Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ARMAZéM LITERáRIO > AURÉLIO BECHERINI (1879-1939)

O pioneiro do fotojornalismo paulistano

Por Mauricio Stycer em 27/01/2009 na edição 522

No aniversário de 455 anos da cidade, São Paulo presta, finalmente, uma grande homenagem a Aurélio Becherini (1879-1939), considerado o primeiro repórter fotográfico da imprensa paulistana, mas cuja obra jamais havia merecido um livro e uma exposição.

A mostra ‘Aurélio Becherini, São Paulo em Transição’, que exibe 40 imagens, foi inaugurada no sábado (24/1), e permanecerá aberta até 10 de maio. Mas é apenas um aperitivo. O verdadeiro mergulho na obra do fotógrafo está sendo oferecido pelo livro Aurélio Becherini (CosacNaify, 238 págs., R$ 42), que reúne cerca de 200 imagens, além de um estudo detalhado do sociólogo José de Souza Martins e um texto biográfico, que tenta dar nexo à sua vida atribulada.

Nascido na Itália, Becherini foi criado por uma família de gregos, depois que seu pai perdeu tudo que tinha no jogo. Chegou no Brasil por volta de 1900, sem documentos. Foi morar na Avenida São João, em São Paulo, numa residência que logo depois pegou fogo. Becherini salvou a dona da casa do incêndio e ganhou, como sinal de gratidão, uma câmera fotográfica do marido dela.

Assim, publicou suas primeiras fotos em O Estado de S.Paulo, no início do século 20. Acredita-se que, no início, trabalhou de graça. Também fez fotos para os jornais Correio Paulistano e Jornal do Commercio e a revista A Cigarra, entre outros. A sua produção vai de 1904 a 1934.

Cronista visual

Becherini foi ‘um dos pioneiros na tentativa de mapear e organizar a memória fotográfica da cidade’, escreve Rubens Fernandes Junior, curador da exposição. Contratado da Secretaria de Viação, atividade que acumulava com a de repórter fotográfico, documentou um dos períodos mais dinâmicos da cidade – as muitas demolições que dariam lugar a grandes obras, o movimento nas ruas centrais da cidade, os contrastes sociais que já exibia.

‘São Paulo é o exemplo de vitalidade, destruição, poder, decadência, mistério, onde explodem múltiplas vivências anônimas’, constata Fernandes ao analisar o trabalho de Becherini.

Num ensaio que acompanha o livro, o sociólogo Jose de Souza Martins analisa as principais fotografias em detalhes, extraindo delas reflexões saborosas. ‘As demolições que transfiguraram a cidade e constituíram os cenários preferenciais da fotografia de Becherini eram também metáforas do país que se transformava’, observa Martins.

Becherini, anota o sociólogo, ‘documenta o que se vê, que é a monumentalização da cidade, e o que não se vê, senão com a lupa de escrutinador, a cotidianização da cidade’, diz, a respeito dos detalhes que expõem o vestuário, os gestos e a apresentação pública dos personagens fotografados. ‘Becherini foi o nosso melhor cronista visual do cotidiano da cidade’, conclui Martins.

Em tempo: por contar com patrocínio da Secretaria de Cultura do município de São Paulo, o livro está sendo vendido por um preço (R$ 42) três vezes inferior do que custaria uma edição normal da editora.

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Repórter especial do iG

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