4/9

Procure no arquivo

ASPAS

FLÁVIO CAVALCANTI REVISITADO
Gabriela Goulart e Fernando Pereira

"O homem-extremo", copyright Jornal do Brasil, 22/08/01

"O apresentador Flávio Cavalcanti, que teve seu programa analisado em tese de mestrado sobre a relação entre a TV e o regime militar, representava um terço do faturamento da Tupi no início dos anos 70 e registrava 70% de audiência

Flávio Cavalcanti era uma figura controversa e polêmica da TV. No comando de seu programa dominical na extinta Tupi, era capaz de consagrar com medalha no quadro Obrigado por você existir o então ministro Hélio Beltrão, do governo Figueiredo, ou convocar para o júri da programa Leila Diniz, persona non grata ao regime militar por seu comportamento ousado e sua entrevista recheada de palavrões no Pasquim. Quinze anos depois da morte do apresentador, poucas dúvidas resistem à certeza de que Flávio Cavalcanti não escondia seus amores e ódios. Mais: fazia questão de mostrá-los.

‘Ele se posicionava sobre tudo. O compartilhamento entre ele e o público era impressionante. No programa, se ele gostava de uma música, a câmera mostrava sua imagem cantando o refrão e o público aplaudindo’, ressalta a historiadora Lúcia Maciel Barbosa de Oliveira, que acaba ter sua tese de mestrado na Escola de Comunicações e Artes da USP publicada em livro pela editora Beca. Em Nossos comerciais, por favor! - A televisão brasileira e a Escola Superior de Guerra: o caso Flávio Cavalcanti, Lúcia analisa o programa do apresentador como ponte entre a TV e o regime militar.

Faz isso dissecando e comparando os fundamentos do manual da Escola Superior de Guerra (ESG) - que pautou o regime militar - aos valores propagandeados por Flávio em seu programa. ‘O universo moral era o mesmo. As noções de família, religião, ordem, hierarquia, propriedade e o maniqueísmo entre o bem o mal expostos no programa passam pelo discurso da ESG e pelo projeto de integração nacional’, ressalta Lúcia, que usou como base de sua tese seis programas da Tupi - do início da década de 70 - e 1.200 publicações sobre o apresentador, entre revistas e livros.

Referência - Com 40 anos e lembranças da infância do sucesso do programa de Flávio Cavalcanti, Lúcia ficou impressionada com o interesse que as pessoas ainda nutrem pelo apresentador. ‘Acho que é porque não há muito material sobre ele. Também acredito que pessoas que despertem amores e ódios criam mitos sobre si mesmas. Gostando ou não, as pessoas se interessam pelo assunto. Ele é uma referência’, arrisca.

Uma referência que, apesar do desgaste do formato de seu programa, centrado na figura de um apresentador que determina a reação do público, inspira atrações que hoje estão na TV aberta. ‘Apesar de casos aberrantes e desvios, como o do homem impotente que empresta a mulher para o vizinho, no fim os valores voltavam para os lugares devidos no programa de Flávio Cavalcanti. Ele reafirmava esses valores com uma abordagem pelo lado negativo. O Ratinho faz a mesma coisa. Mudou um pouco, mas a essência é a mesma’, afirma Lúcia.

A essência pode ser a mesma, mas a repercussão não tem comparação. No início dos anos 70, o Programa Flávio Cavalcanti representava um terço do faturamento comercial da Tupi e tinha audiência de 70%. Repórter da revista Amiga na época, a promoter Léa Penteado tinha a função de assistir, todos os domingos, ao programa no estúdio para escrever. Era uma espécie de ‘setorista do programa’. Acabou trabalhando com Flávio Cavalcanti durante três anos - como jornalista e secretária - e em 1993 lançou a biografia Um instante, maestro e, até hoje, é reconhecida como ‘minha secretária, dona Léa Penteado’ por alguns antigos telespectadores. ‘Ficava impressionada com o poder que ele tinha. Uma vez, durante uma viagem ao Nordeste, presenciei à cena em que uma mãe pedia que Flávio abençoasse seu filho’, lembra.

Censura - Qualquer possibilidade de ligação entre Flávio Cavalcanti e o regime militar irrita Léa, que datilografava os scripts do programa antes e depois do carimbo de aprovação da censura. ‘Isso acontecia com todos os programas. No caso do Flávio, ele ainda tinha uma maleta conhecida como fora do script. Quando ele abria a pasta no ar, a produção tremia porque sabia que teria problemas com a censura’, conta ela.

Léa se lembra, por exemplo, da suspensão do programa durante 30 dias, em 1971. ‘Ele acreditou na revolução de 64, mas virou o jogo, contestou, se indignou e sofreu por isso. Foi o único censurado na TV. Diziam que a matéria sobre o homem que emprestava a mulher para o vizinho era o motivo, mas a realidade é que ele irritou o Jarbas Passarinho, então ministro da Educação, criticando a política de dar fim ao reaproveitamento de livros escolares’, acrescenta Léa.

De um lado ou de outro. Flávio Cavalcanti queria irritar. Incomodar. Quebrava discos de Caetano Veloso, soltava o verbo contra John Lennon, não sobrava ninguém. Ney Matogrosso tinha voz fina. Maria Bethânia tinha a dela grossa demais. Nessa postura, foi autor de frases contundentes. Para ele, a censura educava. E os pais, na saída da maternidade, ‘tinham que torcer para os filhos nascerem homens ou mulheres, nada mais que isso’.

Diretor da sucursal do SBT em Brasília há 15 anos, Flávio Cavalcanti Jr., 50, afirma que o pai tinha essa posição radical intencionalmente. Uma espécie de estratégia para conquistar público. ‘Ele queria que o telespectador o amasse ou o odiasse. Tinha uma visão de showman. Jogava com suspense e com polêmica. Para isso, exacerbava algumas características. Baseado em crenças dele, é claro’, ressalta ele, que aos 19 anos trabalhava no Programa Flávio Cavalcanti.

Por essas crenças entenda-se uma preocupação exagerada com os valores da família, um catolicismo exagerado - que levava Flávio a freqüentemente viajar até Juiz de Fora para se confessar e fazer retiras com o padre de sua confiança. ‘Meu pai era conservador. Nasceu em 1923. Ele não via com liberdade muitas coisas nas décadas de 60 e 70. Não mais que qualquer sujeito de classe média do Rio naquela época. Agora, se isso coincidia com o manual da Escola Superior de Guerra, paciência’.

Flávio confirma também a crença do pai no processo que terminou com o golpe de 64, mas garante que ele jamais soube da existência do manual da ESG ou teve qualquer encontro com presidentes do regime militar, com exceção de Castelo Branco e Figueiredo. ‘Ele era lacerdista e ajudou a propalar a revolução. Para o bem e para o mal, isto tem que ser assumido. É histórico. Por outro lado, se afastou do processo a partir do AI-5. Ele era de direita, mas gostava muito de eleição. Em 1986, quando morreu, já estava votando há muito tempo no MDB’, ressalta Flávio, o filho, que ainda não leu o livro de Lúcia. Mas já mandou comprar na editora."

 

O Estado de S. Paulo

"A doutrina política de Flávio Cavalcanti na TV", copyright O Estado de S. Paulo, 27/08/01

"Por que tanto interesse por Flávio Cavalcanti (1923-1986)? A historiadora Lúcia Maciel Barbosa de Oliveira, autora de ‘Nossos Comerciais, por Favor!’ - A Televisão Brasileira e a Escola Superior de Guerra: o Caso Flávio Cavalcanti (Beca, 144 págs., R$ 25), afirma estar surpresa com a quantidade de ligações que tem recebido para falar do livro (cujo título se apropria de um dos bordões de Cavalcanti) e das mensagens por e-mail que comentam a obra. ‘Acho que há uma certa nostalgia, vontade de recuperar um personagem que marcou uma geração, um lado saudosista, sem muito juízo de valor.’

O trabalho de Lúcia, defendido como dissertação de mestrado na Escola de Comunicações e Artes (Universidade de São Paulo), nasceu da dúvida sobre as relações entre o apresentador-símbolo da televisão nos anos 70 e a doutrina política que orientou o regime militar, elaborada na Escola Superior de Guerra. ‘É uma relação óbvia’, afirma ela, antes de completar: ‘Embora muita gente só a tenha percebido depois de ler o livro.’

Para Lúcia, o apresentador do Noite de Gala, Um Instante, Maestro e, depois, do Programa Flávio Cavalcanti, sucesso nos anos 70 na Tupi, que levou a Globo a criar o Fantástico para enfrentá-lo, revelava afinidades com o projeto de país e de sociedade defendidos pelos militares: ‘Um universo de valores extremamente conservador, de linhagem cristã-ocidental, que tem na família, na pátria, na propriedade, na religião, na moral e nos bons costumes os pilares da ordem social, assim como a crença na unidade, homogeneidade, ausência de conflitos e conciliação’, escreve a historiadora.

Nas posições de Cavalcanti e nas da ESG, não há muita novidade. O próprio filho do apresentador, Flávio Cavalcanti Jr., declarou que o pai era de fato conservador e não via com bons olhos as mudanças de comportamento dos anos 60 e 70. Mas também afirma que ele não tinha nenhuma ligação formal com a ESG.

É também isso que mostra o trabalho de Lúcia Maciel. Como o uso dos meios de comunicação como fator de integração nacional fazia parte do projeto da ESG, ela foi à escola militar para verificar se Flávio Cavalcanti esteve lá, em conferências, palestras, aulas ou encontros. Não encontrou nenhuma referência.

Nem por isso a aproximação intelectual entre os dois pode ser negada.

Porque, como defende Lúcia, há uma circularidade de valores pelos diferentes meios sociais. Isso significa que, se Flávio Cavalcanti e outros apresentadores de TV que seguiram seu estilo não eram ‘braços do poder’, tinham valores parecidos com ele, o que os fazia defender as mesmas idéias.

Cavalcanti, por exemplo, fez uma interpretação semiótica da música Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, que ficou famosa: ele encontrou no verso ‘Sem lenço, sem documento’ as iniciais de L(enço) S(em) D(ocumento), que considerou uma ‘prova’ da apologia ao uso de drogras pelos tropicalistas.

Por isso, ‘quebrou um exemplar do disco que continha tal infâmia’, conta o próprio Caetano em Verdade Tropical.

Nas palavras do professor da ECA e escritor Teixeira Coelho, a convergência de pontos de vista entre o apresentador e os manuais da ESG estudados por Lúcia não podem ser negados: o que explica ‘tanto o sucesso de Flávio Cavalcanti quanto a duração’ (21 anos, de 1964 a 1985) do regime militar.

Também para Teixeira Coelho, Flávio foi uma espécie de ‘intelectual orgânico da ditadura sem ter assumido a função de 'pau mandado'‘, o que seria comprovado pelos desentendimentos entre o apresentador e o poder.

O público de Flávio Cavalcanti, na época, era formado pelas classes A e B, segundo os dados obtidos por Lúcia - o que também é levado a crer pelas roupas que usava: smoking no Noite de Gala, terno e gravata nos outros programas. ‘No fundo, os medos, as esperanças e o projeto nacional dessa classe, de Cavalcanti e dos militares são os mesmos.’ Na década de 70, Cavalcanti atuaria como uma espécie de arauto do governo do general Médici, mesmo tendo tido alguns problemas com o governo e a censura, argumenta.

‘Flávio sabia o que estava defendendo, até porque os valores que defendia eram coerentes com sua vida privada’, continua ela. Isso não o impedia de apresentar casos escabrosos, como o de uma menina de 12 anos que engravidara do padrasto e não conseguia fazer um aborto na rede pública. ‘Ele expunha os desvios para reafirmar a ordem.’"

 

Laura Mattos

"Livro decifra elo entre Flávio Cavalcanti e o regime militar", copyright Folha de S. Paulo, 21/08/01

"Você parou nesta página, viu a foto ao lado, leu o título e pensou: foram encontrados documentos do Exército ou fitas com grampo telefônico que revelam negociações obscuras e maquiavélicas entre o governo militar e o apresentador Flávio Cavalcanti, o maior sucesso da TV nos anos 70.

Lançado este mês, o livro ‘Nossos Comerciais, por Favor!’, da historiadora Lúcia Maciel Barbosa de Oliveira, 39, não traz essa revelação folhetinesca, mas mergulha num baú com idéias não menos intrigantes.

A obra analisa como Flávio Cavalcanti -quem tem em torno de 30 anos ou mais o viu na TV; quem tem menos ouviu falar- disparava em seu polêmico discurso as mesmas idéias da doutrina da Escola Superior de Guerra, que pautou toda a concepção do golpe de 64. E o apresentador é só um exemplo, talvez o mais forte, de como a televisão serviu de suporte à ideologia do regime.

O mérito do livro -que surgiu da tese de mestrado apresentada pela historiadora na Escola de Comunicações e Artes da USP- é ir além das costumeiras abordagens rasas sobre a ligação entre a televisão e o poder no Brasil.

Trechos do manual da Escola Superior de Guerra selecionados pela autora mostram que os militares encaravam a televisão como instrumento indispensável à disseminação e sustentação de suas idéias. Mas ‘Nossos Comerciais’ busca superar a visão de que os poderosos da política e do governo reuniam-se em gabinetes escuros para decidir o que e como enfiar goela abaixo do telespectador.

Para isso, ela deixa claro que não encontrou provas de que tenha havido um acordo formal entre Flávio Cavalcanti e um representante do governo. Ela chega, inclusive, a duvidar dessa hipótese, citando momentos em que ele teve problemas com a censura.

‘Sabe aquela história de que a TV manipula? Isso é muito simplório e infantiliza o telespectador. As pessoas se identificam com o que querem na televisão’, afirma Lúcia. É esse princípio (hoje aplicável, por exemplo, ao ‘Programa do Ratinho’, na opinião da autora) que permeia a análise sobre o enorme sucesso de Flávio Cavalcanti, a duração do regime militar no Brasil e a bem-sucedida ligação entre eles.

Ao quebrar diante das câmeras discos de cantores populares, como Caetano Veloso, dizer que John Lennon desvirtuava a juventude, defender a família e os ‘bons costumes’, levar militares ao quadro ‘Obrigada por Você Existir’ e xingar os homossexuais, Flávio Cavalcanti não estava fazendo nada além de traduzir de maneira popular e atrativa cada fundamento da doutrina da Escola Superior de Guerra.

E mais: dizer exatamente o que os telespectadores, a maioria de classe A e B, queriam ouvir.

No auge do sucesso, nos primeiros anos da década de 70, seu programa chegava a ter 70% de audiência e representava um terço de todo o faturamento da Tupi. O apresentador não saía das páginas de jornais e revistas especializadas em televisão. E foram esses registros que sustentaram a pesquisa de Lúcia para sua tese.

Como quase tudo o que se produziu nos primórdios da televisão brasileira, praticamente todas as gravações dos programas de Flávio Cavalcanti se perderam entre incêndios e reutilização de fitas.

Não sobrou nem a fita com a folclórica entrevista que o jornalista fez nos EUA com o presidente John Kennedy, em 1971, sem saber falar um ‘a’ em inglês. Por sorte, restou do encontro uma fotografia, que está com seu filho, Flávio Cavalcanti Jr., ‘para ninguém dizer que é mentira’.

Lúcia teve de contar com sua memória, a pesquisa de cerca de 1.200 edições de revistas, jornais e raras fitas que achou na Cinemateca de SP (‘Pesquisar TV no Brasil é complicado. Desde que localizei as fitas na cinemateca até o dia em que consegui acesso a elas se passou quase um ano.’).

Assistindo aos programas (de 72, 74, 78, 79 e dois de 80), a historiadora concluiu que o discurso de Flávio Cavalcanti não se alterou ao longo dos anos, apesar de declarações suas na imprensa dizendo que havia se decepcionado com ‘a revolução de 64’.

Coincidência ou não (não, na opinião de Lúcia), o programa começa a perder força no final dos anos 70, simultaneamente ao enfraquecimento do autoritarismo do governo militar. Além da questão política, o cenário na TV torna-se mais competitivo, com o forte crescimento de audiência da Globo (o ‘Fantástico’ foi criado especialmente para combater o ‘Programa Flávio Cavalcanti’) e a TV Tupi entra crise.

Além do foco no programa, Lúcia aborda outros aspectos do vínculo entre TV e poder, como a questão do grande número de concessões de emissoras dadas a políticos no período militar.

O escritor Teixeira Coelho, orientador da tese, dá, na orelha do livro, as diretrizes do trabalho: ‘Nenhuma ditadura permanece firme por 20 anos, como aconteceu no Brasil a partir de 1964, se seus princípios não forem de algum modo compartilhado ou pelo menos aceitos pela maior parte da população (...). E, como demonstra este estudo, o ideário básico do golpe que derrubou João Goulart era perfeitamente compatível com a sensibilidade das massas -pelo menos daquelas que assistiam à TV e, de modo particular, programas como o de Flávio Cavalcanti’.

O livro, então, pode dizer algo a três categorias de leitores: os que se interessam pela história do regime militar, os que gostam de televisão e os que pretendem entender como as duas coisas se unem. Alguém fica de fora?"

 

L.M.

"Jornalista teve relação dúbia com censura", copyright Folha de S. Paulo, 21/08/01

"O mesmo Flávio Cavalcanti que teve seu programa censurado por dois meses, em 1971 -ao mostrar na TV um homem que, por ser inválido, ‘emprestava’ a mulher a um amigo-, declarou, em 1979, que ‘censurar é educar, é orientar os jovens para o caminho do bem e retirar os velhos do caminho do mal’.

E mesmo que, em alguns momentos, tenha chegado a criticar os caminhos do regime militar, o apresentador sempre teve a imagem ligada a ele. ‘Isso irritava muito o velho. Ele dizia: ‘Eu tô aqui dando porrada na medida que posso...’, afirmou à Folha Flávio Cavalcanti Jr., 50.

O filho do apresentador, que começou a trabalhar na TV ao lado do pai, com 19 anos, diz que Flávio Cavalcanti ‘apoiou todo o processo da revolução de 64, mas quatro ou cinco anos depois, ficou decepcionado e começou a fazer oposição em seu programa’.

‘Ele era lacerdista convicto. Quando defendeu a revolução, sonhava com eleições diretas para presidente em 1965, disputadas por Lacerda e Juscelino. Mas com a mudança de rumo, o AI-5, a censura, ele entrou em rota de colisão com o governo’, diz Flávio Cavalcanti Jr., que há 15 anos dirige o SBT em Brasília.

Ele conta que o pai chegou a esconder em sua casa artistas que estavam sendo perseguidos, como Leila Diniz. Ela passou uma temporada ‘afastada’, na casa do apresentador, em Petrópolis, depois de dar uma entrevista polêmica ao ‘Pasquim’. ‘Nós íamos levar bronca da censura toda semana. O velho enfrentou o regime tanto quanto possível. Mas sempre se dizia um homem careta, e sempre foi considerado um homem de direita’, diz Cavalcanti Jr., que ainda não leu o livro ‘Nossos Comerciais, por Favor!’.

Lúcia de Oliveira, autora da tese, afirma que o apresentador pode até ter mudado de opinião sobre o regime militar. Mas, pela análise dos programas e de declarações que encontrou em sua pesquisa, ela diz que essa mudança não aparece em seu discurso.

‘Sendo ou não a favor dos militares, ele nunca deixou de valorizar na televisão os principais fundamentos da doutrina da Escola Superior de Guerra, a base do golpe’, afirma."

 

L.M.

"Carreira começou no rádio em 1954", copyright Folha de S. Paulo, 21/08/01

"Jornalista, radialista, produtor e apresentador de televisão, Flávio Cavalcanti dedicou mais de 40 dos seus 63 anos de vida ao trabalho como comunicador. Carioca, nascido em 15 de janeiro de 1923, foi polêmico desde a infância, tendo sido expulso de várias escolas.

Em 1948, casou-se com Maria Izabel, a Belinha, que o acompanhou durante toda a vida. Defensor da tradicional família, usava o sólido casamento como um exemplo a ser seguido por seus telespectadores.

Em 1954, fez o primeiro programa de rádio, ‘Discos Impossíveis’, que começou na rádio Mayrink Veiga, passou para a Nacional e terminou na Tupi. Chegou à TV em 1957, em uma substituição do apresentador de ‘Acontece Jacintho Thormes’, na Tupi.

Sua consagração veio com dois programas, ‘Um Instante, Maestro!’ e ‘Noite de Gala’, que depois se fundiram no ‘Programa Flávio Cavalcanti’.

O apresentador ficou na Tupi até seu fechamento, em 1980. Depois, já sem o mesmo brilho, teve passagens pela Bandeirantes e pelo SBT. Morreu em 1986, e seu enterro foi acompanhado por cerca de 2.000 pessoas."




                                Mande-nos seu comentário




Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe