Terça-feira, 20 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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Os planos de poder do bispo

Por Plínio Bortolotti em 19/05/2009 na edição 538

Acabei de ler o livro Plano de poder – Deus, os cristãos e a política, escrito pelo mais bem-sucedido pastor neopentecostal do Brasil, o bispo Edir Macedo. Olha, eu vou te contar: dá medo. O homem está obcecado pelo poder e tem um plano para tomá-lo. Ele parece considerar-se um novo Moisés e está convencido de estar agindo sob as ordens diretas de Deus.

Logo de início, à página 8, Macedo escreve: ‘Vamos nos aprofundar, através desta leitura, no conhecimento de um grande projeto de nação elaborado e pretendido pelo próprio Deus e descobrir qual é a nossa responsabilidade neste processo. […] Desde o início de tudo Ele nos esclarece de sua intenção de estadista e de formação de uma grande nação.’

Obviamente, o bispo fala do Brasil e se põe como intérprete e representante direto de Deus.

Macedo apela diretamente aos cerca 40 milhões de cristãos brasileiros [isto, é, os evangélicos, pois somente estes ele considera cristãos] para verem a bíblia não apenas como um livro religioso, mas também como uma espécie de ‘manual’ de ação política, escrito pelo maior dos estadistas: Deus.

O ‘agente apropriado’

‘[A Bíblia] não se restringe apenas à orientação da fé religiosa, mas também é um livro que sugere resistência, tomada e estabelecimento do poder político ou de governo […]. Quando todos ou a maioria dos que a seguem estiverem convictos de que ela é a Palavra de Deus, então ocorrerá a realização do grande sonho Divino.’

O homem sabe até com o que Deus sonha.

Para ele, a ‘mobilização geral’ dos evangélicos, com sua ‘potencialidade numérica’, pode ‘decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo quanto no Executivo, em qualquer escalão, municipal, estadual ou federal’. E seguem-se orientações práticas de como os ‘cristãos’ devem proceder para eleger os seus, isto é, os representantes de Deus.

A comparação dos hebreus, sob o governo do faraó do Egito, com os ‘cristãos’ brasileiros, à espera de um ‘libertador’, um novo Moisés, perpassa todo o livro. ‘Até porque temos percebido, por parte da sociedade, que ser evangélico no Brasil ainda é como ser estrangeiro no Egito nos dias do Faraó.’

Um dos capítulos é dedicado ao ‘agente apropriado’ para assumir o poder e que isso – novamente a comparação com Moisés – seria o ‘início do grande intuito divino’. Tudo indica que Macedo vê a si próprio como o ‘agente apropriado’ para ser o ‘Moisés’ brasileiro.

É de se lembrar que o bispo Macedo é dono da Rede Record. Segundo o portal Donos da Mídia, a Record é o quarto grupo de comunicação do país, com 142 veículos ligados à rede, sendo vice-líder em audiência em todo o Brasil.

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Jornalista, Fortaleza, CE

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