Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ARMAZéM LITERáRIO > ESTANTE

O Catete, os presidentes e a imprensa

19/08/2008 na edição 499

[do release da editora]

Uma visão diferente – e bem humorada − dos presidentes que ocuparam o Palácio do Catete entre 1897 e 1960. A relação dessas personalidades com a imprensa, casos curiosos, a origem de seus apelidos (nenhum deles escapou da língua do povo, da criatividade dos chargistas e do humor do compositor popular) são alguns dos atrativos do livro Histórias de presidentes, de Isabel Lustosa. Publicado originalmente em 1989, o livro, agora relançado pela Agir, foi pensado para ser uma história do Palácio do Catete, mas seu rico conteúdo acabou extrapolando essa concepção. Modestamente, a autora credita a mudança a um cacoete seu, o de reunir histórias paralelas em torno do fato principal.

Na verdade, mais do que fruto de uma mania, este livro é resultado de uma pesquisa intensa em revistas de época, depoimentos, biografias, marchinhas carnavalescas, charges, entre várias outras fontes. Junte-se a isso o talento de Isabel Lustosa, nome respeitado no meio acadêmico, e o resultado é uma atraente coletânea de amenidades, curiosidades e indiscrições sobre a vida e o caráter dos hóspedes presidenciais do Catete. São histórias, em geral, esquecidas da História, mas através das quais o leitor se informa de fatos que, de alguma forma, marcaram aqueles períodos governamentais, especialmente a relação entre o Catete e a imprensa. E, conseqüentemente, a visão do povo sobre o ocupante do palácio.

Charges e anedotas

Entre esses casos, a curiosa história de Oscar Pires, ‘o Sogra’, mordomo do Catete, na gestão de Hermes da Fonseca. Como o presidente ficou viúvo, a administração do Catete ficou nas mãos do mordomo. Amigo antigo da família, passou a se intrometer em todos os assuntos, tentando sempre impor sua opinião. Ganhou o apelido de ‘o Sogra’, virou figura popular, mas perdeu poder com o casamento de Hermes da Fonseca com Nair de Teffé.

Logo a jovem primeira-dama (28 anos) daria também sua contribuição para enriquecer o curioso ‘currículo’ do marido: ele foi o presidente que gerou o maior volume de charges, anedotas, poemas satíricos, marchinhas carnavalescas e apelidos de toda a História brasileira. Essa, porém, é outra história das várias que tornam o livro de Isabel Lustosa um acréscimo importante na biblioteca de todos que se interessam pela História do país.

A autora

Isabel Lustosa, cearense de Sobral, é doutora em ciência política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e historiadora da Casa de Ruy Barbosa. Tem vários livros publicados. Entre eles, D. Pedro: um herói sem nenhum caráter, Insultos impressos: a guerra dos jornalistas na independência do Brasil e Brasil pelo método confuso: humor e boêmia em Mendes Fradique.

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