Sábado, 21 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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ARMAZéM LITERáRIO >

O Estado de S. Paulo

21/07/2009 na edição 547


SENADO
Rosa Costa


Sarney se diz vítima de campanha e acusa mídia de ‘personalizar
crise’


‘Vítima de uma campanha da imprensa, que ‘personalizou a crise’ institucional
do Senado, e comandante de um processo de reformas administrativas que já somam
40 medidas.. Essa foi a síntese da ‘prestação de contas’ divulgada ontem pelo
presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP), em um discurso (leia a
íntegra na página A8) de encerramento do semestre legislativo. No plenário,
exatos seis senadores – Geraldo Mesquita (PMDB-AC), Álvaro Dias (PSDB-PR), Mão
Santa (PMDB-PI), Roberto Cavalcanti (PRB-PB), Cristovam Buarque (PDT-DF) e João
Pedro (PT-AM).


Citando o filósofo Lúcio Sêneca (4 a.C-65 d.C), Sarney encerrou o discurso
dizendo que ‘as grandes injustiças só podem ser combatidas com o silêncio, a
paciência e o tempo’.


Depois de definir o semestre como de ‘intenso trabalho legislativo’, de
‘correções administrativas e de avanços nos objetivos de racionalização e
modernização’, Sarney mirou o Estado. ‘O jornal O Estado de S. Paulo iniciou uma
campanha pessoal contra mim, obrigando os outros jornais e televisão a
repercuti-la’, acusou. ‘Esqueceram o Senado para invadir a minha vida privada e
da minha família.’


Enfatizando que a constatação não carregava ‘nenhum sentimento menor’, o
senador disse que viu ‘as disputas políticas’ transformarem ‘a reforma
administrativa numa pretensa crise de desmoralização do Senado, inviabilizando a
discussão dos grandes temas’.


Apesar da crise institucional, citou uma longa lista de 40 medidas que
contribuem para ‘o saneamento dos graves problemas de natureza ética e legal’.
Na avaliação de Sarney, tudo foi revelado quando ele começou ‘a examinar as
condições prevalecentes de funcionamento (do Senado)’. Dos 40 tópicos citados,
32 deles são decorrentes de denúncias da imprensa e dos servidores, da Operação
Mão de Obra, da Polícia Federal, deflagrada em 26 de junho de 2006, e até da
repercussão geral provocada pelos escândalos da Câmara, as farras das passagens
e das verbas indenizatórias.


PROVIDÊNCIAS


Exemplos das providências tomadas a reboque da Polícia Federal, da mídia, das
denúncias dos próprios funcionários, das disputas políticas e do ricochete da
Câmara são as medidas para controlar o pagamento de horas extras, o controle dos
gastos com telefones celulares, a revisão dos contratos de serviços com empresas
terceirizadas, as novas normas de uso de verbas indenizatórias. Nesse rol,
incluem-se ainda o corte na criação de comissões fictícias só para embolsar
adicionais de salário, a extinção de algumas das 181 diretorias, o enterro dos
663 atos secretos, o controle do nepotismo, as sindicâncias do Tribunal de
Contas da União e os inquéritos abertos no Ministério Público e na Polícia
Federal.


Sarney lamentou ter perdido o apoio do DEM e do PSDB. Disse que assumiu o
terceiro mandato à frente da Casa por convocação de ‘quase todos os partidos’.
‘Eu nunca fui candidato a presidente do Senado por minha vontade, sempre por
convocação.’ Em nenhum momento falou do nepotismo envolvendo sua família e todo
o clã político aliado, de Epitácio Cafeteira (PTB-MA) a Edison Lobão (PMDB-MA),
hoje no Ministério de Minas e Energia. Omitiu igualmente a farra dos atos
secretos, que proliferaram em suas duas gestões anteriores (1995-1997 e
2003-2005) – essas duas gestões são também responsáveis por 70% dos 2.800
comissionados da Casa.’


 


O Estado de S. Paulo


Frase de Lula sobre pizzaiolos foi ignorada


‘Apesar de ser o presidente do Legislativo e de ter ficado um dia inteiro, a
quinta-feira, calado depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter
chamado os senadores de ‘pizzaiolos’, o senador José Sarney (PMDB-AP) também não
aproveitou o discurso solene de ontem, no encerramento do semestre, para
defender o Congresso. Em quase uma hora de discurso e apartes, o assunto só foi
introduzido no plenário – passados dois dias da frase de Lula – pela boca do
senador Cristovam Buarque (PDT-DF).


Na quarta-feira, questionado sobre os argumentos da oposição, de que a CPI da
Petrobrás poderia acabar em pizza, temperada com o pré-sal, Lula reagiu:
‘Depende. Todos eles (senadores) são bons pizzaiolos.’


Depois de ler um extenso relatório, citando as 40 medidas adotadas para
reformar administrativamente a Casa, Sarney enfrentou um aparte de Cristovam,
pedindo para fazer uma sugestão. ‘Que esse relatório seja encaminhado ao
presidente da República. Antes de ontem, sua excelência fez declarações jocosas
sobre esta Casa, chamando-nos de pizzaiolos, não no sentido – e vossa excelência
como escritor percebe – do pizzaiolo que faz a maravilha da pizza, mas em outro
sentido, no do pizzaiolo que faz, como ele próprio, o presidente, chamava
antigamente, maracutaias’, afirmou Cristovam. ‘O senhor, como presidente da
Casa, fez algum contato com o presidente da República para defender o
Congresso?’ A resposta foi curta e seca. ‘Vossa excelência será atendido.
Mandarei uma cópia do relatório ao presidente da República e, logo que estiver
com ele, transmitirei as suas observações .’


‘DESASTRE’


O senador pedetista chamou de ‘declarações infelizes’ as críticas de Lula e
lembrou que ‘os próprios aliados’ do Planalto consideraram um desastre o
comportamento do presidente. ‘Existem palavras infelizes sem consequências.
Essas palavras têm uma consequência: minam a opinião pública contra o
Congresso.’


O senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC), aliado de Sarney, elogiou o presidente
e concluiu que não há uma crise institucional.’Não enxergo todo esse descrédito
por parte da população. Portanto, bom recesso, senador ,’ afirmou.


‘Se não conseguirmos nos defender perante a opinião pública, vamos perder,
por mais que façamos aqui’, respondeu Cristovam. ‘E tendo contra nós uma pessoa
com a estatura de prestígio popular do presidente Lula, a causa será totalmente
perdida.’’


 


Débora Nogueira


Vídeo com ataque a Sarney é hit no You Tube


‘Um discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na pequena cidade de
Imperatriz, no Maranhão, em 2004, se tornou um dos maiores constrangimentos
políticos para o presidente e volta à tona agora, em 2009, quando ele apoia o
presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), na mais grave crise do Congresso.
Com mais de 143 mil exibições no You Tube, o vídeo reproduz o contexto político
das eleições municipais no Maranhão. Lula esteve em Imperatriz para participar
de um comício do petista Jomar Fernandes. No palanque, o presidente criticou
duramente Roseana Sarney e questionou o resultado de pesquisas eleitorais,
relacionando os candidatos com grupos de mídia na região.


‘Olha, eu vou contar uma coisa pra vocês. Eu, quando vejo na imprensa de São
Paulo as pesquisas dizendo que a Roseana Sarney é uma governadora aceita pelo
povo do Maranhão… Eu conheço o Maranhão, gente. Já andei de carro e de ônibus
neste Estado (…). Aí eu fico imaginando por que é que ela aparece bem nas
pesquisas.’ Para o presidente, a resposta era o fato de a família Sarney e seu
aliado, o hoje ministro Edson Lobão, terem grupos de comunicação. O bombardeio
de noticiário positivo local traria liderança nas pesquisas.


O vídeo do discurso está na internet e pode ser encontrado em mais de 15
links no You Tube. O fenômeno é explicado pelo professor da FGV e consultor do
Ibope Marcelo Coutinho. ‘A internet se tornou uma nuvem de dados, conversações
digitais.’ O vídeo do comício foi publicado no site Kibe Loko, que tem 100 mil
visitantes por dia. Só este vídeo do Maranhão, no canal do site, tem mais de 114
mil visualizações.’


 


ELEIÇÕES
Luciana Nunes Leal


Juízes contestam regras para campanha na web


‘A Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais
(Abramppe) divulgou nota ontem em que aponta inconstitucionalidade nas regras
para comunicação na internet durante as campanhas eleitorais, aprovadas semana
passada na Câmara. O ponto mais grave apontado pelo presidente da associação, o
juiz Márlon Reis, é a proibição de os portais de comunicação se manifestarem a
favor de uma candidatura ou contra ela.


Esta é a regra aplicada a emissoras de rádio e TV, que são concessões
públicas.A proibição é mais rígida que a norma para revistas e jornais
impressos.


‘A Abramppe alerta a sociedade e as instituições públicas brasileiras para
essa manobra obscurantista e inconstitucional que, se acaso aprovada, privará o
Brasil de grandes oportunidades de reflexão e progresso ao longo das campanhas’,
diz a nota. Reis informou que a associação encaminhará uma nota ao Senado, onde
o projeto será votado em agosto, apontando as restrições que considera mais
graves. Caso as amarras sejam mantidas, a associação estuda entrar com uma ação
de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF).


Reis diz que a Abramppe tem legitimidade para questionar a lei na Justiça,
diretamente no Supremo ou por meio de representação à Procuradoria-Geral da
República. ‘Impedir o funcionamento dos sites de comunicação de forma crítica
durante a campanha afronta o direito de acesso à informação e a livre expressão
de comunicação. E não estou falando só dos portais de jornais e revistas, mas
também dos comentaristas políticos. Eles não podem ser impedidos de fazer suas
análises.’


LIMITAÇÃO


Para ele, a proibição da difusão de opinião sobre um candidato ou partido
limitará a cobertura jornalística na internet, que terá de se ‘contentar com a
divulgação de agendas dos candidatos e a elaboração de matérias sem qualquer
juízo crítico’.


O relator do projeto na Câmara, Flávio Dino (PC do B-MA), garante que não
haverá restrição à cobertura jornalística na internet e as normas são as mesmas
para o jornalismo impresso.’Jornais e revistas também não podem se engajar em
uma candidatura. Criamos um regime que se assemelha às demais mídias na ideia de
que jornalismo não é propaganda. Informações e análises não estão proibidas’.’


 


MEMÓRIA
AP, New York Times e Reuters


Ícone do jornalismo, Walter Cronkite morre aos 92 anos


‘O ex-âncora da TV CBS Walter Cronkite, que ficou conhecido como ‘o homem
mais confiável dos Estados Unidos’, morreu ontem aos 92 anos em sua casa em Nova
York, acompanhado de sua família.


Ele estava doente havia alguns anos. Segundo seu filho Chip, Cronkite morreu
de complicações de uma doença vascular cerebral.


Cronkite apresentou o programa CBS Evening News de 1962 a 1981. Cobriu
durante esse período fatos que marcaram a história dos EUA, como o assassinato
do presidente John F. Kennedy, o programa espacial Apollo, o assassinato de
Martin Luther King Jr., a Guerra no Vietnã, o escândalo Watergate e a crise dos
reféns americanos no Irã.


Toda noite, por cerca de 20 anos, milhões de americanos assistiram a seu
programa para acompanhar os principais eventos do dia, narrados por Cronkite
que, com uma voz profunda e confiante, tornou o CBS Evening News o principal
noticiário dos EUA até sua aposentadoria em 1981. Como âncora e repórter,
Cronkite descreveu guerras, desastres naturais, explosões nucleares, levantes
sociais e voos espaciais.


No dia em que Kennedy foi assassinado, em 22 de novembro de 1963, Cronkite
perdeu brevemente a compostura ao anunciar que o presidente tinha sido declarado
morto em um hospital em Dallas. Ele tirou os óculos de armação negra e enxugou
uma lágrima, repercutindo a emoção de milhões de americanos.


INFLUÊNCIA


‘Sou um apresentador de noticiários, um âncora, um editor-chefe, não um
comentarista ou analista’, disse em 1973 em entrevista a The Christian Science
Monitor.


No entanto, quando ele dava sua opinião o impacto era grande. Em 1968, ele
visitou o Vietnã para fazer um raro programa especial sobre a guerra. Cronkite
chamou o conflito de um impasse e defendeu uma paz negociada. O presidente
Lyndon Johnson assistiu ao programa, escreveu Cronkite em seu livro de memórias
Vida de Repórter, de 1996, citando a descrição da cena feita por Bill Moyers,
então assessor de Johnson. ‘O presidente teve um estalo e disse ?se eu perdi
Cronkite, perdi metade da América?’, lembrou Moyers.


Em 1977, suas entrevistas com o presidente Anwar Sadat, do Egito, e o
primeiro-ministro Menachem Begin, de Israel, foram fundamentais para a visita de
Sadat a Jerusalém. Mais tarde os dois países assinaram um acordo de paz.


Ele acompanhou a corrida espacial nos anos 60 com uma clara fascinação.
‘Nossa, olhem essas imagens’, disse enquanto Neil Armstrong pisava na Lua em
1969. Em 1998, pela CNN, ele voltou ao Cabo Canaveral para cobrir a volta de
John Glenn ao espaço após 36 anos.’


 


VENEZUELA
O Estado de S. Paulo


Política cambial ameaça 50 jornais


‘Cerca de 50 jornais venezuelanos podem ter de fechar por causa do atraso do
governo em liberar dólares para a compra de papel, informou o sindicato do
setor. Nos últimos meses a Comissão de Administração de Divisas não liquidou
dívidas dos jornais com os importadores de papel e isso bloqueou o acesso ao
material, afirma o sindicato. As empresas venezuelanas precisam recorrer ao
governo para obter dólar para importar qualquer produto.’


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


TVA traz dois canais


‘A TVA já tem os substitutos para os canais da Abril, que foram fechados no
início deste mês. No lugar do Ideal, a operadora colocará o ManagemenTV, do
grupo HSM, que segue a mesma linha no canal anterior, com programas sobre
carreira e negócios. Já para o espaço deixado pelo Fiz TV, a TVA negociou dois
novos canais: o Space, da Turner, e o Animax, do grupo Sony.


O Space, hoje presente apenas na Sky, estará disponível para os assinantes de
São Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre. O canal tem uma grade constituída
basicamente de filmes e séries. Entre os seriados, os destaques são The Closer –
ex-TNT – e Leverage. O Space exibe ainda séries antigas como Dead Like Me e
Millenium.


Já os assinantes de Florianópolis e Foz do Iguaçu terão acesso ao canal
Animax, que já está na TVA em outras praças, como São Paulo. O Animax apresenta
animês japoneses.


Quem possuía em seu line up os canais Ideal e FizTV terá acesso aos novos
canais ManagemenTV e Space, que entram no pacote básico da TVA Digital.


A mudança se dará a partir de terça-feira, dia 21.’


 


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