Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > PRIVACIDADE & VIGILÂNCIA

Debate segurança vs. privacidade depende dos valores de cada pessoa

Por Michael Kepp em 25/06/2013 na edição 752
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 20/6/2013; intertítulo do OI

Quando Edward Snowden, um ex-prestador de serviços para a NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), divulgou um programa confidencial de monitoramento em massa, comentaristas fizeram perguntas como “Ele é patriota ou traidor?” e “O que é mais importante, segurança ou privacidade?” A resposta à primeira pergunta depende do valor que você atribui à desobediência civil. A resposta à segunda depende de como seu sistema de valores pesa segurança versus privacidade.

Mas as revelações também suscitam uma pergunta para a qual a resposta é mais direta: “O governo deveria usar registros telefônicos para espionar milhões de americanos e mentir sobre isso?” Ou, em outras palavras: “Quão transparente deve ser o Estado de segurança nacional dos EUA?” A resposta desse governo parece ser: “O mais opaco possível”. Numa audiência no Congresso, um senador perguntou a James Clapper, o diretor de Segurança Nacional: “A NSA coleta qualquer tipo de dados sobre milhões ou centenas de milhões de americanos?” Clapper, então, respondeu: “Não.”

O governo Obama já processou seis pessoas por vazar informações, mais que todos os governos anteriores somados, e promete fazer de Snowden a sétima. Mas Snowden não disse a terroristas nada que já não soubessem: a tecnosfera de segurança dos EUA é enorme. E o Pentágono tampouco pode comprovar que os dados entregues ao WikiLeaks pelo soldado Bradley Manning prejudicaram alguém. Isso provoca outra pergunta: por que governos americanos procuram punir severamente pessoas como Manning e Snowden, mas não punem seus próprios representantes, cujas revelações têm por objetivo prejudicar?

“A maior honraria”

Quando Lewis Libby, chefe de gabinete do ex-vice-presidente Dick Cheney, vazou o nome de uma agente da CIA, ele não foi preso. O que o motivou foi vingança: o marido da agente, um diplomata, tinha revelado que o governo Bush distorceu informações de inteligência para justificar a invasão do Iraque.

Depois de Cheney ter chamado Snowden de “um traidor”, este respondeu que tal acusação, vinda do “homem que nos deu o esquema de grampo telefônico sem autorização judicial”, foi “a maior honraria que um americano poderia receber”.

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Michael Kepp, jornalista americano radicado há 30 anos no Brasil, é autor do livro Tropeços nos Trópicos – Crônicas de um Gringo Brasileiro (Record)

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