Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ARMAZéM LITERáRIO > TERÇA-FEIRA, 27/1

Paulo Henrique Amorim se diz alvo de perseguição

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 27/01/2009 na edição 522

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 27 de janeiro de 2009


 


PERSEGUIÇÃO
Folha de S. Paulo


Jornalista diz que é alvo de ‘perseguição’


‘O jornalista Paulo Henrique Amorim pediu à Polícia Federal que investigue suposta perseguição contra ele e sua família ‘por indivíduos a mando’ do banqueiro Daniel Dantas e do governador José Serra (PSDB). Disse que dará detalhes à PF.


O Ministério da Justiça se colocou à disposição de Amorim. O banco disse que não foi notificado. A assessoria de Serra não o localizou.’


 


 


GOVERNO
Editorial


Opinião pública não entra


‘A SE JULGAR pelas propostas dos candidatos à presidência da Câmara dos Deputados, a Casa não vai alterar, nos próximos dois anos, sua péssima imagem pública em matéria de usos e costumes.


Submetidos pela Folha a questões sobre suas principais propostas, Michel Temer (PMDB), Ciro Nogueira (PP) e Osmar Serraglio (PMDB) defenderam a manutenção de privilégios e evitaram se comprometer com reformas que aumentariam a prestação de contas na Casa. O quarto candidato, Aldo Rebelo (PC do B-SP), não se manifestou.


Michel Temer -o favorito numa disputa que, contudo, ainda pode surpreender- foi o mais enfático na defesa da equiparação salarial com o teto do Poder Judiciário. Se depender dele, os deputados podem contar com um aumento de quase 50% nos seus salários, de R$ 16.512,09 para R$ 24,5 mil mensais.


Ciro Nogueira, candidato do chamado ‘baixo clero’, defende que os deputados ‘enfrentem’ a discussão sobre o estabelecimento de teto salarial para os três Poderes. Serraglio não deu opinião clara sobre o assunto.


Em tempo de crise, quando deputados e senadores deveriam dar um exemplo de austeridade ao setor público e à sociedade, é provável que a Câmara aja no sentido contrário, mais uma vez.


Já sobre a transparência nos gastos dos deputados, há unanimidade. Todos são contra a publicação de notas fiscais com a descrição das despesas com a verba indenizatória -R$ 15 mil por mês para reembolsar gastos com combustível, aluguel, manutenção de escritórios etc.


Os três candidatos que responderam ao questionário também são a favor do voto secreto em temas como a cassação de mandatos parlamentares. A mensagem é clara: na eleição da Câmara, a opinião pública não entra.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Enquanto isso, na selva’


‘O ‘Washington Post’ contrastou ontem, em sua página A5, que ‘o Fórum Social Mundial, um encontro de defensores de trabalhadores e dos pobres, abre em Belém, Brasil’, hoje. E que ‘o Fórum Econômico Mundial, um encontro de elites econômicas e políticas, abre em Davos, Suíça’, amanhã.


O Fórum Econômico anda por baixo. No enunciado do ‘Financial Times’, ontem, vive-se ‘O pico do descrédito de Davos’. Em outro texto, o Goldman Sachs, ‘conhecido por realizar umas das festas mais quentes do reluzente Fórum Econômico’, desistiu.


Por outro lado, ontem no site da ‘Wired’, Bruce Sterling postou que, ‘Deus!, os alterglobalistas devem estar se sentindo bem atrevidos com o abjeto colapso do capitalismo mundial… isso, se eles acharem dinheiro para voar até o Fórum Social’. E linka para a cobertura da agência engajada IPS, que vê a ‘Crise como oportunidade para um outro mundo’.


‘WILD’


O blog de mídia Valley Wag lamenta ‘As festas perdidas de Davos’. ‘Sem Bono e Angelina’, antevê na presença de Nouriel Roubini ‘baladas selvagens às portas do fim do mundo’


JATINHO…


O italiano ‘Corriere della Sera’ checou o movimento de jatos executivos privados e de corporações no aeroporto de Zurique, para a semana do Fórum Econômico, e descobriu que este ano estão programados mil -contra 900 no ano passado e 800 em 2007. ‘A festa da superclasse continua’, comentou com ironia o site da ‘Foreign Policy’.


E MAIS JATINHO


Já o ‘New York Post’ levantou que o Citigroup, que recebeu US$ 45 bilhões de socorro estatal, comprou por US$ 50 milhões um novo jato Dassault Falcon, com sofás de couro e até ‘centro de entretenimento’. O Huffington Post juntou o caso com outros, de Merril e Lehman, para a manchete ‘Banqueiros se comportam mal’, abaixo.


UM DIA


Começou, ao que parece, com a manchete on-line do ‘New York Times’, ontem no início da tarde, ‘Grandes empresas ao redor do mundo demitem dezenas de milhares’, só na segunda-feira. Daí para um despacho da agência France Presse, que resultou na manchete ‘Em um único dia, empresas cortam mais de 50 mil vagas’, na Folha Online. O post atualizado do ‘NYT’, no início da noite, já somava 62 mil. E o site do ‘FT’, no mesmo momento e também em manchete, bateu em 70 mil.


INVESTIMENTO…


Quanto ao Brasil, embora citado nas listas de demissões das grandes multinacionais no dia, a notícia no topo de Google News e Yahoo News, com despacho da Bloomberg, foi o ‘recorde’ nos investimentos estrangeiros diretos no país, em pleno mês de dezembro. Fez manchete on-line também por aqui.


E DÉFICIT


Mas nos sites de busca de notícias e na cobertura brasileira, logo abaixo dos investimentos, o destaque era um despacho da Reuters, também com números do Banco Central, com o primeiro déficit em conta corrente do Brasil desde 2002 -e o maior em dez anos. E foi ‘por força da crise internacional’.


OS CULPADOS


O ‘Guardian’ soltou uma lista com os 25 responsáveis pelo desastre econômico, que não é ‘fenômeno natural’, mas ‘obra do homem’. Encabeçando a lista, Alan Greenspan, ex-presidente do Fed. Entre os políticos, primeiro Bill Clinton, que separou bancos comerciais e de investimento para impedir a supervisão, depois o britânico Gordon Brown e só então George W. Bush.


O site Talking Points Memo, em texto de Dan Gillmor, referência sobre jornalismo, apontou outros culpados, desta vez focando ‘o papel da mídia’, com sua ‘constante torcida pelas más práticas financeiras e seu fracasso total em nos avisar sobre o que estava se construindo’. Lista, não os responsáveis, mas as exceções.


VAI-SE O CRIADOR…


Saiu ontem a última coluna do conservador William Kristol no ‘NYT’, sem anúncio prévio, apenas um registro no final do texto. Porém foi tamanha a repercussão on-line que o jornal postou uma reportagem no fim do dia, afirmando que foi ‘por acordo mútuo’ -e indicando a contratação de outro conservador para a posição.


DE SARAH PALIN


Kristol, editor da ‘Weekly Standard’ e filho do célebre conservador Irving Kristol, teria deixado o jornal, um ano após iniciar a colaboração, por conta da instrumentalização partidária do espaço, segundo o blog Daily Beast. Da coluna no prestigioso ‘NYT’, lançou e defendeu a candidatura de Sarah Palin a vice, na eleição presidencial.’


 


 


TECNOLOGIA
Cecilia Giannetti


De quando me despluguei


‘NÃO CABE NOS dedos de minhas duas mãos a quantidade de amigos meus que passaram a última semana inteira acampados, no esquema de barraquinhas, comida improvisada e… alta tecnologia.


Este é o segundo ano que não consigo me juntar a eles na aventura da Campus Party por conta de trabalhos que transformam minha agenda num repolho de post-its e levantam suspeitas sobre se eu sou mesmo um ser humano ou um robô, por acaso desviado das demais atrações do evento, sem sentimentos e capaz de quase perder a própria festa de aniversário ‘por causa de um prazo de entrega de trampo’, conforme andam dizendo por aí. E é tudo verdade. Não tenho coração -isso já foi comprovado em aulas de spinning, quando tentavam encontrar meus batimentos cardíacos, sem êxito, mas tenho banda larga.


Adoraria ter ido à Campus Party morar numa barraca com meus amigos, apesar de todos nós já termos passado dos 30 anos e reclamarmos muito de dores nas costas e tendinite (sintomas que as próximas gerações que nascem ligadas ao notebook como fosse este um cordão umbilical passarão a sentir cada vez mais cedo).


Mas, agora, só depois. A festa acabou e cada participante hoje se diverte em casa com os vídeos e fotos feitos no Centro de Exposições Imigrantes, que abrigou a baderna digital, além de arquivos e informação trocados sob a conexão mais poderosa do país durante o evento. Todos ainda tentando recuperar o organismo da maratona de fast-food e noites mal ou nada dormidas entre barracas e bytes.


Eu me lembro bem das duas ocasiões em que tentei me desplugar completamente. Numa delas, a mais recente, acabei sendo recompensada com picadas de pulga e uma intoxicação alimentar, numa cidadezinha de fim de mundo onde nem internet havia e a televisão só pegava um canal aberto.


Na primeira vez que tentei me desconectar, a TV foi o primeiro corte. Bem no comecinho dos anos ‘00’. Escolha logo testada de maneira cruel: em pouco tempo começou uma Copa do Mundo e acabei sendo obrigada a ir à rua algumas várias vezes, por volta das 7h, para assistir de pé aos jogos na tevêzinha de uma mercearia. À noite, o pub irlandês com jeito de boteco na Ronald de Carvalho contribuía com sua grande tela ligada na CNN ou MTV. Fiquei relativamente segura nessa rede improvisada até o fim daquela Copa, como quem para de fumar aos poucos, sem grande ansiedade, por nunca ter sido um tabagista de verdade. A falta de web eu resolvia em cibercafés, furtivamente, rendez-vous eletrônicos de Copacabana cheios de turistas, prostitutas e adolescentes jogando Dungeon Siege.


Fui deixando de me preocupar com um e outro programa e seriado que perdia, até que esqueci que existiam. (Isso era possível porque ‘Lost’ não existia, então). Ganhei mais tempo livre para desbravar uns livros comprados fazia muito, muito tempo, na era da internet discada, e que permaneciam entregues às traças dos sebos de origem.


Cheguei mesmo a retomar minhas caminhadas na praia: vieram os surfistas de outono, vagabundos e bonitinhos, os poodles vestidos com roupinhas de crochê e as noites estreladas com promoções de Guinness no pub. Um verão sem overdose de ar-refrigerado nem downloads ou séries de TV. A natureza sorria para uma ex-viciada. Se toda criança ao menos uma vez já tentou se plugar diretamente via dedo na tomada, eu tinha decidido puxar o fio com força total para arrancá-lo da parede. Velhos tempos…’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Quarto ‘punk’ vai eliminar big brother


‘Pela primeira vez na história do ‘Big Brother Brasil’, um participante será eliminado sem ser pelo voto do público.


Para compensar a entrada de dois participantes oriundos da casa de vidro (inicialmente, seria apenas um), na semana que vem haverá eliminação dupla no reality show da Globo.


Um dos participantes sairá pelo método tradicional, o paredão, com votação do público, na terça-feira. O outro eliminado será vítima de um quarto secreto, a ser aberto na próxima semana. Essa eliminação, que ocorrerá até a sexta-feira, 6.


J.B. de Oliveira, o Boninho, diretor-geral de ‘BBB’, alimenta o suspense: ‘O quarto é punk. Tem de estar muito bem preparado para enfrentá-lo’.


O paredão de hoje deverá eliminar um dos sexagenários, Norberto dos Santos, 63. O radialista errou ao mandar Max para o paredão da semana passada, quando era líder. Ao indicar alguém do ‘lado B’, do qual fazia parte, passou a ser considerado um traidor. Nos primeiros dias, a casa estava dividida por um muro. O público perdoaria se Norberto indicasse alguém que não conhecia, do ‘lado A’. Mas o participante mais velho de todos os ‘BBB’ optou por emparedar um ‘rival amoroso’ (ambos disputavam Francine). Trocou o papel de ‘vovô engraçado’ pelo de vilão.


Na enquete promovida pelo UOL, Norberto tinha até o início da tarde de ontem 54,5% dos ‘votos’ para sair.


INVERSÃO 1


O Ministério da Justiça rejeitou a autoclassificação de ‘Capitu’ feita pela Globo. A emissora, antes da exibição da microssérie, a considerou imprópria para menores de 10 anos, por causa da conotação sexual da obra de Machado de Assis.


INVERSÃO 2


Em despacho publicado ontem no ‘Diário Oficial’, o Ministério da Justiça indeferiu o pedido e reclassificou ‘Capitu’ como livre. Ou seja, fez uma reclassificação ao contrário -e sem efeito, porque a microssérie acabou faz mais de 40 dias.


PREMONIÇÃO


De Neto, ex-jogador, atualmente comentarista da Band, no ‘Terceiro Tempo’ (Band) de anteontem, sobre Adriane Galisteu, nova contratada de emissora: ‘Ela é pé-frio’.


FALTOU SINTONIA 1


O ‘Fala Que Eu te Escuto’, programa da Igreja Universal exibido na Record, exibiu na madrugada de sábado ‘reportagem’ apontando ‘conotação satânica’ em músicas da ‘banda’ mexicana RBD, concebida na novela ‘Rebelde’.


FALTOU SINTONIA 2


O sonho da Record é repetir no Brasil o fenômeno RBD. A rede prepara para 2010 uma versão brasileira de ‘Rebelde’.


VOX POPULI


A Record passou a Cultura e é agora a segunda TV mais admirada entre publicitários, só atrás da Globo, revela pesquisa publicada ontem na revista ‘Meio&Mensagem’. Mas seu atendimento comercial deixa a desejar, segundo o mercado. É apenas o quarto melhor, atrás de Globo, Band e SBT.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 27 de janeiro de 2009


 


PROPAGANDA ÉTICA
Vera Rosa


Legenda pode proibir ataques à vida privada


‘Um ano antes da primeira campanha do partido que não terá Luiz Inácio Lula da Silva como candidato a presidente, o comando do PT já se prepara para a batalha, na tentativa de apertar o cerco contra desvios éticos e impedir a reedição de escândalos. Para evitar tiros no pé como os da campanha paulistana de 2008, quando propaganda da então candidata Marta Suplicy perguntava se o prefeito Gilberto Kassab (DEM) era casado e tinha filhos, a proposta de Código de Ética em debate no PT proíbe agora que a vida privada dos candidatos seja explorada nas eleições.


Com 74 artigos, a versão preliminar do código – distribuída ontem na reunião da Executiva Nacional do PT – passaria pelo crivo do Diretório petista em fevereiro, mas a votação do texto foi adiada para abril, por causa de divergências. O anteprojeto veda a ‘exploração de aspectos da vida íntima de adversários em disputas políticas ou eleitorais, internas ou externas, de qualquer natureza’. Se a proposta for aprovada, a desobediência a esse dispositivo será considerada grave, ficando o infrator sujeito até a expulsão do partido.


Todo esforço é no sentido de construir uma agenda positiva para impulsionar a pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão de Lula. O código proíbe até que correntes petistas usem a imprensa com o objetivo de atingir outros filiados. Na prática, a ideia é impor a lei do silêncio para abafar a disputa interna.


Preparado por um grupo coordenado pelo deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), secretário-geral do PT, o texto já causa polêmica. A idéia de criar uma corregedoria – rebatizada de Conselho de Normas, Recursos e Apuração Disciplinar – e a renúncia ao sigilo fiscal, bancário e telefônico por parte dos candidatos não são consensuais.


Pela proposta, o conselho terá 7 integrantes efetivos e 4 suplentes com ‘boa imagem pública’ e ‘elevado grau de compromisso com a ética partidária’.


O anteprojeto estabelece, ainda, que os candidatos do PT a cargo eletivo ou emprego público devem apresentar ao partido lista detalhada de todos os seus bens, além de assinar uma carta-compromisso.’


 


 


EUA
AP


Oprah foi cotada para o Senado


‘O governador de Illinois, Rod Blagojevich, acusado de tentar vender a vaga deixada pelo presidente Barack Obama no Senado, disse ontem ter pensando em nomear a milionária apresentadora de televisão Oprah Winfrey para o cargo. A declaração foi feita em entrevista ao programa Good Morning America, da rede de TV ABC.


Blagojevich viajou a Nova York no mesmo dia em que seria julgado em Illinois e participou de vários programas televisivos para se defender das acusações ‘Eu poderia apresentar 15 anjos e 20 santos, liderados pela Madre Teresa, para que dessem testemunho da minha boa reputação, mas não importaria’, disse . Quanto a Oprah – amiga pessoal de Obama -, ele disse que ‘ela parecia uma boa pessoa, que ajudaria de forma significativa’, além de ter ‘uma audiência muito maior do que qualquer outro senador’.’


 


 


ESPIONAGEM
O Estado de S. Paulo


Produtora condenada por ‘espionagem’


‘A produtora de comerciais Cine Cinematográfica é protagonista de um caso raro na área de marketing e poderá pagar mais de R$ 700 mil em indenização por danos materiais à Cervejaria Schincariol. A condenação da 24.ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo se deu por quebra de sigilo contratual Ainda cabe recurso. A empresa foi acusada de repassar à concorrente AmBev um filme publicitário de uma das campanhas da cerveja Nova Schin.’


 


 


QUESTÃO PALESTINA
Antonio Gonçalves Filho


Mil olhos em Gaza


‘Quando até o ditador líbio Muamar Kadafi, que já apoiou terroristas e pregou a destruição de Israel, reconhece que israelenses e palestinos são interdependentes e devem coexistir sob um único teto, era de se esperar que surgisse um escritor capaz de traduzir em ficção essa união incontornável. Esse autor é uma mulher, nascida numa família de refugiados da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e criada em vários lugares até conseguir a cidadania americana e estudar ciências biomédicas na Universidade da Carolina do Sul. Cansada de ler textos frios sobre o conflito palestino-israelense, Susan Abulhawa decidiu escrever um romance quente, A Cicatriz de David (Editora Record, tradução de Maria Alice Máximo, 450 págs., R$ 39), ambientado entre 1941 e 2002 , justamente no lugar mais explosivo do planeta. O livro faz o maior sucesso nos EUA e pode vir a representar para os palestinos o que O Caçador de Pipas virou para os afegãos.


Em entrevista (leia nesta página) por telefone ao Estado , Susan Abulhawa não nega que, a exemplo de Khaled Hosseini, há em seu livro um pouco de militância pela preservação da memória de seus ancestrais. A narradora, Amal, nascida num campo de refugiados, preferiu, como a autora, partir para os EUA, mas não esqueceu os antepassados. Um deles é o David do título, chamado Ismael, como o filho de Abraão, antes de ser raptado por um oficial israelense – cuja mulher não pode ter filhos – e criado como uma criança judia. Vinte anos mais tarde, David vai lutar numa guerra fraticida contra o irmão mais velho, que o reconhece pela cicatriz no rosto.


É preciso ler A Cicatriz de David como uma narrativa transcultural que rejeita o apartheid, o nacionalismo e o fundamentalismo religioso, embora, na entrevista, a escritora palestina esclareça que sua intenção, ao ligar o rapto de Ismael aos crimes cometidos pelos nazistas contra os judeus na 2ª Guerra, foi justamente a de ilustrar como os palestinos acabaram pagando pelas atrocidades dos alemães com o sangue e a terra. Mas o livro, antes de tudo, é sobre a preservação da memória palestina e, embora não atinja a excelência literária do libanês Elias Khoury em Porta do Sol, vem aumentar a lista de títulos da Editora Record sobre o tema, como Em Busca de Fátima, de Ghada Karmi, que narra a experiência da própria família da autora, vivendo em Jerusalém durante o conturbado período da criação do Estado de Israel. Ghada Karmi tornou-se ativista com a derrota dos árabes na Guerra dos Seis Dias, quando Susan Abulhawa ainda era um bebê. Hoje, mil olhos palestinos como os das duas mulheres reveem a experiência judaica do exílio como a própria, uma vez que as duas escritoras optaram por viver em outros continentes (Ghada na Europa e Susan na América)e sentem-se quase obrigadas a manter viva a memória dos ancestrais.


Essa é, aliás, a missão que assume o médico Khalil, filho espiritual de um líder da resistência palestina em Porta do Sol. Em coma profundo num campo de refugiados, Yunis é uma metáfora da saga do povo palestino, mantido vivo graças à vigília do filho que, imitando o gesto de Xerezade, contra e reconta histórias de seu povo. A preservação da identidade cultural num mundo dividido é tema de outro livro que, como A Cicariz de David, foi também escrito por uma mulher, Ibtisam Barakatyam, Tasting the Sky: A Paltinian Chlidhood (Farrar Straus & Giro , R$ 58). Tocante.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Vovôs não emplacam


‘A ideia de colocar participantes da terceira idade no Big Brother Brasil não foi bem-aceita pelo público. Pelo menos é o que indicam sites, blogs e comunidades no Orkut com relação à nova edição do reality show da Globo.


Emparedados da vez, Naiá, de 61 anos, e Norberto, de 63, não conquistaram a simpatia do público, muito pelo contrário. Em sites que medem a popularidade dos participantes, ambos aparecem entre os últimos colocados.


A rejeição a Naiá é ainda maior. No site de relacionamento Orkut, a promotora de eventos ganhou comunidades de torcida contra como ‘Eu Odeio a Vovó Naná’ e ‘Fora Naná’.


O próprio apresentador do programa, Pedro Bial, chegou a dar ‘alfinetadas’ na dupla no ar, que dão sinais evidentes de imaturidade e soberba. A direção do reality esperava outra postura dos dois participantes.


A tentativa de emplacar a turma da terceira idade no formato também não deu certo lá fora. Tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, participantes mais velhos foram rapidamente eliminados do reality. Hoje, dia de paredão, é a vez de Naiá e Norberto provarem sua popularidade.’


 


 


 


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