Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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ARMAZéM LITERáRIO > ENTREVISTA / PAULO MARKUN

Trajetórias que se tocam

Por L.E. em 19/10/2004 na edição 299

[do release da editora]

Paulo Markun é jornalista profissional desde 1977. Já foi repórter, editor, comentarista, chefe de reportagem e diretor de redação em emissoras de televisão, jornais e revistas. Atualmente, apresenta o Roda Viva, na TV Cultura, faz comentários de política no Jornal do Terra e preside o Santacine, Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de Santa Catarina, onde vive desde 1998. Criou veículos de comunicação (Pasquim São Paulo, Imprensa, Radar, Deadline, Jornal do Norte), escreveu oito livros, dirigiu documentários e vídeos.

O Sapo e o Príncipe conta a história de uma nova geração que chegou ao poder, nos últimos dez anos de Brasil. Do sociólogo que estudou em Paris ao retirante nordestino que assumia a Presidência da Republica, eles representam faces diversas de um mesmo país. Acompanhando a vida de Lula e FHC, Markun traça um painel dos bastidores da política brasileira a partir de minuciosa pesquisa, entrevistas, depoimentos e reportagens.

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Esta entrevista de Paulo Markun ao Observatório foi feita por e-mail (Luiz Egypto)

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Não tem saída: os jornais não investem e o lugar da grande reportagem é o livro. Concorda com isso? Por quê?

Paulo Markun – Sem dúvida. O livro é o espaço que sobrou para a grande reportagem. Acho que isso tem a ver com a crise da mídia e também com a idéia, errônea, creio, de que não será possível recuperar o investimento num trabalho de maior fôlego. O que é discutível, pois projetos como o que acabo de publicar não se beneficiam das leis de incentivo. São fruto do investimento pessoal e da aposta da Editora Objetiva, cujo apoio e participação crítica muito ajudou no resultado final.

Na foto da capa, Lula e FHC distribuem jornais em porta de fábrica. Que livre associação de idéias isto sugere ao criador da coluna ‘Pensata’ (revista Imprensa, ano 1)?

P.M. – Inevitável imaginar que no PT de hoje, o Fernando Henrique de 1978 certamente teria lugar e espaço. FHC não entrou no PT, em 1980, porque defendia a idéia de um partido aberto a alianças. De lá para cá, ele mudou de posição e o PT também. Mas o fato é que Lula e Fernando Henrique estiveram juntos várias vezes em todo esse processo e continuam amigos, apesar das trombadas e divergências.

A foto é um primor. Onde a achou?

P.M. – A foto estava no arquivo da Abril Image, mas sem a autorização para publicação. Foi a equipe da Objetiva que localizou o fotógrafo, depois de dois meses de trabalho, no ABC.

O que de novo seu livro revela sobre trajetória de dois personagens tão exaustivamente cobertos pela mídia?

P.M. – Creio que a maior contribuição é justamente a do vôo panorâmico sobre um período de tempo maior. Parte da história de Lula e de FHC foi pouco narrada pela grande imprensa. E há detalhes saborosos e interessantes relacionados à campanha de 2002 e ao processo pacífico de transição.

Quer acrescentar algo?

P.M. – O livro foi feito para quem nem ao menos gosta de política. Aborda o processo que nos levou à democracia, a partir da trajetória pessoal de quatro personagens relevantes nessa história: FHC e Lula, Pedro Malan e José Dirceu. Pode ser lido apenas por quem tem curiosidade sobre a trajetória dessa geração que finalmente chegou ao poder. Mas procurei respeitar as boas normas do jornalismo na construção de uma novela fabulosa.

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