Terça-feira, 24 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº983
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ARMAZéM LITERáRIO > MERCADO EDITORIAL

Receita de venda de livros cai 5% em 2014

Por Raquel Cozer em 09/06/2015 na edição 854
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 4/6/2015

O faturamento do mercado editorial encolheu 5,16% em 2014 (já descontada a inflação) e ficou em R$ 5,4 bilhões, o pior desempenho em mais de uma década, segundo dados da principal pesquisa do setor.

O levantamento anual da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), feito por encomenda das entidades Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e CBL (Câmara Brasileira do Livro), foi divulgado nesta quarta (3), no Rio.

Em 2014, as editoras comercializaram 277 milhões de livros, ante 280 milhões no ano anterior. Essa pequena redução, quando a crise econômica ainda não era tão pronunciada, já era imaginada por editores, inclusive em razão da Copa, quando a procura por livros caiu.

O que puxou o desempenho para baixo, no entanto, foram as vendas para o governo. Nessa área, as compras variam a cada ano, conforme as séries escolares contempladas pelo maior programa do país, o PNLD (Plano Nacional do Livro Didático), do governo federal. Esse programa comprou 121 milhões de livros em 2014, queda de 31% ante os 176 milhões do ano anterior.

Considerando todas as esferas de governo (outros programas federais, além de estaduais e municipais), as vendas caíram 21%, de 200 milhões de exemplares em 2013 para 158 milhões.

Estados e municípios, embora correspondam a uma parcela menor do total dessas negociações, compraram bem menos –3 milhões, ante 10 milhões em 2013.

“Dependência”

Ao longo da última década, quase todas as pesquisas anuais da Fipe apontaram para um crescimento do setor, muito calcado no aumento das compras de livros pelo governo durante a gestão Lula.

Marcos Pereira, um dos sócios da Sextante e atual presidente do Snel, credita o impacto maior dessa redução em 2014 a um cenário de “dependência”.

“O mercado de livros no Brasil tem a maior participação de governo no mundo. Ela chegou a 28% em 2013 e caiu para 23% em 2014. Como as editoras sabem que o governo é um cliente importante, muitas direcionam seus esforços para atender a essa demanda. Quando essa demanda deixa de existir, elas têm um problema.”

Embora a Fipe analise também números de vendas de livros digitais, estes ainda carecem de precisão. Pelo levantamento, os e-books corresponderiam a 0,63% das vendas de livros no país, mas estimativas do mercado apontam para algo em torno de 3%.

A pesquisa foi feita a partir de informações passadas por 195 editoras, de um universo de cerca de 700, mas cujo faturamento corresponde a 71% do total. Os 29% restantes foram inferidos pela Fipe a partir dos dados fornecidos pelas editoras participantes.

***

Raquel Cozer é colunista da Folha de S.Paulo

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