Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ARMAZéM LITERáRIO > ELEIÇÕES 2008

Política e religião, mistura explosiva

Por Alberto Dines em 22/08/2008 na edição 499

Uma pesquisa divulgada na quinta-feira (21/8) nos Estados Unidos [ver aqui, em inglês] revelou que 52% dos entrevistados apóiam uma separação completa entre instituições religiosas e a política. Esta pequena maioria em favor do laicismo é a primeira registrada desde que o Centro de Pesquisas Pew começou a estudar o assunto, em 1996.


O curioso é que a tendência se manifesta também no grupo de eleitores conservadores, geralmente mais inclinados a misturar política e religião. Pergunta: será que no Brasil o resultado seria o mesmo?


Ingrediente perigoso


No momento em que nossos partidos perdem suas identidades, prenuncia-se nas próximas eleições uma radicalização religiosa deflagrada pela mídia. O candidato a prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB) é abertamente apoiado pela mídia evangélica, sobretudo o grupo da TV Record, dono da Igreja Universal.


O grupo Globo, ainda sem candidato a prefeito no Rio, faz campanha cerrada contra o mesmo Crivella por intermédio do seu jornal, um dos mais importantes do país. Pelo menos não esconde, nem finge isenção.


Já o Estado de S.Paulo prefere táticas mais sutis: faz carga contra o prefeito Gilberto Kassab para favorecer Geraldo Alckmin que, embora não assuma, segue a linha Opus Dei igualmente preferida pelo jornal.


A liberdade de crença é uma das cláusulas pétreas da nossa Constituição, mas a combinação através da mídia da disputa política com a disputa religiosa é explosiva, antidemocrática e, como se não bastasse, antipatriótica – porque infiltra na nossa sociedade o perigoso ingrediente do ressentimento religioso.


Pelo menos na opção pelo laicismo deveríamos seguir a tendência do eleitorado americano.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/08/2008 João Brito

    ‘Já o Estado de S.Paulo prefere táticas mais sutis: faz carga contra o prefeito Gilberto Kassab para favorecer Geraldo Alckmin que, embora não assuma, segue a linha Opus Dei igualmente preferida pelo jornal. ‘

    Em que fatos se baseia esse parágrafo? Em que momento O Estado de S. Paulo ou Geraldo Alckmin ergueram a bandeira da Opus Dei? Ouço muito isso, principalmente da esquerdinha, como se a Opus Dei e a TFP fossem a mesma coisa. Não são. Agora, o cara pode ser judeu, umbandista, ateu, protestante, etc, à vontade. Mas ser católico e participar da Opus Dei não pode. Talvez porque foi um movimento que se opôs àquela lenga-lenga da teologia da libertação, que a esquerdinha tanto preza. Não sei. O que sei é que existe um preconceito danado contra a Opus Dei.

  2. Comentou em 22/08/2008 Ulisses Santos

    Parabéns Roberto Ribeiro pela lucidez.

  3. Comentou em 22/08/2008 Miriam Beatriz Barbosa Corrêa

    A discussão sobre o Estado Laico versus Estado neoteocrático terá impacto fundamental no século XXI. Assistimos, em 1978 a revolução islâmica no Irã, sem imaginar que seus desdobramentos culminariam com os atentados de 11 de setembro de 2001. Claro que entre essas duas datas houve todo um desenrolar de teocratização de Estados no Oriente médio, a queda do muro de Berlim, a formação de milícias que defendiam a religião islâmica contra o ateísmo da URSS. Essas mesmas milícias se transformaram e/ou apoiaram os Talibãns. Convém lembrar que houve o financiamento pelos próprios EUA quando se tratava de combater o comunismo… Pois bem, do ovo surgiu a serpente. Fundamentalistas islâmicos lá. E aqui, no ocidente? Seria bom aprendermos algumas lições com isto. Já deveríamos ter aprendido as lições do genocídio praticado pelas cruzadas e pela inquisição católica. Na Itália juristas já estudam a possibilidade de conceituar crimes motivados pela cultura, tais como cliteroctemia, circuncisão, infibulação (costura da vagina deixando apenas um pequeno espaço para urinar), em geral praticado contra crianças indefesas, assassinatos de mulheres para preservar a honra dos clãs, etc. Todos essas violações dos DH têm sido motivados ou legitimados por religião. Poderíamos aqui discutir a relação entre os suicídios de indígenas e a presença de missões cristãs nas reservas, ou a homofobia…

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