Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ARMAZéM LITERáRIO > ENTREVISTA / CAIO TÚLIO COSTA

‘Um elogio à necessidade do método em jornalismo’

16/05/2006 na edição 381

Por que reeditar Ombudsman – O Relógio de Pascal quinze anos depois? O livro não é datado?

Caio Túlio Costa – Muitas pessoas me pediam o livro. Cheguei a fazer fotocópias e mandar para quem pedia. Sempre que vou dar palestras, tanto em empresas quanto em faculdades, as pessoas perguntam do livro, reclamam que não encontram mais… O capítulo realmente datado era aquele que tratava da crise dos jornais em todo o mundo. Precisava atualizar, falar das novas mídias principalmente porque a primeira edição é pré-internet. Ao reler também senti vontade de conversar e fazer algumas perguntas aos que me sucederam no cargo, para ver como cada um avalia a experiência.

O que esta edição ganha com a atualização?

C.T.C. – Mexi o que pude em todos os capítulos onde cabia alguma atualização de dados. Extirpei bobagens que havia escrito, como chamar de aventureiro o jornalista Augusto Nunes, o que ele provou não ser. Contei por inteiro a história que envolve a Folha, o ex-ministro Bernardo Cabral e o ombudsman, quando tive a conversa mais dura em todo o meu tempo na Folha com o Sr. Octávio Frias de Oliveira, o mais sábio dos professores de jornalismo que já tive. Completei a história sobre a saída do Paulo Francis, acrescentei um capítulo em que entrevisto todos os que me sucederam – são seis jornalistas – e o antigo capítulo da crise dos jornais foi transformado num ensaio sobre os problemas que as velhas mídias enfrentam com a emergência das novas mídias.

Qual o interesse do livro para quem não é jornalista?

C.T.C. – Ele é útil para todos que consomem informação, de qualquer tipo de mídia, seja internet, TV, jornal impresso, rádio ou revista. Traz ferramentas ao consumidor de proteção contra a arrogância da mídia e o ajuda a entender melhor alguns dos meandros do processo de feitura da notícia. Ele também funciona como um contraponto para todo profissional que trabalha com atendimento ao consumidor, para profissionais envolvidos em CRM (customer relationship management), estudantes, professores de jornalismo e das demais áreas da comunicação. Há capítulos com casos curiosos (como o que trata da pergunta sobre a passagem do finito para o infinito; o do caso do leitor cartesiano de Muzambinho, pequena cidade de Minas; um outro sobre brigas com colegas da redação) que por si divertem quem o lê, como eu me diverti ao escrever.

Esse livro pode ser usado em sala de aula?

C.T.C. – Não só pode como tem essa vocação. Tem sido usado em cursos de Jornalismo, de Publicidade, de Relações Públicas, de Administração (quando o assunto é relacionamento com o consumidor) e tem sido muito útil também em aulas sobre ética (em especial o capítulo que dá nome ao livro e trata da crítica na imprensa) e como fazer jornalismo.

Quem leu a edição anterior do livro precisa ler essa nova?

C.T.C. – Sim, se quiser se atualizar. Quem tem pouco tempo e desejar ir direto às partes inéditas do livro, sugiro que leia os capítulos 3 (sobre os ombudsmen em geral e a criação editor público no New York Times); 8 (sobre o Caso Bernardo Cabral), 11 (sobre o salmão, Paulo Francis, e a sardinha, o ombudsman), 16 (sobre as pesquisas de opinião), 17 (sobre os desafios do jornalismo frente as novas mídias) e o 19 (sobre os sucessores).

O título anterior era somente O Relógio de Pascal. Por que se acrescentou a palavra ombudsman?

C.T.C. – Porque o brasileiro construiu tal intimidade com a palavra que ela deixou de ser o palavrão que era no começo dos anos 90, quando a primeira edição foi lançada. Como o livro trata disso, nada mais lógico que leve a palavra que o define.

Dizem que é porque muita gente confunde O Relógio de Pascal com O Pêndulo de Foucault (de Umberto Eco) e que você fica constrangido com a semelhança…

C.T.C. – É mesmo, costumam falar em ‘Pêndulo de Pascal’ ou em ‘Relógio de Foucault’. O importante, no entanto, é que o título remete a um método que o filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662) usava para acompanhar o tempo e nunca dar ‘chutes’. Quando alguém lhe perguntava quanto tempo passara, ele respondia com precisão depois de consultar um relógio preso ao pulso, coisa absolutamente inédita naquele tempo. O livro é um elogio ao método, à necessidade do método em jornalismo.

A proximidade deste encontro de ombudsmen em São Paulo, promovido pela Folha, não torna o lançamento deste livro algo oportunista?

C.T.C. – Totalmente oportunista, no bom sentido. Vem para colaborar e enriquecer ainda mais a discussão. A imprensa, a Folha em especial, vai falar bastante de ombudsman neste mês de maio, uma excelente oportunidade para reeditar o livro do primeiro ombudsman. Na verdade, eu devia a reedição e trabalhava nela bem antes de saber deste encontro. A coincidência é muito boa.

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