Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Os culpados da tragédia

Por Luciano Martins Costa em 14/11/2008 na edição 511

O Estado de S.Paulo se antecipou aos concorrentes e publicou na edição de sexta-feira (14/11) o resultado do laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo sobre o acidente com o Airbus da TAM que causou 199 mortes no aeroporto de Congonhas, em julho do ano passado.


Segundo o relatório técnico, a culpa pela tragédia é partilhada pela cúpula e altos funcionários da Agência Nacional de Aviação Civil, por servidores da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária, pela fabricante do avião, pela TAM e até pelos pilotos.


O tema é manchete do jornal paulista, que teve acesso ao documento que deverá ser entregue na segunda-feira (17/11) à Polícia Civil, encerrando a fase de inquérito dezesseis meses depois do acidente. Depois disso, o material deverá ser encaminhado ao Ministério Público Estadual para eventuais denúncias.


Os envolvidos poderão ser enquadrados no crime de atentado contra a segurança de transporte aéreo, estando sujeitos a penas de um a três anos de detenção, por homicídio culposo.


Lista de equívocos


A parte do documento que trata da análise técnica dos fatores que teriam causado o acidente mostra uma sucessão de equívocos e retrata a soma das falhas, que vão das condições inadequadas da pista ao estado de estresse dos pilotos, passando por falta de informações da Airbus sobre um eventual erro no manuseio dos manetes de freio do avião.


O laudo indica que os pilotos realizaram um pouso perfeito, mas erraram ao deixar um dos manetes na posição de aceleração. Essa teria sido a causa principal da perda de controle da aeronave. Mas os computadores do Airbus não emitiram o sinal de alerta, o que induziu os pilotos a uma manobra errada.


As circunstâncias adicionais que colaboraram para o final trágico foram a pista molhada, a falta de ranhuras para escoamento da água, as condições meteorológicas, a falta de treinamento por parte da empresa aérea e as falhas nas normas e regulamentações.


Como era de se esperar em acontecimentos desse tipo, a complexidade do acidente não permite direcionar ou concentrar a culpa em um ou dois personagens da tragédia. Agora convém aos leitores rememorar o noticiário da época e observar como as manchetes induziram a uma histeria geral sobre os riscos das viagens aéreas.


Como tratamos aqui de observar a imprensa e não o sistema de transporte aéreo, resta acrescentar um item na lista de equívocos: a imprensa também errou ao procurar uma causa central para o desastre. Não havia uma causa, mas um enorme conjunto de erros.

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