mas o método centralizado e vertical das indicações, que caminha no sentido oposto ao que muitos integrantes do atual governo defendiam, o da democratização das decisões e participação da sociedade nas definições sobre políticas públicas’.

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