Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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ARMAZéM LITERáRIO > ESTANTE

Um romance da decadência do ensino

26/08/2008 na edição 500

[do release da editora]

O jornalista Felipe Pena conhece a fundo os bastidores da educação brasileira. Tirou de sua vivência e desse cenário a substância para o seu romance de estréia O analfabeto que passou no vestibular, que chega às livrarias com o selo da 7Letras.

O livro não poderia ser mais atual: milícias, traficantes, políticos, universidades de qualidade duvidosa, grupos estrangeiros inescrupulosos e drogas sintéticas – elementos que ajudam a compor um enredo repleto de reviravoltas e momentos surpreendentes. O leitor é envolvido em uma trama de suspense que, nas entrelinhas, denuncia a decadência do ensino universitário no Brasil.

Uma estudante baleada no campus da universidade durante o intervalo das aulas é o fio condutor do romance que desnuda o funcionamento das universidades/empresas, onde imperam os fins lucrativos, o desinteresse pela (boa) formação do estudante, a decadência dos valores morais e a disputa por alunos/clientes.

O elenco de personagens e os ambientes retratados pelo autor – que define a obra como ficção jornalística – também fazem do livro um thriller político-policial (e corporativo) para gerar reflexões em um país que finge não ver a decadência do ensino superior.

A pesquisa em recortes de jornal foi um instrumento de apoio para o romance de Felipe Pena que descreve milícias, traficantes e políticos na disputa pelo controle de uma nova droga sintética, criada no laboratório de farmácia de uma faculdade particular. Atual e verossímil pela formidável astúcia do enredo, O analfabeto que passou no vestibular é capaz de manter o suspense num crescendo vertiginoso até a última página.

‘A saraivada de balas não a assustou. Não era esse o motivo de seu desespero. Como os tiroteios eram constantes, os alunos tinham a capacidade de identificar a procedência da munição. Faziam até brincadeiras de adivinhação e bancas de aposta. Para eles, nada mais banal do que a violência. O homem que a perseguia usava uma pistola colt 45, não tinha um fuzil. Portanto, ela não era o alvo daqueles tiros. Pelo menos, ainda não. ‘

O autor

O jornalista Felipe Pena é professor do doutorado em Comunicação da Universidade Federal Fluminense e doutor em Literatura pela PUC-Rio, com pós-doutorado pela Universidade de Paris/Sorbonne III. Foi repórter da TV Manchete, comentarista da TVE-Brasil e sub-reitor da Unesa. É editor-chefe da revista Contracampo e autor de oito livros na área acadêmica, entre eles Teoria do Jornalismo (Contexto, 2005) e Teoria da biografia sem fim (Mauad, 2004). Nasceu no Rio de Janeiro, em 1971.

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Leia quatro capítulos do livro no site do autor.

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