Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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ARMAZéM LITERáRIO >

Rita Célia Faheina

09/06/2009 na edição 541

‘Pode existir economia movida à felicidade? Vários leitores acreditam que não e deram opiniões discordando do tema no caderno de Economia do último domingo, 31. As matérias se referiam ao índice que mede a Felicidade Interna Bruta (FIB) que já é aplicado no Butão, no reino asiático, habitado por cerca de 700 mil pessoas. Ali, segundo consta na matéria, o Produto Interno Bruto (PIB) foi substituído, há mais de 30 anos, pela FIB. Lá, o nível de satisfação das pessoas é o fator mais importante para medir a saúde econômica e social.

No caderno também é citado um exemplo brasileiro. O índice FIB é aplicado, desde 2008, na cidade de Angatuba (SP) e, em Fortaleza, há um projeto para aplicá-lo no Conjunto Palmeiras. Será possível isto? Leitores opinam, e com razão, que nunca haverá um critério objetivo para mensurar felicidade. Economia movida à felicidade não tem sentido, na opinião do sociólogo Ireleno Benevides. Ele fez críticas à matéria e, inclusive, observou o mesmo que citei no comentário interno da última segunda-feira: a publicação da foto de uma jovem bonita, sorridente, usando biquíni, sem ter qualquer relação com a matéria (pagina 27) que era sobre a pesquisa do Laboratório de Estudos da Pobreza da UFC. Nenhuma legenda para a fotografia.

‘Pensei que fosse um anúncio porque a foto não combinava com o texto. Pena tanto espaço desperdiçado com esta matéria no O POVO’, diz uma leitora. Para ela, não se pode medir a felicidade em lugar nenhum. É algo subjetivo e cada um tem o seu conceito de felicidade. O professor Ireleno reforça que a felicidade não é um valor que possa ser aferido. Na sua opinião, a matéria foi infeliz. Concordo que será impossível medir a felicidade de alguém usando um indicador. O jornal utilizou muito espaço para algo surreal.

A editora-executiva do Núcleo de Negócios, Neila Fontenele diz que o tema foi baseado no livro Felicidade, do professor Eduardo Gianneti que tenta mensurar o assunto com base no olhar de um jornalista, um economista, um historiador e um ex-marxista. ‘Tivemos ainda a ideia mais solidificada quando vimos que está sendo implantado o índice FIB (Felicidade Interna Bruta), que começou a ser aplicado num país pequeno e com indicadores econômicos muito ruins’.

Segundo Neila, em nenhum momento, a repórter Sandra Nagano (autora das matérias) diz que tem como se mensurar a felicidade. Cita, no texto, que existe uma tentativa e que os economistas não conseguem fazer esses cálculos por ser uma questão subjetiva. ‘Por isso, trabalhamos com os indicadores de bem-estar com uma pesquisa inédita feita pelo Curso de Pós-graduação em Economia (Caen/UFC). Entendo a reação dos leitores com relação ao tema, mas nós queríamos mostrar o esforço para se tentar uma questão que é bem subjetiva’.

Cobranças dos leitores

Várias respostas dadas aos leitores, nesta coluna, sobre a solução de problemas nas edições demoram a ser concretizadas. Uma delas é a promessa de que a socióloga Peregrina Capelo, que deu entrevista para o caderno Sabores da série Fortaleza – Sentidos da Cidade. Os cadernos foram publicados no período de 13 a 17 de abril passado para comemorar os 283 anos da Capital.

Muitos leitores reclamaram de erros de informação citados pela socióloga na entrevista publicada no dia 14 daquele mês. Peregrina (que pesquisa a gastronomia cearense há oito anos) afirmava, por exemplo, que o baião de dois é uma tradição portuguesa copiada dos árabes, da mistura do arroz com lentilha. Leitores protestaram e disseram que o prático típico do Ceará vem da senzala onde os negros aproveitavam os restos dos alimentos e davam origem a novos pratos. Houve outras informações questionadas como a origem da tapioca que ela disse ser portuguesa, e os leitores afirmaram ser indígena e o coco ser da África, quando na verdade a origem é indiana ou do continente asiático.

Responsável pela coordenação editorial dos cadernos, Regina Ribeiro, disse, na época, que tinha enviado à socióloga, o texto publicado e as incorreções apontadas. Ela prometeu responder e enviar ao jornal. Quase dois meses depois, não enviou.

Outra cobrança insistente dos leitores é para o retorno do Clubinho. Na semana passada, recebi e-mail de Nartinelli Andrade dizendo que o caderno infantil faz muita falta na edição de domingo e pergunta: Até quando vamos esperar pela reestruturação? Uma estudante pernambucana, concludente do Curso de Jornalismo estava avaliando o caderno e perguntou o porquê do Clubinho não estar mais sendo publicado.

A resposta foi a mesma dada, em abril passado, pela editora-executiva da Redação, Fátima Sudário: o caderno enfrentava problemas de identidade editorial e precisa ser repensado. Não há data definida para voltar a circular. Ela ficou angustiada porque iniciara a monografia analisando um produto que está suspenso. Para as crianças leitoras do O POVO restou o programa de lazer divulgado no Buchicho Guia, às sextas-feiras. O que é muito pouco.’

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