Domingo, 21 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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ARMAZéM LITERáRIO >

O gênio simples

Por Eduardo Ribeiro em 15/08/2006 na edição 273

Quanto mais entramos na história pessoal e empresarial de Octavio Frias de Oliveira, mais apaixonados por ela ficamos. É uma história que transborda emoção, simplicidade, determinação, ousadia, coragem, visão, serenidade e pragmatismo. A considerar os depoimentos que este livro obteve e publica de algumas das maiores personalidades de nossa história contemporânea, essa lista de adjetivos seria ainda muito maior, tal a estima, o reconhecimento e a admiração que tantos têm por ele, uma pessoa absolutamente genial na sua simplicidade.

Ter a oportunidade de editar um livro descrevendo a trajetória desse que é um dos maiores protagonistas da imprensa brasileira da segunda metade do século 20 e início do 21, mais do que uma alegria, é uma honra. Honra que, aliás, dividi prazerosamente com Engel Paschoal, autor da idéia, do roteiro e do texto e dono de um entusiasmo quase juvenil, demonstrado a cada pequena conquista que fomos amealhando desde as primeiras conversas, nas quais alinhavávamos o projeto.

Passeamos por corações e mentes, circulando pela intimidade de familiares e amigos, ouvindo histórias que o tempo tornou preciosas e poéticas, mas que, vistas na sua verdadeira dimensão, só reforçam a idéia de que o Frias, como carinhosamente o chamam, é um vencedor e foi, de fato, um bravo a vida inteira.

Perdeu cedo a mãe, amarga recordação que carregou consigo no coração para todo o sempre. Viveu privações na infância e adolescência e, depois de experimentar o sucesso ainda jovem, viu de perto o fracasso, perdendo tudo o que tinha. E aos 50 anos, quando a maioria já se prepara para vestir o pijama e desacelerar, ele comprou a Folha de S.Paulo, provocando uma reviravolta em sua vida, fato que não o impediu, ao contrário, de fazer dela, anos depois, o maior e mais influente jornal do País.

De fato, não é pouco. Frias, forjado na adversidade, fez-se a própria têmpera do sucesso.

Guerra vencida

Avesso a homenagens, fez, por apreço aos filhos, algumas concessões – entre elas esta, de concordar com um livro que pudesse retratar seu perfil biográfico. Vai certamente se surpreender com os depoimentos, talvez sem ter a verdadeira dimensão do que ele representou para o jornalismo e para o Brasil ao construir, dia a dia, com inspiração e transpiração, o maior jornal do País, superando gigantes como O Estado de S. Paulo e O Globo.

Humilde e pragmático, se diz um ‘otimista sem ilusões’ e um homem que já experimentou o sucesso e o fracasso. Pensa que, acima dessas vicissitudes, ‘o mais importante é trabalhar com afinco naquilo de que se gosta’.

A trajetória de Octavio Frias de Oliveira é uma leitura inspiradora, contemplada de boas histórias e ensinamentos de alguém que conseguiu ‘dar uma modesta contribuição no grande trabalho coletivo de criar riquezas, gerar empregos, fortalecer empresas e lançar novos produtos’ e que atribui seu êxito ‘ao trabalho perseverante e a alguma sorte’. Sorte que também o País teve de tê-lo, lutando com afinco para o aperfeiçoamento das instituições democráticas e pela consolidação de uma imprensa livre, pluralista e independente.

É de mencionar o carinho e o apoio que recebemos da família, dos amigos e dos colaboradores para a realização deste projeto. E cabe também um agradecimento especial à Telefônica, empresa que, reconhecendo o ineditismo, a pertinência e a oportunidade de fazer um livro sobre a vida de Octavio Frias de Oliveira, viabilizou a iniciativa.

A obra aí está, pronta para revelar ao leitor a vida de um brasileiro vencedor, que, esquecendo de si, jogou o tempo todo para a equipe e que, se perdeu batalhas, efetivamente venceu a guerra. Uma referência que o País deve cultivar.

Boa leitura!

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