Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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ARMAZéM LITERáRIO >

Retrato do jornalismo catarinense

Por Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti em 10/05/2005 na edição 328

Um livro como este dispensaria apresentações. Tanto por seu título quanto por seu escopo. Tanto pelos autores quanto pelo ineditismo da obra. Entretanto, os organizadores deste Jornalismo em perspectiva consideram necessárias algumas palavras não para introduzir o leitor nas histórias que verá a seguir, mas para reconhecer e sublinhar os esforços aqui empreendidos.

Este livro marca as celebrações dos 50 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina, entidade que vem acompanhando a evolução do jornalismo no estado e que vem contribuindo para muito desse desenvolvimento. Mas este não é um livro sobre o sindicato. A obra se debruça muito mais sobre o próprio jornalismo que vimos construindo nas últimas décadas, fatia de tempo fartamente recheada pelos avanços tecnológicos, pela profissionalização do exercício e pela consolidação do jornalismo como uma atividade vital para a sociedade.

Os últimos 50 anos mudaram a face da vida humana no globo, alterando nossas relações interpessoais, modificando o impacto sobre o meio ambiente, conferindo novos contornos também às nossas idéias e condutas. O mundo parece ter ficado menor com as novas velocidades dos meios de transporte e mesmo com a facilidade de manuseio e agilidade dos veículos de comunicação. Isso se traduziu em outras sociabilidades e comunicabilidades. Assistimos a uma enxurrada de progressos ao mesmo tempo em que percebemos o aumento da desigualdade social, dos confrontos armados e da complexidade das sociedades. A vida parece ter ficado mais rápida, mais curta. Os meios de comunicação registraram tudo isso, e o jornalismo apressou-se em contar as histórias que serviam de fundo para as revoluções tecnológicas, morais e de comportamento.

Na última metade do século 20, Santa Catarina deixou um modesto posto entre as unidades da federação para se converter num destacado produtor agrícola, num estado industrialmente competitivo, num pólo tecnológico, num diversificado exportador. E tudo isso apesar da sua pouca extensão territorial. Em 50 anos, o estado ampliou a qualidade de vida, investiu em infra-estrutura e melhorou seus índices de desenvolvimento humano. A mídia e a indústria cultural também se expandiram, cobrindo todas as regiões catarinenses, fazendo circular bens e notícias, arte, diversão e informação.

Impressões digitais

O jornalismo catarinense deu sucessivos saltos de qualidade neste período: estendeu a malha de cobertura noticiosa, fortaleceu sua infra-estrutura e passou a capacitar melhor os seus profissionais. Por conta de sua distribuição geográfica, o estado viu surgirem no interior influentes jornais e empresas de radiodifusão. Escolas de comunicação se espalharam, tornando-se os berçários dos novos jornalistas. Paralelamente, o mercado publicitário também evoluiu, fazendo girar a roda da fortuna nos departamentos comerciais. Um pouco desse mosaico de realizações está descrito nas próximas páginas, de forma a registrar parte das ações humanas no campo da comunicação em Santa Catarina.

Para tanto, foram convidados jornalistas de todo o estado para tentar oferecer ao leitor um retrato de 50 anos de jornalismo. Repórteres, colunistas, editores, chargistas e ilustradores, homens e mulheres dos mais diferentes meios reúnem aqui uma generosa parcela da história recente do campo jornalístico local. É evidente que o tema não se esgota neste título. Muita gente e muita história ficaram de fora. O que só alimenta a disposição pelo resgate de mais fatos em novos volumes, como bem o fazemos cotidianamente no jornalismo. Autêntico trabalho de Sísifo, o exercício de reportar os fatos não termina nunca, sabemos todos.

Este Jornalismo em perspectiva não dá conta de tudo o que se produziu em meio século na área. Mas isso já era esperado desde os primeiros instantes dessa idéia. A intenção era mesmo produzir uma obra multifacetada, parcial, plural, dinâmica. Ao longo dessas páginas, o leitor vai se deparar com a menção a nomes já mitificados na imprensa local e vai encontrar também a citação de autores de outros capítulos do volume. Não é mera coincidência, já que alguns dos convidados a escrever não apenas foram testemunhas dos acontecimentos como imprimiram suas digitais neles, participando ativamente da história.

Esforço coletivo

O livro foi totalmente produzido por jornalistas: dos textos às ilustrações, da capa ao projeto gráfico, da organização e revisão à captação de recursos para a sua impressão. Disposto em três partes, o conteúdo não apenas reconta a trajetória dos acontecimentos que talharam o jornalismo catarinense nos últimos 50 anos. Inicialmente, é apresentada uma certa geografia do fazer jornalístico no estado, seção em que o leitor poderá visualizar as regiões catarinenses como peças de um quebra-cabeça. Nesta parte, o foco se desloca do Planalto Serrano ao Vale do Itajaí, do Norte ao Sul e passando pelo Oeste e pela região metropolitana, salientando a imprensa local, os principais nomes, as maiores empresas.

Na segunda parte do livro, a produção jornalística de outros meios é mostrada. O fio condutor é o conjunto de expansões e transformações que a atividade sofreu no rádio e na televisão, na fotografia e na política, bem como os impactos das assessorias de comunicação no mercado de trabalho.

Como nenhum balanço é completo sem a miragem de algum futuro, a terceira parte do livro realça as inovações que marcaram o jornalismo local e sinalizam algumas perspectivas para a área. O advento das escolas de comunicação, a discussão sobre a ética profissional e a chegada dos computadores às redações são alguns dos tópicos abordados. Mas também são apontadas a participação das mulheres no fazer jornalístico e as contribuições do Sindicato dos Jornalistas na articulação dos profissionais.

Jornalismo em perspectiva serve de registro do passado, reflete ações do presente e lança luzes para caminhadas futuras. As contribuições que este livro oferece vão da preservação da memória de um tempo ao desenvolvimento de novos procedimentos que aperfeiçoem as práticas diárias dos que vivem das notícias.

Este projeto deve um agradecimento especial à Universidade Federal de Santa Catarina, que patrocinou a impressão desta obra, e a todos os jornalistas envolvidos na sua produção. Uma história do jornalismo catarinense – mesmo que parcial – só poderia mesmo ser escrita por jornalistas. Os que aqui imprimem as suas assinaturas, o fizeram sem nenhuma remuneração, sem qualquer menção a ganhos eventuais. Todos os autores deste Jornalismo em perspectiva acreditaram no projeto, e cederam direitos autorais, e parcela de sua energia e entusiasmo para viabilizar o produto. As páginas que o leitor vê a seguir foram pura obra de um esforço coletivo.

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Ela, jornalista e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); ele, jornalista e professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali)

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