Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ARMAZéM LITERáRIO > MÍDIA & JUSTIÇA

Um tiro no pé da imprensa

Por Luciano Martins Costa em 23/12/2009 na edição 569

Na semana em que um ministro do Superior Tribunal de Justiça suspende as ações judiciais derivadas da Operação Satiagraha contra o banqueiro Daniel Dantas, e em que a Folha de S.Paulo foi condenada a pagar uma indenização milionária ao juiz Ali Mazloum, da Justiça Federal de São Paulo, fica claro que o esforço da imprensa para se beneficiar de parcerias heterodoxas no Judiciário começa a dar seus frutos. Mas podem ser frutos amargos para a imprensa, para a Justiça e para a sociedade.


O ministro Arnaldo Esteves Lima, do STJ, que suspendeu os atos judiciais contra o banqueiro, se declara surpreso com a repercussão de sua decisão. Afinal, observa em entrevista, trata-se de medida rotineira, sem conteúdo decisório, que vai valer apenas durante o período de recesso dos tribunais.


Há controvérsias: segundo a Folha, que ouviu magistrados e autoridades que atuaram na investigação, 62 cotistas do fundo Opportunity foram beneficiados com a suspensão das ações, que também abre uma brecha para Daniel Dantas e seus associados pedirem a liberação de contas bancárias e de usufruto de bens que estavam bloqueados por decisão do juiz Fausto Martin De Sanctis.


Frutos indigestos


Em artigo publicado na edição de quarta-feira (23/12), o jornalista Frederico Vasconcelos, autor das reportagens que envolveram o nome do juiz Ali Mazloum e condenado junto com a Folha ao pagamento de R$ 1,2 milhão como indenização por danos morais, levanta dúvidas sobre a clarividência do autor da sentença.


Segundo Vasconcelos, na ocasião das reportagens, produzidas a partir de 2003, Mazloum teve muitas oportunidades para oferecer sua versão dos fatos, e, antes de pedir a indenização milionária, nunca usou o direito de resposta ou retificação das acusações que lhe eram feitas.


Recorde-se, a propósito, que o direito de resposta desapareceu com a Lei de Imprensa, sob aplausos da imprensa.


O jornal está recorrendo da condenação e, a menos que tudo esteja virado de pernas para o ar, a decisão deverá ser revista. No entanto, sobram sinais de que a relação entre a imprensa e a Justiça, envenenada pela estratégia das grandes empresas de jornalismo de influenciar decisões judiciais na base da oferta de vitrines para egos superiores, seguirá produzindo seus frutos indigestos.


Mais uma vez, parece que a imprensa deu um tiro no próprio pé.

Todos os comentários

  1. Comentou em 24/12/2009 Jefersom Saconato

    É sabido por qualquer cidadão com um minimo de esclarecimento, que a imprensa brasileira é um covil de políticos e empresários sem escrúpulos, que usa o poder da mídia para beneficio próprio, criando factóides e arruinando reputações ilibadas (Ibsen Pinheiro que o diga), apenas para beneficio do dono da empresa de comunicação e/ou seus amigos, e o profissional jornalista torna-se refém e/ou pactua com estes interesses, há muito se perdeu o cunho puramente jornalistico que seria de informar e dar subsídios aos leitores (ouvistes, etc…). E estes mesmos jornalistas que pregam a liberdade de imprensa, ou que não pactua com este jeito perverso de exercer o jornalismo, é tão ou mais corporativista do que as classe que ela mesma vive criticando. Sabendo disso, acho correto que pague e mais caro por seus desvios, e agora sem o muro da lei de imprensa para protege-los.

  2. Comentou em 24/12/2009 Jefersom Saconato

    É sabido por qualquer cidadão com um minimo de esclarecimento, que a imprensa brasileira é um covil de políticos e empresários sem escrúpulos, que usa o poder da mídia para beneficio próprio, criando factóides e arruinando reputações ilibadas (Ibsen Pinheiro que o diga), apenas para beneficio do dono da empresa de comunicação e/ou seus amigos, e o profissional jornalista torna-se refém e/ou pactua com estes interesses, há muito se perdeu o cunho puramente jornalistico que seria de informar e dar subsídios aos leitores (ouvistes, etc…). E estes mesmos jornalistas que pregam a liberdade de imprensa, ou que não pactua com este jeito perverso de exercer o jornalismo, é tão ou mais corporativista do que as classe que ela mesma vive criticando. Sabendo disso, acho correto que pague e mais caro por seus desvios, e agora sem o muro da lei de imprensa para protege-los.

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