Domingo, 15 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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ARMAZéM LITERáRIO >

O desafio de manter um debate online civilizado

12/05/2009 na edição 537

Há algumas semanas, parentes e amigos de David B. Kellermann, gerente financeiro da agência hipotecária americana Freddie Mac, tentavam, desolados, entender sua morte. No sítio do Washington Post, no entanto, o sentimento era outro. Foram publicados diversos comentários raivosos sobre seu aparente suicídio. ‘Sentir pena deste cara? Por favor, dê um tempo’, escreveu um leitor, dentre vários que tiveram perdas financeiras na Freddie Mac. Poucos pediram respeito e um perguntou se os comentários não eram moderados.

Em sua coluna de domingo [10/5/09], o ombudsman do Post, Andrew Alexander, revela que, na sua opinião, todos os comentários devem ser tolerados, mesmo os mais raivosos. ‘Esta é a essência da liberdade de expressão’, defende. Um amigo de Alexander descreve comentários online como uma mistura de karaokê e a fúria que alguns motoristas sentem quando estão atrás do volante.

É verdade que alguns comentários podem ser extremamente agressivos; porém, há aqueles que são inspiradores. O anonimato acaba permitindo que muitos expressem suas opiniões sem censura. Por isso, Alexander defende a posição do Post de encorajar comentários anônimos, pois isto permite o debate e também aumenta o tráfego do sítio, o que é importante para a sobrevivência do diário.

Civilidade

O desafio, entretanto, é moldar o debate online de modo que encoraje a civilidade sem restringir a liberdade de expressão. No sítio do Post, os comentários são automaticamente postados, sem revisão. Leitores devem, antes, fazer um cadastro e concordar com as regras sobre não publicar comentários que sejam racistas, obscenos ou caluniosos. É inviável monitorar cerca de 10 mil comentários por semana; por isso, internautas podem denunciar qualquer comentário, alertando os editores do sítio. Em uma semana comum, cerca de 500 comentários abusivos são removidos.

Com apenas duas pessoas da equipe responsáveis por monitorar os comentários, Alexander acredita que o sítio faz um bom trabalho, mas precisa encontrar maneiras de melhorar a qualidade do debate. Com este intuito, muitos sítios destacam os melhores comentários. ‘Basicamente, é uma maneira de dizer: ‘para aqueles que não têm tempo de ler dois mil comentários, aqui estão quatro ou cinco que são muito bons’, explica Kelly McBride, do Poynter Institute for Media Studies.

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