ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 564 - 2/2/2010
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LOBBIES & PUBLICIDADE
Dinheiro sujo na mídia

Por Luciano Martins Costa em 23/11/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 23/11/2009

A Folha de S.Paulo destaca, na edição de segunda-feira (23/11), que as indústrias que mais poluem no Brasil e que mais contribuem para a emissão de gases do efeito estufa são também as que mais influenciam as comissões do Congresso Nacional encarregadas de encaminhar as votações da legislação ambiental.

Segundo o jornal paulista, empresas de setores altamente comprometidos com o aquecimento global formam as doze associações que contribuíram com 60 milhões de reais nas campanhas eleitorais de 2006.

O dinheiro das indústrias de energia, cimento, papel e celulose, agronegócio, mineração, siderurgia e óleos vegetais ajudou a eleger metade dos parlamentares que compõem a comissão da Câmara dos Deputados que está conduzindo as mudanças no Código Florestal.

Pesos e medidas

A reportagem é importante para que o leitor entenda como funcionam os lobbies e como uma decisão nas urnas influenciada por propaganda política bem elaborada e com muito dinheiro acaba produzindo resultados contrários ao interesse do cidadão.

Algumas dessas empresas, como a Bunge, estão envolvidas em campanhas internacionais para desestimular a adoção de metas ambiciosas para o problema das mudanças climáticas, observa a Folha.

O que o jornal esqueceu de mencionar é que as mesmas empresas também se destacam no uso de publicidade para tentar convencer o público de suas boas intenções quanto ao meio ambiente. A propaganda desses setores, tanto nos jornais quanto na televisão, destaca-se por mencionar invariavelmente suas grandes preocupações com a questão ambiental.

Muitas delas também se apresentam como campeãs da responsabilidade social e costumam financiar os cadernos especiais dos jornais sobre meio ambiente e sustentabilidade.

Não se trata de dizer às organizações jornalísticas que devem rejeitar o dinheiro de empresas sujas – o que também não seria absurdo –, mas talvez fosse o caso de também esclarecer aos leitores a relação que existe entre o lobby que se movimenta para amenizar a legislação de proteção ao patrimônio ambiental e a publicidade que tenta preservar a reputação desses mesmos financiadores.

Ou será que o lobby funciona no Congresso mas se torna inofensivo quanto atua sobre a imprensa?

Comentários (8)
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Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 23/11/2009 às 20:11:40
Esse negócio de "publicidade" na tal "mídia" é mesmo "dan.tes.co"!. E MAXimamente SUrrEaL!. E a tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!) vem há um certo tempo "noticiando" e "superlativando" sobre um tal "Pânico na TV" da tal Rede TV!. Já teve até duas páginas inteiras só da tal "Mônica Bergamo" sobre o tal "Pânico na TV" e sobre a tal (própria) Rede TV!. Sem contar "outras colunas sociais folhácticas"!. Bem, para a (não!) surpresa geral da nação eis que: A tal Rede TV "publicitou" ou "propagandeou" página inteira na... Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!)!. Uma página inteira de propaganda sobre uma tal "entrevista" do tal Lula ao tal (ex)- e eterno assessor de imprensa do PT-MG Kennedy Alencar "jornalista" da... (própria) Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!) e uma página inteira de propaganda dos tais "10 anos" da tal Rede TV festança que foi "releaseada" na tal "coluna" da tal Mônica Bergamo (que releaseou até mesmo o tal "menu" -tinha até mandioquinha ou abobrinha, não sei-). E na "matéria jornalística" permutada com a "matéria publicitária" tinha as fotos daqueles dois "anciãos" (proprietários?) da tal Rede TV com suas respectivas ninfetona e ninfetinha -"apresentadoras" muito citadas na tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!)!. Até o tal "vovô" Emílio Surita apareceu na foto!.
Marcelo Silvestre , São Paulo-SP - Internauta
Enviado em 23/11/2009 às 19:52:11
Esse tipo de hipocrisia está em todo lugar. Busca um tipo de publicidade quem mais precisa dela. As propagandas de cigarro inspiravam liberdade. A indústria da cerveja patrocina o esporte, mas mira sua publicidade nos jovens. A indústria da jogatina e da lavagem de dinheiro se disfarça de "entretenimento" para idosos e convívio social. E quanto mais "errado" ou ilegal o "produto", mais investimento é feito para defender a indústria através de lobbies, conhecidos no Brasil como a "bancada". O cidadão tem é que estar atento para não cair nas garras dos lobos em pele de cordeiro.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 23/11/2009 às 19:39:39
E vejam quem "patrocinam" o treinamento folháctico de (até!) "12" (doze!) selecionados "futuros jornalistinhas" da tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!): "Oi" (com recursos do BNDES e BB e CEF -celulares faz bem ao meio ambiente?-) e "Odebrecht" ( petroquímica que além de patrocinador é anunciante e "opinista" da (ex)-honrosa página A2) e "Philip Morris Brasil" (fábrica de produtos supercancerígenos) e "Syngenta" ("líder" mundial na área de agribusiness "comprometida com a agricultura "sustentável" -agrotóxicos, né!-)!. Fonte: Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!) edição de 15 de novembro de 2009 página A14 caderno... Brasil il il il!.
Antônio Luiz Calmon Teixeira Filho , Salvador-BA - Advogado
Enviado em 23/11/2009 às 18:11:38

Dinheiro sujo na mídia. E no OI?

Nota do OI: Como o preclaro doutor pode ser tão irresponsável em acusar este Observatório de receber dinheiro sujo? Quem você pensa que somos? Quem você pensa que é? (Luiz Egypto) 

Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 23/11/2009 às 12:07:42
Santa Ignorância .... perdoai aqueles que não sabem o que escrevem ... cada um faz o inferno de Dante no órgão ambiental que imaginam.
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 23/11/2009 às 11:40:48
Cetesb?Isso é propaganda pró-Serra? Órgão venal do estamento paulista. O que se discute é a ética de conveniência da mídia. Prevalece o que pode ser usado contra o governo, obviamente o que emana do Planalto. O congresso é o quarto de despejo,para ocultar os interesses,lobbies, e as campanhas que a mídia beneficiária promove . Pergunte se as gráficas da "Folha", utilizam integralmente ou parcialmente na sua produção,"papel reciclado","verde", ou apelido que queiram dar. Os Frias,como boa parte dos detentores da informação,promovem, que se rasgue,primeiro o dinheiro do governo,contribuinte em seguida. Os deles ,jamais!
Mário  Parisco , Fortaleza-CE - Professor
Enviado em 23/11/2009 às 10:24:36
E dizem que a imprensa é imaculada. Vejam uma parte da denúncia de Jean Scharlau , encontrada no blog do finado Fausto Wolf. "O tacão corporativo da ladra mídia no nosso pescoço, enquanto saqueia nosso bolso.Em conversa que mantive com um conhecido publicitário, a fim de me informar sobre os custos de alguns comerciais para TV, ele me disse que consegue descontos de até 85 % sobre o preço de tabela de uma das emissoras nacionais. Constatada minha surpresa diante de tão vasto desconto ele me informou ainda que uma empresa que contrate espaço publicitário em uma rede de TV para seis meses, por exemplo, e pague antecipadamente, pode obter mais de 95% de desconto sobre o preço de tabela. Semi pasmo e no limiar da incredulidade, disse a ele que não entendia que sentido teria uma "tabela" como essa, tamanha a diferença dos preços praticados. A resposta dele foi singela e brutal: - a "tabela" é para o governo. Ou seja: a mídia tem uma tabela para roubar dinheiro do povo. Mensalão? Não. O tempo na TV e no rádio é medido em segundos, portanto Cronometrão. Nos jornais e revistas, o espaço é vendido em centímetros, então a mídia tem o seu Centimetrão para roubar dinheiro do povo. Ai está um motivo pelo qual a mídia é panfleto de alguns partidos e muitos canalhas - esses, quando no governo pagam à mídia a tabela cheia, além de facilitar outros negócios afins."
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 23/11/2009 às 10:16:33
O que quer o articulista ? acabar com as empresas que mais poluem e mais emitem gases do efeito estufa? aí teria que acabar com a Petrobrás e com todas as siderúrgicas, com todas as indústrias químicas e petroquímicas, todas de fertilizantes, etc. Estas empresas chamadas de "empresas sujas" pelo Sr. Luciano, tem sim diversos programas voltados para a melhoria ambiental, mas não dá simplesmente para deixar de emitir o mínimo que seja destes gases. Lembro que muitas empresas desta natureza estão sujeitas aos órgãos ambientais, fortes como a Cetesb em São Paulo, sujeitas ao Ministério Público através dos TAC s (termos de ajustamento de conduta), onde se comprometem a implantar projetos e programas de redução de poluição atmosférica, da água e do solo. Quanto a financiar campanhas eleitorais, estão dentro da Lei, e fazem como outros empresas não enquadradas nesta categoria.
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