Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1062
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ARMAZéM LITERáRIO >

Um livro cínico e devastador

16/06/2009 na edição 542

[do release da editora]

A Vida É Sempre Assim Às Vezes, nono livro de Wladyr Nader, é uma nova contribuição ao entendimento do que ocorreu de 64 a 85, quando a ditadura militar fez do Brasil um dos países mais infelizes da América Latina.

Na verdade, o romance do criador da extinta revista literária Escrita reconta o que aconteceu de estranho na administração pública, de que se beneficiaram apenas os donos da situação e seus acólitos. Já no início do processo de tomada de poder se impuseram duras e diferentes regras do jogo que levaram a uma caótica reestruturação social, da qual as pessoas participaram contrariadas, muitas delas acreditando que, de uma forma ou de outra, mudanças seriam benignas.

Como se sabe, deu no que deu. A idéia do autor foi criar um personagem que se deixa arrastar pelas circunstâncias e se envolve pessoalmente na chamada Revolução de 64, apropriando-se das benesses oferecidas pelos poderosos de plantão. O problema que o livro coloca é se de alguma maneira sua criminosa opção valeu a pena para os demais.

Nesse sentido é que A Vida É Sempre Assim Às Vezes é um livro cínico e devastador, onde as aparências mais uma vez enganam, pois, paralelamente à trama central, em que são colocadas em xeque relações familiares, mais deterioradas naquele período do que nunca, não se pode esquecer das que juntaram corrupção a abusos de toda sorte, inclusive tortura, injustiça e miséria.

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