ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 487 - 27/5/2008
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IMPRENSA BRASILEIRA, 200 ANOS
Uma comemoração envergonhada

Por Alberto Dines em 2/6/2008

Comentário para o programa radiofônico do OI, 2/6/2008

Nossa imprensa envergonhou-se no domingo (1º/6) ao completar 200 anos de existência. De todos os jornais e revistas de referência nacional, apenas a Folha de S.Paulo lembrou-se do "Dia da Imprensa" e a ele dedicou uma página inteira do primeiro caderno.

O primeiro texto do primeiro periódico a circular no Brasil, o Correio Braziliense, foi escrito em Londres por Hipólito da Costa, patrono do nosso jornalismo, no dia 1º de junho de 1808. Um aniversário desta importância não pode passar em brancas nuvens, nem ser jogado na clandestinidade.

A súbita amnésia não pode ser atribuída ao mal de Alzheimer nem à senilidade. Este esquecimento tem explicações: o Brasil foi um dos países da América que mais tarde ingressou na Era Gutenberg e este atraso não pode ser atribuído ao acaso nem apenas ao absolutismo português.

Dura na queda

O Brasil foi censurado ao longo de 308 anos. E a culpa maior desta censura deve ser atribuída à Santa Inquisição. E a Inquisição era um braço da Igreja. E a ala mais agressiva e poderosa da Igreja contemporânea chama-se Opus Dei – com grande influência na mídia latino-americana, sobretudo no Brasil.

No domingo, dia em que nosso jornalismo completou dois séculos, deixamos de homenageá-lo. Não foi por falta de espaço, os jornais estavam cheios de publicidade. Assim como a Folha encontrou uma forma de saudar a data, os demais poderiam ter feito o mesmo. Ou até mais.

A festa do jornalismo não aconteceu porque os donos do nosso jornalismo não quiseram ferir suscetibilidades nem lembrar que a Inquisição não morreu, apenas trocou de nome.

Comentários (20)
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Marcelo Thompson , Niteroi-RJ - ENGº
Enviado em 3/6/2008 às 10:57:17
A questão não é de se ter uma imprensa a favor disso ou daquilo, mas que fossem mostradas mais nuances de nossa realidade e não somente uma determinada opinião. Simples assim. Qual a única publicação hoje que tem uma maior diversificação de opiniões e posicionamentos em suas páginas? Somente a Carta Capital. Volta e meia, a Folha também dá das suas... mas nem sempre. Os veículos deveriam ser plurais, para que nós avaliássemos e formássemos as nossas próprias conclusões. Porém, só nos vendem um lado da moeda e acabamos como Platão na caverna, vendo apenas um mundo feito de sombras.
Luiz Serenini , Goiânia-GO - Professor
Enviado em 3/6/2008 às 09:21:44
Um bom mote para acompanhar a comemoração é verificar a má vontade da mídia, coincidentemente orquestrada, contra o novo ministro do meio ambiente. Definitivamente, ele não é amigo...
José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 3/6/2008 às 08:35:35
Nove comentaristas reclamaram aqui, com razão, da qualidade da imprensa que temos no Brasil. É de fato uma imprensa que atende os interesses do capital, dos ricos e, portanto, não é uma imprensa a favor dos pobres. O clamor desses nove dá a entender que haveria um público leitor para jornais que se dedicassem a defender os interesses dos oprimidos, a chorar por eles, com eles. Por que, então, não temos jornais assim? Será falta de empreendedorismo? Será que nunca foi tentado antes? Sei que nessa área já se tentou de tudo. Se os jornais que choram comigo não foram pra frente é porque não tiveram leitores em número suficiente para que eles se sustentassem. Sem leitores, neca de anúncios. Sem leitores e anúncios, jornais não sobrevivem, a menos que sejam ligados a uma organização muito rica (e nesse caso, eles não chorariam por nós). Eu me pergunto se esses nove estariam dispostos a assinar um jornal desses. Sei que há milhares de jornalistas que gostariam de trabalhar num jornal desses, se ele existisse e pudesse garantir a sobrevivência do profissional. Sei também que nessa área (a das boas intenções) tem muito oba oba. Dante, no Inferno (Divina Comédia) viu que suas ruas estão calçadas de boas intenções...
Jedeão Carneiro , Aracaju-SE - Arquiteto
Enviado em 2/6/2008 às 22:12:17
A imprensa poderia aproveitar a data para se presentear com um manifesto abandonando as posturas partidária, conservadora e discriminatória contra as minorias, contra pobres, contra indios, contra negros e nordestinos, contra as políticas afirmativas, contra os movimentos sociais. Se é para lançar confetes e continuar do mesmo jeito, a atitude menos pior foi deixar passar esse dia em branco.
Luciano Prado , Fortaleza-CE - advogado
Enviado em 2/6/2008 às 21:06:45
"Vale a pena ver de novo" álvaro marins , Rio de Janeiro-RJ - professor Enviado em 2/6/2008 às 1:10:39 PM Confesso que não entendi bem o artigo. O que empresas como Folha, Estado de São Paulo, Veja, Organizações Globo têm a ver com os conceitos de imprensa e jornalismo? Elas são empresas de mídia. O que significa que o negócio delas é telenovelas, Faustão, merchandising, William Bonner, Hebe Camargo, Nizan Guanaes, Eliane Catanhede, desenho animado, José Serra, Arnaldo Jabor, Macaco Simão, W/Brasil, Linha Direta, Casseta e Planeta, FHC colunista respeitável, Sílvio Santos, filmes enlatados norte-americanos, campanhas anti-Lula, contra as cotas, contra o presidente Chaves, contra a Unasul, além de Álvaro Dias, Artur Virgílio e Agripino Maia vazando "dossiês" e dando um show de audiência e promovendo a queda nas vendas de jornais (sic). Agora, por favor, alguém me responda: O que tudo isso tem a ver com jornalismo e imprensa? Que eu saiba, nada. Tanto é que, como o próprio autor do artigo disse, ninguém deu nem uma linha a respeito. A exceção da Folha apenas ilustra o seu atual cinismo
Patrícia Nogueira , Rio de Janeiro-RJ - artesã
Enviado em 2/6/2008 às 20:18:36
Álvaro Marins, PERFEITO!!!!
Luciano Prado , Fortaleza-CE - advogado
Enviado em 2/6/2008 às 20:11:23
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST - A imprensa é a favor dos seus interesses. Dos legítimos e os ilegítimos. E utiliza-se da "máxima", ou seria "mínima", para alcançar seu intento: os fins justificam os meios.
Luciano Prado , Fortaleza-CE - advogado
Enviado em 2/6/2008 às 20:07:53
A imprensa brasileira vive em outro mundo, no dela. E acha que nós aqui do outro lado temos que interagir. Não tem a mínima noção do que é "feedback". Se tem, age de má-fé. Enquanto existirem incautos ela vai jogando a isca e fazendo o jogo "interesse do patrão". O triste é que ainda tem jornalista que fica esperando a vez (lambendo as feridas do patrão) com o intuito de entrar para o jogo e fazer parte do time. Parafraseando Chico Anísio com o seu “vampiro brasileiro”, digo “imprensa brasileira”.
Lúcia Martins , Brasília-DF - Advogada
Enviado em 2/6/2008 às 19:52:05
Parece-me que o Observatório da Imprensa está sofrendo do mesmo mal que alguns meios de comunicação que ignoram o que acontece no Brasil fora do eixo Rio-São Paulo. O Correio Braziliense, maior jornal da capital do Brasil fez matéria especial sobre a data, tendo publicado, inclusive, encarte especial para as crianças, contando, em quadrinhos, a história de Hipólito da Costa.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 2/6/2008 às 19:06:06
A mídia é a favor a queda do Lulla, é a favor da miséria, é a favor do crime organizado, basta entender porque ela não diz nada sobre a conduta do PSDB. A mídia é a favor da construção de masmorras, a fim de encarcerar os filhos dos pobres, ela é a favor da falta de escolas para que os meninos pobres permaneçam ignorantes e burros. A mídia é a favor da falta de leitos nos hospitais para que o pobre morra na porta dessas espeluncas. A mídia é a favor a falta de terra para que o agricultor familiar de o que comer para seus filhos. Ademais, essa mídia que aí esta é a favor da morte de Fidel, Chávez, Evo, Raul entre outros homens de valor, ou seja, aqueles que beneficiam os fracos e oprimidos. Abaixo a Rede Globo, Folha, Isto/É uma porcaria, Veja entre outras drogas similares.
ubirajara sousa , slz-MA - psicólogo
Enviado em 2/6/2008 às 18:30:10
Álvaro Marins, parabéns!
Isabel  Silva , São Paulo-SP - professora
Enviado em 2/6/2008 às 18:11:37
Álvaro Marins(RJ-professor) nem preciso comentar mais, você falou tudo. Esse é o arremedo de imprensa que, com raras exceções, nós temos no Brasil.
deborah de salles , brasi]-DF - estudante
Enviado em 2/6/2008 às 15:22:56
Vale ressaltar que o jornal local daqui, o CORREIO BRAZILIENSE, fez uma matéria especial em comemoração aos 200 anos da imprensa. As matérias e homenagens ficaram ótimas e houve também uma formatação especial em todas as páginas. Ficou muito bonito.
Luciano Prado , Fortaleza-CE - advogado
Enviado em 2/6/2008 às 14:42:18
Álvaro Marins , Rio de Janeiro-RJ - professor - Matou a pau. O problema é que os "caras" da dita "imprensa" perderam o senso do ridículo. Enchem a boca com a palavra imprensa, mas não enxergam um palmo a frente do nariz, ou melhor, fazem de conta que não é com eles.
álvaro marins , Rio de Janeiro-RJ - professor
Enviado em 2/6/2008 às 13:10:39
Confesso que não entendi bem o artigo. O que empresas como Folha, Estado de São Paulo, Veja, Organizações Globo têm a ver com os conceitos de imprensa e jornalismo? Elas são empresas de mídia. O que significa que o negócio delas é telenovelas, Faustão, merchandising, William Bonner, Hebe Camargo, Nizan Guanaes, Eliane Catanhede, desenho animado, José Serra, Arnaldo Jabor, Macaco Simão, W/Brasil, Linha Direta, Casseta e Planeta, FHC colunista respeitável, Sílvio Santos, filmes enlatados norte-americanos, campanhas anti-Lula, contra as cotas, contra o presidente Chaves, contra a Unasul, além de Álvaro Dias, Artur Virgílio e Agripino Maia vazando "dossiês" e dando um show de audiência e promovendo a queda nas vendas de jornais (sic). Agora, por favor, alguém me responda: O que tudo isso tem a ver com jornalismo e imprensa? Que eu saiba, nada. Tanto é que, como o próprio autor do artigo disse, ninguém deu nem uma linha a respeito. A exceção da Folha apenas ilustra o seu atual cinismo.
Thais Luna , Brasília-DF - Estudante
Enviado em 2/6/2008 às 12:44:14
Creio que faltou pontuar que o Correio Braziliense também homenageou os 200 anos de imprensa no Brasil, com direito a matérias especiais e um suplemento sobre a história da imprensa nacional. Entretanto, devo concordar que as homenagens, na maior parte dos veículos de comunicação, quando ocorreu foi de forma tímida, pouco significativa. É uma pena que uma conquista tão importante para a sociedade brasileira seja vista com tanto descaso.
Aila Pinheiro , Belo Horizonte-MG - Professora de Filosofia
Enviado em 2/6/2008 às 12:13:14
A Opus Dei foi a responsável pela não divulgação dos 200 anos de Imprensa Brasileira? Pobres jornalistas indefesos! Eles bem que gostariam de divulgar esse fato, mas estavam com medo da fogueira. A pergunta é: esse tipo de notícia dá dinheiro? Que bobagem falar sobre os 200 anos da Imprensa quando podemos falar sobre o caso Isabella Nardoni.
dante caleffi , rio de janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 2/6/2008 às 10:37:12
Fosse a comemoração de aniversário da Televisão,certamente "aquela" organização ocuparia os espaços midiáticos por uma semana. Comemorar jornalismo panfletário e com viés anti -democrático,tendendo ao golpe? Seria desonrar à memória de Hipólito José da Costa,patrono da imprensa brasileira.Jornais somente lembram do estado democrático,quando seus profissionais saõ atingidos fisicamente.
José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 2/6/2008 às 10:33:02
E os jornais poderiam ter até alguma coisa para comemorar, com os números divulgados pela Associação Mundial de Jornais (WAN). A venda de jornais no Brasil avançou 11,8% no ano passado, superando a média mundial, que foi de 2,57%. Foi o maior crescimento na América Latina. Em 2006, a circulação no Brasil cresceu 6,5%, e a mundial, 2,3%. Os números brasileiros são idênticos aos apresentados pela Associação Nacional de Jornais, que mostraram que a circulação diária de jornais pagos ultrapassou 8 milhões de exemplares no ano passado. Alguém precisava explicar por que cresceu tanto a venda de jornais no Brasil. Uma hipótese: a classe média mais pobre já tem 25 ou 50 centavos disponíveis para comprar o "Super", o "Extra" e outros do mesmo tipo, com a esperança de ganhar alguma coisa num sorteio (o "Super" não precisa nem de sorteio, basta ajuntar um certo número de selos para ganhar uma réplica de carro ou moto). Faltou dizer também o que significa esse crescimento. Quando a base é muito baixa, é mais fácil crescer. Nos Estados Unidos e Alemanha, respectivamente quarto e quinto mercados de jornais no mundo, onde há uma tradição de se ler jornais e a população que lê é estável, é difícil crescer (aliás, nos dois casos, diminuiu um pouquinho). Na China e na Índia, primeiro e segundo lugares, qualquer acréscimo de renda têm um grande reflexo na venda de jornais populares.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 2/6/2008 às 09:54:34
Vale dizer, de Inquisição passou a se chamar imposição realizada pelos donos dos poderes econômicos e político. Essa imposição esta relacionada com o que o patrão determina o que deve ou não deve ser veiculado na imprensa, a fim de não mexer com as sensibilidades de alguns grupos que dominam os interesses burgueses no contexto de mando e desmando de tudo que ocorre de ruim para o povo brasileiro. O patrão determina que seus empregados, através de matérias, bajulem os ricos, e sentem a aguilhão nos mais fracos socialmente, ou seja, os pobres.
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