Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ARMAZéM LITERáRIO > OLIMPÍADA 2008

O balanço das medalhas

Por Alberto Dines em 25/08/2008 na edição 499

O Brasil é uma democracia, mas o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) pensa que em matéria política somos como a China, onde a mentira se impõe porque ninguém ousa dizer a verdade.


O balanço sobre a participação brasileira nestas Olimpíadas é – para dizer o mínimo – ilusório. O presidente Carlos Artur Nuzman declarou que esta foi a melhor participação brasileira na história das Olimpíadas. Não é verdade: tivemos menos dois ouros do que em Atlanta, embora a nossa delegação agora tenha sido bem maior.


Também é suspeito o critério de avaliação utilizado pelo COB, aliás copiado do americano, onde o número total de medalhas é o que conta – e não as de ouro. Soltar fogos só porque afinal conseguimos ficar à frente de Cuba é puro cinismo. A situação política da ilha – e não o desempenho dos seus atletas – foi a responsável pela débâcle esportiva do país.


Três pódios


Numa excelente matéria de primeira página, a edição de domingo (24/8) de O Globo ofereceu números preocupantes sobre os nossos investimentos nos esportes olímpicos. Cada medalha que conquistamos custou 53 milhões de reais aos cofres da União.


É muito dinheiro para tão poucas medalhas e isso prova que toda a estrutura do esporte amador precisa ser refeita e ampliada. Com investimentos apropriados teremos mais competições e com mais competições a mídia se sentirá estimulada a oferecer uma cobertura ao longo de todo o ciclo olímpico, e não apenas na fase final.


Ficou evidente também que embora este seja o país do futebol masculino, só conseguimos na modalidade um modesto bronze, ao contrário das meninas que ficaram com a prata. E brilhamos no vôlei com três pódios.


São fenômenos que a mídia não deveria ignorar. Cabe a ela manter o espírito olímpico sempre aceso, mesmo no período em que a chama olímpica estiver apagada.


***


O rabo de cavalo de Carlos Nuzman


Juca Kfouri (*)


[Comentário para o Jornal da CBN, 25/8/2008]



O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro teve a coragem de dizer que o Brasil progrediu em Pequim.


De Atenas, quatro anos atrás, o Brasil trouxe cinco medalhas de ouro. Desta vez trouxe três. Em Atlanta, 12 anos atrás, o Brasil ganhou as mesmas 15 medalhas de Pequim.


O desempenho brasileiro cresceu para baixo, como rabo de cavalo. Pior ainda porque nunca antes neste país se dera tanto dinheiro ao esporte de competição, nada menos do que 1 bilhão e duzentos mil reais, nos últimos quatro anos. Cada medalha custou, portanto, a monstruosidade de 80 milhões de reais.


E não se investe quase nada na prática de esportes nas escolas, nas favelas, entre os de terceira idade, portadores de deficiência etc. E não se leva em conta os dados da Organização Mundial da Saúde que ensinam que cada dólar que se investe em massificação do esporte significa poupar três em saúde pública.


A entrevista de Nuzman foi mais deprimente que a perda da vara da saltadora brasileira ou que o choro do nosso judoca excluído ou do nosso ginasta caído.


Se Maurren Mágica, o vôlei feminino e César Cielo Filho de Ouro são mesmo de ouro; se o vôlei masculino de quadra, de praia, o futebol feminino e o iatismo são de prata; e se ainda houve o vôlei de praia masculino que é de bronze, como a Falavigna do taekwondo, as velejadoras, até o futebol masculino, além dos judocas, do Cielo de novo, Nuzman volta da China também com uma medalha: obviamente de lata.


(*) Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/08/2008 Fernanda Nogueira Schuttz

    Espanta-me ler Alberto Dimes e Juca Kfouri associando-se numa análise tão superficial. Se ganhar medalhas fosse só uma questão de dinheiro, o Dubai seria o campeão das Olimpíadas, se quisesse.
    Não é algo tão simples assim. Depende da tradição do país, da cultura esportiva do povo (e dos jornalistas esportivos). É, geralmente, o resultado de um trabalho de longo prazo.
    Por isso, o Brasil melhorou, sim. Deu menos vexame. Não foi eliminado logo de cara na maioria das competições. Chegou a quase 40 finais. Marcou presença importante em esportes nos quais não tinha a menor representação, como natação feminina, atletismo feminino, judô feminino, iatismo feminino, handebol masculino e feminino…

  2. Comentou em 26/08/2008 Fernanda Nogueira Schuttz

    Espanta-me ler Alberto Dimes e Juca Kfouri associando-se numa análise tão superficial. Se ganhar medalhas fosse só uma questão de dinheiro, o Dubai seria o campeão das Olimpíadas, se quisesse.
    Não é algo tão simples assim. Depende da tradição do país, da cultura esportiva do povo (e dos jornalistas esportivos). É, geralmente, o resultado de um trabalho de longo prazo.
    Por isso, o Brasil melhorou, sim. Deu menos vexame. Não foi eliminado logo de cara na maioria das competições. Chegou a quase 40 finais. Marcou presença importante em esportes nos quais não tinha a menor representação, como natação feminina, atletismo feminino, judô feminino, iatismo feminino, handebol masculino e feminino…

  3. Comentou em 25/08/2008 Carlos N Mendes

    Para explorar petróleo e minérios, vender eletricidade e telefonia, precisamos da iniciativa privada. Para financiar esportes, TEM que ser o Estado. Como diz um amigo meu, beijar minha mãe todo mundo quer, agora para lavar as cuecas do meu pai, não aparece um.

  4. Comentou em 25/08/2008 Carlos N Mendes

    Para explorar petróleo e minérios, vender eletricidade e telefonia, precisamos da iniciativa privada. Para financiar esportes, TEM que ser o Estado. Como diz um amigo meu, beijar minha mãe todo mundo quer, agora para lavar as cuecas do meu pai, não aparece um.

  5. Comentou em 25/08/2008 Marco Antônio Leite

    A Lage é feita após o termino das colunas de sustentação do esporte para que ele não venha desabar sobre a cabeça de um povo despolitizado e bobo da corte. Pelo número de atletas e de esportes o Brasil teria a obrigação de ganhar no mínimo 10 medalhas de ouro e não uma ninharia que acabou ganhando. Não sejamos idiotas e acreditar que este é o país do futuro. Numa nação onde impera os esportes mais executado, ou seja, corrupção e assalto aos cofres públicos podemos esperar o que, nada, absolutamente nada?

  6. Comentou em 25/03/2005 Solon Diniz Cavalcanti

    No clássico mineiro, AtléticoXAmérica, houve um entrevero entre o árbitro e um torcedor que invadiu o campo. Este fato foi noticiado, e correu o mundo. O árbitro a princípio se defendeu, mas, as imagens são claras, tomou conta da situação e partiu para cima do bêbado torcedor e o agrediu violentamente. Parecia uma lutador de boxe. Um jornalista da Rede Globominas, Bob Faria, disse no programa Globo Esporte que se fosse ele teria batido mais. Que o árbitro bateu pouco. Insistiu que o ébrio-torcedor-invasor – e não estou querendo tirar a culpa deste indivíduo – teria que ter apanhado mais. Em outro programa, agora de São Paulo, da Band, um jornalista falou o mesmo. É ético alguém do quarto poder gostar da violência contra um ser humano? É ético um jornalista, publicamente, defender agressão seja lá de quem for?

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