Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ARMAZéM LITERáRIO > VEJA & STF

O “cozidão” do grampo

Por Luís Nassif em 21/08/2007 na edição 447

Uma capa de revista semanal é uma celebração. É tema relevante, quente, em que se colocam os melhores quadros para apurar os dados. Por isso mesmo, não faz sentido essa capa da Veja sobre os ‘grampos’ no STF(Supremo Tribunal Federal).


A revista cometeu o que, no jargão jornalístico, chama-se de ‘cozidão’ – cozinhar notícias velhas e dar aparência de novidade. Qual a razão? Não se sabe ao certo.


Aqui a íntegra da matéria ‘Brasil – A sombra do estado policial‘.


De informações objetivas, a revista tem o seguinte:


1. ‘A Polícia Federal se transformou num braço de coação e tornou-se um poder político que passou a afrontar os outros poderes’, afirma o ministro Gilmar Mendes, numa acusação dura e inequívoca.


É notícia de 24 de maio passado, na Folha.


2. O ministro (Sepúlveda Pertence) diz que as suspeitas de que a polícia manipula gravações telefônicas aceleraram sua disposição em se aposentar. ‘Divulgaram uma gravação para me constranger no momento em que fui sondado para chefiar o Ministério da Justiça, órgão ao qual a Polícia Federal está subordinada. Pode até ter sido coincidência, embora eu não acredite’, afirma.


A notícia é de janeiro de 2007.


3. Os temores de grampo telefônico com patrocínio da banda podre da PF começaram a tomar forma em setembro de 2006, em plena campanha eleitoral. Na época, o ministro Cezar Peluso queixou-se de barulhos estranhos nas suas ligações e uma empresa especializada foi chamada para uma varredura.


A notícia é de 17 de setembro de 2006.


4. O ministro Marco Aurélio Mello recebeu uma mensagem eletrônica de um remetente anônimo. O missivista informava que os telefones do ministro estavam grampeados e que policiais ofereciam as gravações em Campo Grande. O caso foi investigado, mas a Polícia Federal – ela, de novo – concluiu que a mensagem era obra de estelionatários fazendo uma denúncia falsa.


Isso não é notícia.


5. Há três meses, quando trabalhava com a Operação Navalha, o ministro Gilmar Mendes adquiriu a convicção pessoal de que seus telefonemas são monitorados.


É notícia velha, que já saiu várias vezes na mídia.


***


Denúncia de grampo no STF era falsa


Publicada em 19/08/2007 às 22h53m – O Globo; CBN


BRASÍLIA – A Polícia Federal afirma que era falsa a denúncia de que agentes federais estariam negociando escutas telefônicas com conversas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação mostrou que os e-mails apócrifos recebidos pelo ministro Marco Aurélio de Mello, relatando o suposto grampo, faziam parte de uma vingança pessoal. Um funcionário do INSS exonerado por corrupção tentou incriminar o delegado da PF que o investigou.


Marco Aurélio recebeu o resultado da investigação do ministro da Justiça, Tarso Genro, e o encaminhou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.


‘Foi satisfatória a apuração. Dei o episódio como suplantado’, – disse Marco Aurélio.


– O sujeito (funcionário do INSS) queria fustigar o delegado. Trata-se de retaliação. Foi satisfatória a apuração. Dei o episódio como suplantado – disse Marco Aurélio.


Acusação falsa – Colocado às 12h13


Denúncia de grampo no STF era falsa


Publicada em 19/08/2007 às 22h53m – O Globo; CBN


BRASÍLIA – A Polícia Federal afirma que era falsa a denúncia de que agentes federais estariam negociando escutas telefônicas com conversas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação mostrou que os e-mails apócrifos recebidos pelo ministro Marco Aurélio de Mello, relatando o suposto grampo, faziam parte de uma vingança pessoal. Um funcionário do INSS exonerado por corrupção tentou incriminar o delegado da PF que o investigou.


Marco Aurélio recebeu o resultado da investigação do ministro da Justiça, Tarso Genro, e o encaminhou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.


‘Foi satisfatória a apuração. Dei o episódio como suplantado’


– O sujeito (funcionário do INSS) queria fustigar o delegado. Trata-se de retaliação. Foi satisfatória a apuração. Dei o episódio como suplantado – disse Marco Aurélio.


Ministros do STF disseram à revista ‘Veja’ que suspeitam estar sendo vigiados por grampos. O presidente da Associação dos Delegados da PF, Sandro Avelar, rebateu:


– São acusações graves e sem fato concreto.


Comentário


A única informação nova na capa da Veja era falsa, o próprio Ministro Marco Aurélio de Mello minimizou o incidente, mas a revista ocultou o fato.


Olha o que escreveu: ‘No clima atual, Marco Aurélio pediu uma investigação. O caso foi investigado, mas a Polícia Federal – ela, de novo – concluiu que a mensagem era obra de estelionatários fazendo uma denúncia falsa’.


Ou seja, lança dúvidas sobre a conclusão da PF, debitando a ela o hábito de desqualificar denúncias, e sonega a informação de que o próprio Marco Aurélio tinha considerado o episódio como irrelevante.

******

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