Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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O papel da imprensa na sociedade

Por Ariani Caetano em 16/06/2009 na edição 542

A sétima edição do Projeto CoCa (Comunicação Capixaba) será lançada no dia 1º de julho. O livro Quase 200 – A imprensa na história capixaba foi escrito com o objetivo de discutir o papel da mídia na sociedade ao longo dos quase 200 anos de imprensa no Espírito Santo.

Nesta sétima edição, o tema são os dois séculos de imprensa no Brasil. Como bem destaca o título, Quase 200, no Espírito Santo os duzentos anos ainda não podem ser comemorados, mas abrem uma oportunidade para reflexão. A imprensa chegou às terras que amargavam o desterro da função de proteção às riquezas de Minas Gerais somente em 1840, portanto, 32 anos após o histórico ano de 1808. Na cronologia dos periódicos pioneiros em todo o país, o Espírito Santo só ficou na frente de Amazonas e Paraná, que se tornaram províncias do Império somente em 1850 e 1853, respectivamente.

De O Estafeta, o primeiro jornal capixaba, aos dias de hoje, o livro, escrito por alunos do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) sob orientação do professor doutor e coordenador do Projeto CoCa, José Antonio Martinuzzo, do Departamento de Comunicação Social da Ufes, traz a participação da imprensa nos principais movimentos e períodos históricos do Espírito Santo desde a chegada da mídia no estado.

De 1840 à virada do milênio

As duas seções iniciais do livro contextualizam a trajetória sociopolítica, econômica e midiática do Espírito Santo a partir de 1840. Depois de traçado o panorama por onde o leitor navegará, iniciam-se os relatos acerca do papel da mídia na construção do dia-a-dia capixaba.

O terceiro capítulo trata dos primeiros jornais – além de O Estafeta, O Correio da Victoria, de 1949. Antes, porém, de chegar às publicações pioneiras, o capítulo fala do cotidiano capixaba no momento em que o Brasil já experimentava o convívio com os jornais e por aqui ainda se vivia segundo paradigmas coloniais, sem imprensa, entre outros.

Em seguida, analisa-se a relação da imprensa com a questão da escravidão e o movimento abolicionista. O quinto capítulo aborda a estreita ligação do movimento republicano com os jornalistas/jornais de então.

O capítulo seis dedica-se a verificar a relação de dois presidentes de estado de fundamental importância para a vida moderna do Espírito Santo, Muniz Freire e Jerônimo Monteiro. A seguir, vem a relação da imprensa com a ditadura Vargas, representada aqui no estado pelo interventor João Punaro Bley.

O período do pós-Segunda Guerra e do pré-golpe militar de 1964 é analisado no capítulo 8. O cotidiano da imprensa em tempos de ditadura vem descrito na nona parte. No capítulo 10, são verificadas as posições da imprensa acerca dos Grandes Projetos no desenvolvimento do estado, implementados nas décadas de 1960 e 70. Por fim, estuda-se a cobertura da mídia em tempos de crise político-institucional no Estado, no final do século 20 e na virada do milênio.

Versão digital

O livro Quase 200 – A Imprensa na história capixaba também foi lançado em formato digital para leitura na tela ou download via web (baixe aqui o arquivo PDF, 2,4 MB). O site oficial do projeto é www.comunicacaocapixaba.com.br. O livro também será lançado em vários outros sites especializados e bibliotecas digitais mundo afora.

O lançamento em formato digital deve-se à potência de distribuição e de conexões da internet. ‘Como o objetivo principal dos livros, que visam à produção de uma memória das atividades comunicacionais no Espírito Santo, é levar ao maior número possível de pesquisadores, estudantes e cidadãos informações que até hoje não estavam disponíveis, nada melhor que estar na rede. Com essa estratégia, queremos democratizar o acesso aos conteúdos e fomentar novos olhares, buscar contribuições, enfim, fazer circular conhecimento’, diz Martinuzzo.

A edição impressa será distribuída apenas às bibliotecas públicas e às instituições de ensino do estado.

Memória é leitura do que passou

Seguindo a metodologia implantada no semestre letivo de 2004/1, da pauta à edição final, no Projeto CoCa, tudo é feito pelos estudantes, com orientação e supervisão do professor Martinuzzo. A partir de uma diretriz editorial e temática, discutida com todo o grupo, os alunos-autores têm autonomia para definir enfoques, entrevistados, estilo de texto, dentre outros elementos de cada capítulo.

Como em todas as edições anteriores do CoCa, e como é de se prever em um projeto que avança sobre território praticamente inexplorado – no caso, a memória da comunicação capixaba –, a base fundamental para a elaboração dos textos foram entrevistas. Colaboraram historiadores, cientistas sociais e políticos, além de jornalistas.

‘É importante ressaltar que este projeto não pretende nem jamais conseguiria produzir livros completos ou perfeitos. É vívido e experimental – laboratorial. Resultado do processo de aprendizagem’, destaca Martinuzzo.

Sobre o recorte temático e as abordagens, o professor explica: ‘A memória é produto de lembranças e esquecimentos, da seleção de fontes e, neste caso, da narrativa peculiar de autores influenciados por uma base cognitiva e cultural específica. Falar de tudo ou reproduzir fielmente o passado é algo impossível, até porque, voluntária ou involuntariamente, memória não é passado, mas leitura presente do que passou.’

Edições anteriores: Rádio Club Espírito Santo – Memórias da Voz de Canaã; Balzaquiano – Trinta anos do Curso de Comunicação Social da Ufes; Diário Capixaba – 115 anos da Imprensa Oficial do Estado do Espírito Santo; Impressões Capixabas – 165 anos de jornalismo no Espírito Santo; Roda VT – A televisão capixaba em panorâmica; Comunicação Organizacional – Um século de história no mundo e 50 anos no Espírito Santo.

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