Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ARMAZéM LITERáRIO > ESTANTE

Por dentro da máfia napolitana

20/01/2009 na edição 521

[do release da editora]

O cenário tem nomes glamourosos como Angelina Jolie, entre outras celebridades do jet-set internacional. Mas o glamour pára por aí. Gomorra – um híbrido entre Camorra e a cidade bíblica destruída pelo fogo dos céus – virou filme dirigido por Matteo Garrone. Consagrou-se com o Grand Prix em Cannes e vai representar a Itália no Oscar. O livro e o filme receberam a alcunha da crítica mundial de ressurgimento da arte italiana, nas letras e nas telas.

O porto de Nápoles é o ponto de partida para a jornada. Lá desembarcam diariamente todo tipo de mercadorias, vindas da Itália e de várias partes da Europa. São resíduos químicos, material tóxico e nada mais nada menos que cadáveres e esqueletos humanos. Tudo despejado clandestinamente na região da Campânia.

Dos contêineres à alta-costura, passando por Las Vegas, China, hotéis de luxo e culminando em toneladas de cocaína, o jornalista Roberto Saviano – que há mais de um ano encontra-se sob proteção policial por estar ameaçado de morte pela Camorra – se infiltrou em setores camorristas para descobrir as artérias do funcionamento da máfia napolitana, considerada a mais perigosa e temida do mundo.

Saviano ficou enclausurado por vários meses por conta das denúncias reveladas no livro-reportagem Gomorra. O autor, que só a partir de meados de novembro de 2008 voltou a participar de eventos em defesa da liberdade de expressão e de palestras sobre seu best-seller, foi homenageado pela Academia Nobel, em Estocolmo. A instituição promoveu neste mesmo mês uma conferência sobre liberdade de expressão em apoio a Saviano e Salman Rushdie – outro escritor de renome com a cabeça a prêmio – pela coragem de terem publicado livros que desagradaram autoridades religiosas, morais, políticas e organizações criminosas.

Entre bosses e killers, histórias de vida

Na Itália, Saviano não é o único repórter e escritor a ter arriscado a vida em prol de denunciar e divulgar as atrocidades da Camorra. Contudo, os gângsteres napolitanos não o perdoam pelo grau de detalhismo e investigação descrito em Gomorra.

Os bosses da Camorra constroem lá mesmo na Campânia – sobre os despojos tóxicos produzidos pela própria máfia – mansões luxuosas e não poupam em exuberância. São dachas russas, villas hollywoodianas, catedrais erguidas do mais nobre mármore. Saviano não poupa os leitores de detalhes sobre os domínios camorristas e dos perfis de figuras como Gennaro Marino McKay, Sandokan Schiavone, Cicciotto di Mezzanotte, Ciruzzo, o Milionário, que carregam nas costas centenas de assassinatos.

Gomorra, de Roberto Saviano, é preciso em informações, além de estilo incomparável no new journalism. O autor, natural de Nápoles, cresceu nas ruas e em cenários em que a máfia atua nas suas mais variadas máscaras e personagens.

O autor

Roberto Saviano nasceu no ano de 1979 em Nápoles, onde morava e trabalhava até publicar Gomorra. Integra o grupo de pesquisadores do Observatório sobre a Camorra e a Ilegalidade e colabora para os jornais Il Manifesto e Il Corriere del Mezzogiorno. Publica textos de ficção e reportagens nos veículos Nuovi Argomenti, Lo Straniero e nazioneindiana.com. Gomorra é seu primeiro livro publicado.

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