Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ARMAZéM LITERáRIO > THE WASHINGTON POST

Resoluções para 2006

02/01/2006 na edição 362

Em sua primeira coluna de 2006 [1/1/06], a ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, escreveu sobre algumas conclusões a que chegou em seus primeiros meses no cargo e arriscou algumas resoluções para o ano que se inicia. Ela lembrou que 2005 não foi um bom ano para os jornais, tanto financeiramente como jornalisticamente, e ressaltou que, como ombudsman, não costuma receber elogios sobre jornalismo ou especificamente sobre o Post. Ainda assim, Deborah diz que mantém as esperanças sobre o papel que seu cargo representa, tendo em vista que servir aos leitores através de um jornalismo independente é, para ela, uma tarefa de extrema importância.


Na opinião de Deborah, somente um jornal forte financeira e editorialmente publica matérias com revelações relevantes. A ombudsman cita alguns temas abordados pelo Post durante o ano, como as prisões secretas da CIA no Leste Europeu e o pagamento do lobista Jack Abramoff a jornalistas para escreverem textos favoráveis a seus clientes.


Ela declara, no entanto, que algumas dessas matérias assustam os leitores, que temem que a segurança da nação – a sua segurança – seja ameaçada com tais revelações. A ombudsman afirma que, com independência, os bons editores e repórteres carregam também uma grande responsabilidade nas mãos. ‘É muito intimidante ser um jornalista atualmente. Havia um tempo no qual repórteres não assinavam as matérias e eram protegidos pelo anonimato. Hoje, principalmente os jornalistas que cobrem política e segurança nacional são mais vigiados do que nunca’, opina Deborah. ‘Se o que nós escrevemos apóia as crenças de uma determinada pessoa, ela vai mandar para seus amigos por e-mail. Se estes não concordarem, eles atacam, geralmente nos tendo como alvos’, revela Liz Spayd, editora-assistente da seção de notícias nacionais.


Segundo a ombudsman, a maioria dos contatos dos leitores – seja por telefone, e-mail ou cartas – vem daqueles que são extremamente partidários. Ela diz que os conservadores não parecem se lembrar o quão duro o Post foi ao cobrir a administração Clinton, sendo o primeiro a divulgar o escândalo com Monica Lewinsky. Já os liberais esperam que o Post seja o porta-voz do Moveon.org, grupo anti-Bush criado na internet.


Para harmonizar as relações


Em resposta às críticas lidas e ouvidas em 2005, Deborah propõe algumas sugestões para os críticos, para o jornal e para ela própria. Para quem critica: seja cortês. Os jornalistas enfrentam prazos, questões de anonimato, locais e personagens perigosos e outros obstáculos diários com os quais têm de lidar em seu trabalho. Se o trabalho de um jornalista for questionado, a dúvida deve ser justificada.


Para o Post: com a circulação dos jornais cada vez mais em queda, é necessário ter uma impressão de qualidade e ser entregue pontualmente. Além disso, o conteúdo jornalístico deve ser escrito da forma mais profissional possível. ‘O jornal não deve dar motivos para os críticos. Nós devemos renovar os esforços de sermos fanáticos sobre precisão e objetividade. Devemos deixar as opiniões para os colunistas, páginas editoriais e blogueiros. O jornal deve ser o mais transparente possível’, afirma Deborah, concluindo que a postura dos jornalistas também deve ser esta quando são entrevistados na televisão, rádio ou em chats na internet.


Para a ombudsman: ir além dos insultos e do furor e ter um diálogo saudável com os leitores e jornalistas do Post. Se for encontrado um erro ou parcialidade, eles devem ser sempre investigados.

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