Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ARMAZéM LITERáRIO > O CÓDIGO E A OBRA

O moto-contínuo da notícia

Por Gabriel Perissé em 24/04/2006 na edição 346

Na mídia, notícia atrai notícia. Provocações provocam provocações. O curioso seria um jornalista considerar curioso o que é óbvio.

Em maio será lançado o filme O Código da Vinci, que se tornou viável porque o livro de Dan Brown tornou-se best-seller internacional. Mas o best-seller em questão deve tudo, ou quase tudo, à Igreja católica (e ao Opus Dei), pelo poder que tem de despertar nosso interesse.

Por conta do livro, cerca de 3 milhões de pessoas visitaram o site do Opus Dei em 2005, o que fez Giuseppe Corigliano, porta-voz da organização, proclamar: ‘O Código da Vinci representou uma oportunidade para nós, para fazer com que conheçam a Opus Dei. Então, sob este aspecto, foi muito positivo. Mesmo que o livro distorça a imagem de Jesus, podemos dizer que há males que vêm para bem’.

Para estar à altura do interesse despertado, em fins de março a Obra apresentou seu site reformulado, fato que virou notícia, o que certamente atraiu mais internautas curiosos, o que levou a Obra a inserir artigos contrários ao livro, o que aumentou um pouco mais as vendas do livro polêmico e nos lembrou que o filme será lançado em 19 de maio.

Discussão da hora

Por causa do filme e do livro, a editora Panda acaba de lançar Memórias Sexuais no Opus Dei, de Antonio Carlos Brolezzi, ex-numerário. O que vai gerar entrevistas e reportagens. Sérgio Ripardo, editor da seção ‘Ilustrada’ da Folha Online, abriu a temporada, e aproveitou a ocasião para criticar o fenômeno:

‘O livro também é mais uma jogada da Panda Books […]. O lançamento do livro, às vésperas da estréia do filme sobre O Código Da Vinci em maio, também reforça a política das editoras de `surfar´ no marketing espontâneo de Hollywood sobre determinadas temáticas. Em seu livro, o professor da USP define o Opus Dei como `uma seita que se encalacrou na Igreja Católica por meio de politicagem e da obtenção de aprovações necessárias dos papas´. Talvez, substituindo alguns termos, essa definição também se aplique hoje à política, ao mercado editorial e à indústria do cinema.’

O moto-contínuo da notícia. Também Sérgio Ripardo pegou carona na discussão da hora, e eu aproveitei o gancho, e Jô Soares poderá entrevistar Brolezzi, e a Obra vai lançar algum livro e…

Quem vai atirar a última pedra?

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Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

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