Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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ARMAZéM LITERáRIO >

O livro, bem longe da mídia

Por Deonisio da Silva em 26/06/2007 na edição 439

Temas e problemas do livro estão bem longe da mídia. Os cadernos dedicados a livros nos jornais, assim como as seções semelhantes nas revistas, são humilhantes para os autores e quase sempre inócuas para os leitores. Sobram a televisão, o rádio, a internet. Dos três, a mais abragente, por razões óbvias, é a última.

Se a mídia abandonou o livro, como se pode esperar que os livros lançados cheguem ao conhecimento dos leitores para que eles possam ao menos procurá-los nas livrarias?

Estado e sociedade podem fazer mais do que estão fazendo pelo livro. O governo federal é hoje o maior comprador de livros do mundo. Mas é preciso aperfeiçoar os mecanismos de escolha dos títulos. De todo modo, o mercado editorial não pode pautar-se preferencialmente, muito menos exclusivamente, por esse nicho das vendas. É preciso fortalecer as livrarias, a última escala que o livro faz antes de chegar ao leitor, na longa viagem que começou na cabeça do autor.

A mídia é miserável no espaço para autores e livros. A Bienal Internacional do Livro, o Festival Literário Internacional de Paraty, o Prêmio Portugal Telecom, o Prêmio Jabuti e outros poucos eventos exemplificam como é pouco e apenas sazonal o espaço dedicado a autores, livros, editores, leitores, enfim as várias instâncias que marcam a tríade autor-obra- público.

Minifúndio terrível

Será que a Câmara Brasileira do Livro (CBL), por exemplo, não poderia gerar e assumir um programa de melhor qualificação dos profissionais do livro, que chegasse a contemplar a preparação de profissionais que atendem nas livrarias? E que não ficasse restrito apenas aos atendentes. Como são geridas nossas livrarias? Como são organizadas as vitrines? Como é tratado o cliente? Por que livros não são, a não ser muito raramente, anunciados?

No dia 19 de junho deste ano saíram os dez mais das vinte categorias do Prêmio Jabuti, que há 49 anos é uma referência no mercado editorial. Na categoria romance, apenas seis editoras ficaram entre as finalistas: Record (3), Companhia das Letras (3), Rocco, Agir, LPM, Objetiva.

O escritor Antônio Torres, com Pelo fundo da agulha (Record), está em primeiro lugar nas indicações de uma lista em que despontam outros nomes representativos do romance brasileiro, como Moacyr Scliar e Luiz Antonio de Assis Brasil, e ‘novos’ como Luiz Ruffato e Daniel Galera, sem contar a presença de cronista Luiz Fernando Verissimo – novo no gênero – e Luiz Vilela, mais conhecido do público como contista. Completam a lista Flávio Carneiro, Michel Laub e Carlos Nascimento Silva.

Que espaço a mídia está dando ao Prêmio Jabuti? No terrível minifúndio dedicado a livros, nem um dos mais prestigiosos prêmios literários tem vez.

Mistério misterioso

Este artigo alude apenas a uma das vinte categorias. Como cada uma delas tem dez finalistas, há outros 190 indicados que estão quase anônimos nas respectivas listas. E que dizer dos que não chegaram ali, publicados por cerca de 1.200 editoras brasileiras?

Pautar o Jabuti seria boa oportunidade de refletirmos sobre o lugar do livro na sociedade brasileira. Por que nossas autoridades como que desprezam o livro?

Muitos mistérios rondam os livros no Brasil. Sabe de alguns deles o leitor de livros. Os leitores de jornais e revistas, e ouvintes de rádio e telespectadores não sabem de nada, porque nada lhes é sequer informado. Na internet, reitero, as coisas se passam diferentemente. O Google está aí para comprovar. As livrarias que tem sites próprios, também.

Já é tempo de pegarmos o touro pelos chifres e decifrarmos as causas que levaram autores e livros a sumirem da mídia. E este é apenas um dos mistérios.

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