Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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ARMAZéM LITERáRIO >

Um livro para estudos e polêmicas

Por Carlos Chaparro em 06/11/2007 na edição 458

A Comunicação Empresarial já foi disciplina com ementas bem delimitadas, mas teoricamente pobres, em currículos de graduação e pós-graduação. A leitura deste livro, porém, leva-nos à hipótese de que a burocrática disciplina de vinte anos atrás tornou-se área acadêmica e profissional de múltiplos saberes. O sumário desta coletânea nos anuncia estudos e reflexões em torno de um considerável elenco de temas especializados, entre os quais coisas tão convergentes e tão diversificadas, eventualmente até divergentes, quanto estas: assessoria de imprensa; imagem pública; comunicação nas organizações sociais, não-governamentais e no terceiro setor; marketing social; jornalismo; comunicação pública; comunicação comunitária; teorias da comunicação; publicidade, propaganda institucional e relações públicas; gerenciamento de crises; dependência informativa; e atuação das fontes na esfera midiática.


Temos aqui um livro que, pela qualidade dos textos e pela respeitabilidade dos autores, ajudará a confrontar idéias, nutrindo e iluminando o debate com pontos de vista especializados, teoricamente fundamentados.


Obras como esta, porém, devem ser lidas com espírito crítico, para que ao saber dos autores se agregue a perspectiva do questionamento inteligente, principalmente por parte dos profissionais que, com sua arte, seu talento e sua competência técnica, viabilizam o agir discursivo dos sujeitos institucionalizados, com eles partilhando responsabilidades pelos efeitos produzidos.


Debate sério


Em boa parte, esses profissionais vivem hoje sob pressões que lhes atrofiam os ideais delineados na formação humanística do ofício escolhido. Pressões, por exemplo, que as razões pragmáticas dos negócios impõem às razões culturais das linguagens.


Refiro-me, em particular, a três tendências que já marcam perigosamente a fisionomia da comunicação, em organizações complexas: 1) o poder por vezes abusivo do marketing na instrumentalização das linguagens; 2) a ausência de preocupações com os efeitos sociais, nos modelos de medição e avaliação de resultados das ações comunicativas; 3) a desumanização das narrativas, nos conteúdos que utilizam o jornalismo como linguagem de socialização.


São três parâmetros hoje indispensáveis a qualquer debate sério, entre nós, profissionais e/ou estudiosos de comunicação, sobre o mundo que elaboramos, ou ajudamos a elaborar, com ações comunicativas estrategicamente gerenciadas.


Parâmetros que bem podem ajudar ao aproveitamento crítico deste oportuno e bem recheado livro.


***


Autores: Aluizio Trinta, Carmen Pereira, Christina Ferraz Musse, Fábio Henrique Pereira, Francisco Sant’Anna, Francisco Viana, Gustavo Gomes de Matos, José Benedito Pinho, Jorge Duarte, Judson Nascimento, Paulo Clemen, Paulo Roberto Figueira Leal, Wilson da Costa Bueno.

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Jornalista, doutor em Ciências da Comunicação e professor livre-docente do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde orienta teses; autor de livros entre os quais Pragmática do Jornalismo; colunista do portal Comunique-se

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