Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ARMAZéM LITERáRIO > CHINA

Repórter preso por noticiar crime hediondo

27/09/2011 na edição 661
Tradução e edição: Leticia Nunes

Um jornalista chinês foi detido depois de noticiar um crime brutal – mais de duas semanas após a prisão do suspeito de o ter cometido. Ji Xuguang, repórter do jornal Southern Metropolis Daily, publicou matéria que informava que um homem da cidade de Luoyang, na província de Henan, havia mantido seis mulheres presas em um abrigo subterrâneo e assassinado duas delas. Oficialmente, o homem, identificado como Li Hao, foi preso sob acusação de “revelar segredos de estado”.

De acordo com a matéria de Xuguang, Hao, de 34 anos, teria sequestrado as mulheres, de 16 a 24 anos, e as mantido prisioneiras em uma espécie de calabouço que construiu embaixo de um porão alugado. Por dois anos, ele teria estuprado as mulheres. O jornalista recebeu as informações de um policial, que contou ainda que o homem mantinha suas vítimas desnutridas, para que não tivessem forças para fugir, mas deu a elas dois computadores para que pudessem passar o tempo com filmes e jogos. Hao, casado e pai de um filho, vivia em outro lugar da cidade. Ele foi preso no início de setembro, quando uma das mulheres conseguiu fugir e chamou a polícia.

Competição nacional

Xuguang soube da história depois de passar alguns dias em Luoyang para apurar o assassinato de um repórter de TV local. Depois de ser detido e passar por interrogatório, ele foi liberado na quinta-feira, 22, e escreveu um artigo acusando as autoridades de tentar esconder do público o crime hediondo que ocorreu a poucos quilômetros da secretaria de segurança pública da cidade.

“Eu estava apenas pensando em como tornar minha matéria o mais precisa possível e satisfazer o direito do público à informação, mas logo descobri que falhei em abordar a questão mais importante”, escreveu. “Antes que a verdade se torne um segredo de estado, o público e eu precisamos de respostas”. O repórter afirmou ter descoberto ainda que as autoridades classificaram o caso de segredo de estado porque temiam que o crime prejudicasse Luoyang em uma competição nacional para escolher a “Cidade Civilizada”. Informações de Andrew Jacobs [The New York Times, 24/9/11]

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