ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 561 - 2/2/2010
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CELEBRIDADES
A personagem e a fama nos dias de hoje

Por Emanuelle Najjar em 27/10/2009

Senhoras e senhores: eis que essa é a revelação que todos esperavam. É algo que vai revolucionar a nossa forma de ver a vida, e quiçá a humanidade: o ícone das celebridades loiras, magérrimas e patys de hoje faz a grande revelação. E que rufem os tambores...

"Paris Hilton diz que não é tola, mas finge ser

 […] Paris, que se tornou celebridade mundial depois da divulgação na internet de um vídeo no qual aprece tendo relações sexuais com seu namorado, diz que sua voz de apito e sua imagem de `cabeça oca´ são apenas uma postura. `Faço essa voz de bebê, que é a deste personagem que inventei, mas na vida real sou completamente diferente. Tenho os pés muito no chão, sou inteirada do que acontece´, acrescenta Paris, na entrevista realizada em sua mansão em Hollywood" [veja mais].

Não duvido da veracidade dessa declaração e digo, inclusive, que faz sentido. Estamos falando de fama. Nesse assunto, o que temos por convencional simplesmente não existe.

Paris, herdeira da rede de hotéis Hilton, também é modelo/cantora/atriz. Ficou famosa por um motivo que seria dos piores, por assim dizer, já que normalmente um vídeo desses circulando pela rede acaba com a vida e a carreira de qualquer um. Transformou-se em ícone da futilidade e da polêmica e fatura muito com essa imagem, até mesmo com os escândalos.

O custo dos quinze minutos

Podemos dizer que, realmente, burra ela não é. Claro que seus métodos de manter a fama passam longe da seriedade, talento ou credibilidade, mas temos de admitir que Paris é competente naquilo que faz. Na verdade, Paris é um ícone daquilo que significa ser celebridade hoje.

O que importa é ter fama. Não faz diferença se aquilo que você faz ou fez para alcançá-la é benéfico, ou se lhe dá credibilidade. Fingir ser o que não é se torna regra (embora no caso de Paris, ela finja muito bem). Não importa ser estereotipada por vontade própria, e chamada por rótulos nada lisonjeiros. Basta apenas ser celebridade. Essa é a geração onde a profissão mais desejada é simplesmente ser famoso. Fama por fama, a troco de nada: de quinze minutos que se prolongam a sabe-se lá que custo. Simples assim.

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