Sábado, 25 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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ARMAZéM LITERáRIO >

O acompanhamento das origens do terrorismo islâmico

28/04/2009 na edição 535

Abdel Bari Atwan é um jornalista de origem árabe que edita um jornal na Inglaterra. Está entre os poucos que conseguiram entrevistar pessoalmente Bin Laden e sobreviverem para contar a história. A história secreta da Al-Qaida (Larousse, 2008, 1ª edição) é o resultado desta experiência única e de um metódico acompanhamento dos eventos traumáticos que originaram o terrorismo islâmico. A obra é excepcional e certamente se tornará referência para qualquer um que queira estudar o assunto com seriedade.

O livro é divido em sete capítulos e aborda todos os principais aspectos da guerra desigual travada entre uma superpotência e um punhado de homens determinados a fazê-la sangrar em nome de Alá.

Para muitos de nós, Bin Laden era e continua sendo um enigma. Sabemos muitas coisas sobre ele, mas conhecemos bem pouco o sombrio anacoreta islâmico que incendiou a imaginação de milhões de pessoas e colocou o terror no peito de muitos mais ao atacar de maneira espetacular o centro do poder financeiro e militar americano. Abdel destruiu de forma habilidosa alguns dos mitos construídos pela imprensa ocidental acerca do líder árabe, sem incorrer num erro de demonstrar qualquer tipo de simpatia pelo fundamentalismo ou pelo terrorismo.

O respeito pelo personagem e pelo tema tratado guiou o autor. Daí o inestimável valor de sua obra. Suas palavras iniciais são iluminadas. ‘Compreendo tanto a vida ocidental como a muçulmana e estou certo de que a cooperação, não a confrontação, é o único caminho possível.’

Nenhum problema com insônia

O terrorismo não é algo que surge de maneira espontânea em razão de uma religião, desta ou daquela característica cultural. É o resultado de uma experiência histórica. É por isto que o autor defende que a ‘… política externa americana é o melhor oficial de recrutamento que a Al-Qaida jamais teve’.

O encontro pessoal que teve com Bin Laden parece ter marcado profundamente o jornalista. ‘Os modos de Bin Laden são extremamente humildes, e acabei por descobrir, com dois dias de convivência, que sua companhia era bastante agradável. Sua voz é calma, mas firme. Está constantemente sorrindo, o que diminui a distância entre ele e seu convidado, especialmente para aquele que o encontra pela primeira vez.’

Estas afirmações me chocaram. A impressão geral que tinha do sombrio anacoreta islâmico era bem outra. Em razão do que tinha lido e visto na imprensa, imaginava um homem rude, um comandante autoritário, um inimigo cruel e impiedoso, um líder tribal primitivo que pretende impor seu islamismo radical ao mundo islâmico e explodir todos os infiéis.

Abdel narra que quando Bin Laden ‘…falou sobre seu companheiro mujahidin que já havia partido e, como eles acreditam, ido para o paraíso, seus olhos se encheram de lágrimas, ficando óbvio que ele se comovera’. Estas palavras desfizeram a imagem que eu tinha de Bin Laden. O jornalista fala, sim, de um guerreiro implacável, mas também de um homem sensível e devotado aos amigos. Depois de tudo que Bush e Cheney disseram publicamente sobre Bin Laden, quem poderia imaginar que ele poderia ter amigos?

Outro aspecto marcante da descrição que o jornalista faz de Bin Laden é sua absoluta tranqüilidade. Geralmente, os criminosos são assombrados pelo resultado de suas ações. Medo de represália e sentimento de culpa são duas coisas com que todos os homens têm que lidar. Apesar de todos os seus feitos sanguinários, Osama ‘… não tinha nenhum problema com insônia. Colocou seu Kalashnikov no chão ao lado de sua cama e imediatamente caiu em um profundo e tranqüilo sono’. Quantos de nós podemos dizer que dormimos tão bem?

Pesadelo para analistas da CIA

Durante o início da campanha americana no Afeganistão, a imprensa descrevia Bin Laden como um homem das cavernas, sugerindo que ele era tão primitivo quanto nossos ancestrais. Abdel Bari desfaz esta meia verdade. O líder da Al-Qaida realmente vivia nas cavernas de Tora-Bora. Porém, em 1996, quando deu a entrevista, Bin Laden estava muito melhor equipado do que muitos ocidentais. Segundo o autor, naquela época ele ‘…dispunha de acesso à internet, que não era tão avançada como atualmente e disse: `Hoje o mundo se tornou uma pequena vila´’. Para se ter uma idéia, eu vivo na grande São Paulo e só comecei a usar a internet em 1998.

A carreira militar de Bin Laden começou durante a invasão russa do Afeganistão. Surpreendentemente, o autor afirma que ele ‘…elogiou os combatentes soviéticos, a quem descreveu como `bravos e pacientes´’. Também fiquei surpreso ao saber através do livro resenhado que tropas da Al-Qaida combateram os americanos em Mogadíscio durante o governo Clinton. Os eventos de 1993 inspiraram o bom filme Falcão Negro em Perigo, o qual não faz qualquer alusão a Bin Laden.

No ocidente, Bin Laden é odiado. No Oriente Médio, entretanto, é um herói. ‘Uma pesquisa recente mostrou que em alguns países árabes cerca de 60% da população o apóia. Em novembro de 2003, mesmo com os ataques terroristas da Al-Qaida em seu país, mais da metade dos sauditas disseram que aprovavam a mensagem de Bin Laden. No Egito, onde os Estados Unidos são a chave da economia, ele é mais popular que George W. Bush.’

Esta identificação entre os islâmicos e Bin Laden é, provavelmente, o maior pesadelo dos analistas e estrategistas da CIA. Como destruir um homem tão amado e que não precisa do apoio dos governantes do Oriente Médio para conquistar os corações e mentes dos seus governados?

Uma espécie de Saladino

‘Osama bin Laden é visto por muitos muçulmanos como uma espécie de campeão absoluto de revolução e rebelião, uma pessoa de proporções míticas com o apelo de um Davi desafiando Golias. Provavelmente muitos daqueles que o apóiam não endossariam nem sua violência extrema nem o tipo de governo shari´ah sob o qual os salafis gostariam de viver, mas no momento isso são apenas detalhes para eles. Após séculos de declínio, eles vêem Bin Laden como aquele que trouxe a esperança e a dignidade de volta a um povo que sempre viveu sob a sombra da humilhação e da exploração e também que chegou a praticamente destruir o Ocidente, em particular os Estados Unidos: foi dessa forma que as pessoas me descreveram suas impressão sobre ele.’

Podemos recorrer à história do Brasil para entender melhor este fenômeno. No final do século 19, o beato Antonio Conselheiro capturou os corações e mentes de muitos nordestinos.

O sebastianismo, originário da cultura portuguesa, havia ganhado raízes profundas no imaginário popular nordestino. O retorno de D. Sebastião, herdeiro do trono português morto na batalha de Alcácer-Quibir sem que seu corpo tenha sido achado, traria novamente fartura e felicidade para o povo sofrido da caatinga. No apogeu de Canudos, o beato Antonio Conselheiro era visto por muitos como o arauto de D. Sebastião ou como o próprio. Gostemos ou não, o anacoreta sombrio personificou o mito do rei muito desejado. Daí a grande identificação entre os habitantes de Canudos e seu líder.

É evidente que o sebastianismo não faz parte da cultura árabe. Mesmo assim, fiz alusão ao mito português e suas conseqüências para a cultura e história brasileiras porque o mesmo nos ajuda a compreender como e por que Bin Laden penetrou tão fundo nos corações e mentes dos islâmicos. Guardadas as devidas proporções, o fundador da Al-Qaida é uma espécie de Salah el Din que retornou para triunfar sobre os cruzados americanos e reconquistar a cidade sagrada de Jerusalém dos infiéis.

Apoio do governo saudita

Ao contrário do que muitos pensam, Bin Laden é um homem refinado e culto. Ele ‘…recebeu a educação primária e secundária em escolas de Jeddah. Estudou economia e administração de negócios na Universidade de Abdul-Aziz, também em Jeddah, onde recebeu seu diploma de bacharel. Durante os anos universitários, ele estudou as tendências islâmicas prevalecentes e aprendeu com importantes figuras, como Muhammad Qutb e o dr. Abdullah Azzam’.

Abdel Bari percorre todo caminho que levou Bin Laden a se tornar um militante islâmico, assumir a tarefa de combater os russos no Afeganistão e transformar a Al-Qaida em uma organização inteiramente devotada a combater os EUA.

Segundo o autor, Bin Laden lhe contou que ‘… a decisão do governo saudita de convidar tropas americanas para defender o país e libertar o Kuwait foi o maior choque de toda sua vida. Ele não acreditava que a Casa de Al Saud poderia dar boas-vindas às forças `infiéis´ no solo da Península Arábica, nas proximidades de lugares sagrados, pela primeira vez desde o começo do islã’. Este teria sido o principal motivo para o criador da Al-Qaida declarar guerra aos EUA. ‘Assim como Bin Laden havia pegado em armas para lutar contras as tropas soviéticas no Afeganistão, ele agora decidira fazer o mesmo para confrontar as tropas dos EUA na Península Arábica.’

Foi no Sudão que Bin Laden teria se aproximado definitivamente de lideranças religiosas que pretendiam reformar inteiramente o Oriente Médio e reduzir a influência dos EUA na região. Durante a campanha do Afeganistão contra os russos, ele teve total apoio do governo saudita. A partir do momento em que condenou a decisão dos Al Saud de receber tropas dos EUA em solo saudita seus problemas começaram.

Figura-chave para o mundo muçulmano

O primeiro golpe que Bin Laden recebeu foi do governo saudita, que decidiu ‘… congelar todos os seus bens’. O segundo ocorreu no Sudão, onde ele financiou obras no importe de 165 milhões de dólares e conseguiu ‘… recuperar apenas 10% de todo investimento’. O terceiro golpe ‘… foi a perda de uma série de negócios que haviam sido fechados porque sua conexão com Bin Laden vazara para o governo saudita’. Desde então, Bin Laden se convenceu que o governo saudita não pode ser reformado, mas precisa ser combatido e derrubado. É impossível deixar de notar que a motivação do sombrio anacoreta islâmico é ambígua. Razões políticas se tornaram pessoais e questões pessoais podem ter assumido conotações religiosas.

‘Bin Laden guarda um ódio e desprezo absoluto pelos Estados Unidos. Isso provavelmente tem origem no tratamento dado aos afegãos e árabes mujahidin durante a guerra contra a União Soviética no Afeganistão. Como descreve, eles usaram os combatentes para seus próprios fins, explorando seu fervor islâmico para livrar uma terra muçulmana de ocupantes `infiéis´ e depois, uma vez que os soviéticos foram derrotados, simplesmente os descartaram como quem joga um papel no lixo. Então, diz Bin Laden, os Estados Unidos fizeram exatamente como os soviéticos, ocupando um território muçulmano ao enviar tropas para a Península Arábica em 1990.’

São interessantes os detalhes da vida pessoal de Bin Laden reveladas pelo autor. ‘Bin Laden gosta da vida rural e diz que adora montar cavalo.’ Um pouco mais adiante Abdel Bari afirma que ele ‘… não gostava de usar o termo `salários´ e chamava o dinheiro que pagava aos membros da Al-Qaida de `remuneração mensal´’.

No capítulo 2, o autor dá ao leitor ocidental todas informações indispensáveis sobre a história do Oriente Médio, cultura islâmica, jihad e a ascensão do islã político que culminou nos terríveis atentados de 11 de setembro. ‘Para o movimento jihad, no entanto, o 11 de setembro foi um dia de vitória completa; o dia que definiu a Al-Qaida como uma força militar a ser reconhecida e Bin Laden como sua figura-chave para o ressurgimento do mundo muçulmano.’

Imprensa fez eco ao papa

No capítulo seguinte o autor trata das bombas humanas. Segundo Abdel Bari, o ‘… ataque suicida não é, historicamente, apenas uma tática muçulmana, mas os muçulmanos detêm o recorde de sua utilização nos conflitos com as potências ocidentais’. O uso e aperfeiçoamento desta tática parece estar ligado não ao fervor religioso, mas à incapacidade dos muçulmanos de combater os inimigos por meios tradicionais.

Segundo o autor, o uso militar do martírio pelos muçulmanos começou com Hassan ibn Sabah no século 11 e se consolidou nos séculos 18 e 19, quando foi utilizado contra as potências colonizadoras. ‘No Oriente Médio, as missões suicidas tiveram início no começo dos anos 1980.’

A aceitação religiosa do martírio, entretanto, é controversa. ‘Alguns proeminentes doutores muçulmanos afirmaram que as `operações de martírio´ são, na verdade, suicídios e, portanto, proibidos. Em agosto de 2005, o teórico sírio Abu Nasir al-Tartusi emitiu uma fatwa segundo a qual missões suicidas de fato significam que a pessoa está cometendo suicídio, o que contradiz milhares de textos religiosos válidos e corretamente interpretados proíbem o suicídio, qualquer que seja a motivação.’

Há bem pouco tempo, o papa Bento 16 disse que o islamismo era uma religião irracional porque incitava a violência. A imprensa brasileira fez eco. Na época, ninguém citou a fatwa de Abu Nasir al-Tartusi referida no livro resenhado. A prova de que nem todos os muçulmanos são adeptos da violência e que alguns de seus líderes não aceitam e não incentivam o martírio religioso existia, mas foi ignorada.

Homenagem ao mártir

No Iraque, a quantidade de mártires é imensa. ‘Sites da internet que listam os mártires que morreram no Iraque atestam o grande número de países dos quais eles vêm e incluem Iêmen, Argélia, Síria, Jordânia, Paquistão, Arábia Saudita e Kuwait. Fontes concordam que existem números significativos de recrutas `de olhos azuis e cabelos loiros´. Um especialista americano em terrorismo descreveu o Iraque como a `Meca para o terrorismo desde que a invasão americana o transformou no Estado mais fraco, com uma segurança frouxa, criando-se assim um cenário perfeito para os extremistas´. Campos de treinamento se alastram pelas montanhas ao norte do país e na parte deserta do oeste.’

O que está ocorrendo no Iraque demonstra a utilidade dos conselhos de Nicolo Di Bernardo Dei Machiavelli. Em seu livro A arte da guerra, escrito no século 15, o florentino já assegurava que ‘… nunca se deve acreditar que o inimigo não saiba fazer aquilo que lhe convém…’ e ‘… progredir num país inimigo acarreta maiores perigos do que travar uma batalha…’ Os americanos foram ao Iraque para combater o terrorismo e até o presente momento só conseguiram fortalecer seu inimigo.

Na mesma obra, Machiavelli também afirma que ‘… os homens, as armas, o dinheiro e o pão são o nervo da guerra: porém, destes quatro elementos, os mais necessários são os dois primeiros porque os homens e as armas encontram o dinheiro e o pão; mas o pão e o dinheiro não encontram armas e soldados’. Até o presente momento, os terroristas têm tido bastante sucesso em recrutar e armar novos adeptos. Note-se que eles fazem isto utilizando de maneira eficiente até a internet.

Conforme Abdel Bari, a ‘… internet está repleta de vídeos que mostram missões suicidas no Iraque. Eles são designados a glorificar a ação, servir como homenagem ao mártir, mostrar que a batalha está sendo ganha e compelir outros a fazerem o mesmo. Al-Zarqawi considera essas gravações tão cruciais que cada homem-bomba no Iraque é despachado às vezes com mais de três câmeras, a fim de capturar imagens de seu ataque de diversos ângulos diferentes’.

Perfil de Al-Zarqawi

O martírio (suicídio ritual com finalidade militar) intriga-nos mais do que qualquer outra coisa. Desde os tempos em que os cônsules de Roma eram ovacionados em triunfos ao retornarem vitoriosos para a cidade eterna, os soldados ocidentais são acostumados a pensar na glória militar como algo a ser desfrutado durante a vida. Eles aceitam o risco da morte e da mutilação, mas se puderem vão evitar ambas. Os mártires, ao contrário, são treinados para desejarem a morte e só na morte encontram a glória perfeita.

A dinâmica social criada em torno do martírio é perversa. O autor assegura que quando uma missão suicida falha ‘…o agressor é tratado com enorme respeito e honra…’ Mas se ele desiste no último minuto, acaba sendo exilado e ‘…seu fracasso traz vergonha para a família inteira’.

O livro resenhado trata ainda da ciberjihad, da Al-Qaida na Árabia Saudita e no Iraque, da composição política e religiosa da resistência iraquiana e do futuro da organização do sombrio anacoreta islâmico. Abdel Bari fez um detalhado perfil histórico e psicológico de Al-Zarqawi.

Sangria financeira

Ao contrário de Bin Laden (rico e bem educado), o comandante da Al-Qaida no Iraque era pobre, não teve muita instrução formal e já na adolescência se tornou um criminoso brutal e temido. Bin Laden e Al-Zarqawi se cruzaram na jihad contra os EUA, mas seguiram por caminhos bem diferentes. O saudita foi espontaneamente para o Afeganistão combater os russos. O jordaniano, por sua vez, começou a se tornar um fanático religioso dentro da prisão.

‘Muitas fontes testemunham sobre a capacidade física e mental de Al-Zarqawi. Ele foi torturado e teve todas as unhas do pé arrancadas, além de ter agüentado cerca de oito meses e meio de confinamento em cela solitária numa ocasião anterior. Não parecia precisar da companhia dos outros, a menos que isso estivesse em suas intenções e objetivos, que agora eram certamente a promoção e a organização da jihad.’

Se Bin Laden pode inspirar algum tipo de respeito, Al-Zarqawi só consegue produzir no leitor dois sentimentos: repugnância e terror. Este homem não é só o pior pesadelo dos americanos no Iraque. Ele é o mais terrível inimigo dos próprios muçulmanos. Foi Al-Zarqawi que começou a explodir xiitas no Iraque.

Ao acabar de ler o livro resenhado, ficamos com a impressão de que os terroristas da Al-Qaida sabem que não podem vencer os EUA numa guerra rápida e aberta. Eles preferem uma guerra de atrito demorada porque o próprio conflito radicaliza os muçulmanos e facilita o recrutamento de novos terroristas. A Al-Qaida quer fazer os americanos sangrarem financeiramente (isto já está ocorrendo). O custo financeiro e humano desta guerra derrotará os EUA no Iraque como derrotou os ingleses na África do Sul no princípio do século 20? Só o tempo dirá.

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Advogado, Osasco, SP

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