Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

ARMAZéM LITERáRIO > ESTANTE

Poesia de jornalista mineiro

08/03/2005 na edição 319

[do release da editora]

A editora Anomelivros lança, em 17 de março, a partir das 19h, o livro Pavios curtos (‘insights poéticos, concretos, imagens e variantes’), do jornalista mineiro José Aloise Bahia.

José Aloise nasceu em Bambuí, Minas Gerais, e mora em Belo Horizonte. Tem ensaios, artigos, crônicas, resenhas e poemas publicados em diversos jornais, revistas e saites. Pesquisa comunicação social e suas interfaces com literatura, política, estética, imagem e cultura de massa.

Local: Quixote Livraria e Café (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi, Belo Horizonte)

Informações

anomelivros – Tel: (31) 9975-6627; e-mail: anomelivros@anomelivros.com.br

Jose Aloise Bahia: josealoise@aol.com



Posfácio

Fabrício Marques (*)

Imagem contra imagem. É disso que se trata: no mundo contemporâneo, tudo e todos são devorados pelas imagens, vorazes, cínicas, onipotentes e ilimitadas. Com o avanço tecnológico, cada vez mais elas nos invadem, nós que estávamos quietos em nosso canto.

E fechamos os olhos e reinventamos a (nossa) vida, em uma cidade pequena. Depois que o mundo chega ao fim, essa é uma boa imagem para começar de novo: um circo, o picadeiro, e crianças como platéia, descobrindo a dança das letras no caminho da pólvora.

Não se trata de nostalgia: é antes a evocação de uma ética das imagens. Como escreveu Nelson Brissac Peixoto, uma ética que dá tempo e lugar para as pessoas e as coisas.

Contra o ataque de qualquer veneno disponível no campo do olhar, um tempo para apreciar o rumor das imagens, como uma multidão de anjos e prostitutas no céu de Apollinaire, ou o som de rodas na curva dos trilhos, ou a fantasia da cor de Chagall.

De Drummond toma-se emprestado o jardim botânico habitado por ipês, risadas e a rosa do povo, nua; roubam-se de evidências do impossível no labirinto branco da tela de Iberê Camargo.

Paramos pra perceber uma Havanola nas ruas de Cuba; reparamos num conselho pregado no díptico: – ‘Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara’. Imagens em meio a imagens distorcidas, vistas por olhos míopes…

Em 1949, Rubem Braga escreveu uma bela crônica em que dizia: ‘Fala-se muito em mistério poético e não faltam poetas modernos que procuram esse mistério, enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem mais profundas…’.

Contudo, não se trata de procurar esse mistério, envolto em asas pela metade em azul cobalto.

É que não vemos mais as imagens. São elas que nos olham, desconfiadas, prontas para o bote. E, ao mesmo tempo, a memória morreu.

Resta plantar uma nova memória e, a partir daí, colher as imagens que clamam para ser lembradas. (Outubro de 2004)

(*) Jornalista, professor, poeta, doutor em Literatura Comparada pela UFMG e editor do Suplemento Literário de Minas Gerais)

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